Política
Moraes vota por condenação de Bolsonaro em julgamento do “núcleo crucial” do golpe
Ministro do STF abre votação histórica contra ex-presidente e aliados militares; penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu nesta terça-feira (9) o primeiro voto para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus acusados de integrar o chamado “núcleo crucial” da trama golpista. O julgamento ocorre na Primeira Turma da Corte e deve se estender até a sexta-feira (12).
As penas ainda serão definidas, mas, caso a maioria acompanhe Moraes, Bolsonaro poderá enfrentar até 43 anos de prisão.
Um julgamento sem precedentes
Trata-se da primeira vez que um ex-presidente da República e oficiais do alto escalão das Forças Armadas respondem por crimes contra a democracia no Brasil. A denúncia é baseada na Lei de Segurança Nacional e inclui crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado.
Além de Bolsonaro, são réus Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier e Mauro Cid.
Duro contra-ataque de Moraes
No voto de mais de cinco horas, Moraes classificou os réus como “terroristas” e “delinquentes do PCC”, criticando as condutas como “vergonhosas” e “golpistas”.
Segundo o ministro, a conspiração não se limitou a “cogitações”, mas envolveu atos executórios concretos, como a elaboração de decretos golpistas para anular eleições, prender autoridades e instaurar estado de sítio.
“O Brasil quase voltou a uma ditadura que durou 20 anos porque uma organização criminosa liderada por Jair Bolsonaro não sabe perder eleições”, afirmou o relator.
Provas robustas e minuciosas
O voto destacou:
- Minutas do golpe, encontradas com Anderson Torres e Mauro Cid;
- Planos violentos como o Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de Lula e do próprio Moraes;
- Declarações públicas de Bolsonaro contra o STF e a Justiça Eleitoral, tratadas como “confissão velada”;
- Depoimentos de ex-comandantes das Forças Armadas confirmando ter recebido propostas golpistas.
Para o ministro, o 8 de Janeiro de 2023 foi “o reflexo final de toda a organização criminosa” que tinha como objetivo perpetuar Bolsonaro no poder a qualquer custo.
Caminho até a decisão final
Após Moraes, votam Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por último, Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. O debate sobre as penas só ocorrerá se houver maioria pela condenação.
Moraes defendeu que os crimes de golpe e de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito sejam tratados como delitos autônomos, o que pode elevar a pena final.
A tendência, segundo analistas, é que Bolsonaro seja condenado a pelo menos 20 anos de prisão, já que apoiadores considerados de menor relevância no 8 de Janeiro receberam sentenças acima de 17 anos.
Política
Edinho Silva defende Jaques Wagner após investigação da PF
Presidente nacional do PT elogiou a trajetória do senador baiano e afirmou confiar na integridade do parlamentar após operação da Polícia Federal.

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao comentar a investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) que envolve o parlamentar. Em declaração feita nesta quarta-feira, o dirigente classificou Wagner como “motivo de orgulho para todos nós no Brasil” e destacou sua trajetória política marcada pela “dignidade e honestidade”.
As declarações ocorrem após o senador ter sido alvo de mandados de busca e apreensão, cumpridos em 18 de junho, durante uma fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura a suspeita de que Wagner teria atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de supostas vantagens indevidas.
Edinho Silva reafirmou sua confiança no senador baiano e ressaltou o histórico político de Jaques Wagner, reforçando o apoio do partido ao parlamentar enquanto as investigações seguem em andamento.
A Operação Compliance Zero busca esclarecer possíveis irregularidades envolvendo a atuação de agentes públicos e interesses privados. Até o momento, a investigação permanece em curso, sem decisão definitiva sobre o mérito das apurações, cabendo às autoridades responsáveis dar continuidade às diligências previstas no processo.
O caso segue repercutindo no cenário político nacional, mobilizando manifestações de apoio e posicionamentos de diferentes lideranças partidárias. Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal prosseguem para esclarecer os fatos e reunir elementos que possam subsidiar os desdobramentos do inquérito.
Política
Governo Lula anuncia Lei de Reciprocidade após tarifas dos EUA
Palácio do Planalto classificou a medida norte-americana como um marco negativo nas relações bilaterais e informou que responderá com base na legislação brasileira.

O governo federal anunciou que aplicará a Lei de Reciprocidade em resposta à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O posicionamento foi divulgado nesta quinta-feira (16), por meio de uma nota oficial do Palácio do Planalto.
No comunicado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o dia 15 de julho passará para a história das relações entre Brasil e Estados Unidos como um “marco lastimável”, em referência ao anúncio da nova política tarifária adotada pelo governo norte-americano.
A decisão de recorrer à Lei de Reciprocidade sinaliza uma reação oficial do Brasil às novas barreiras comerciais, permitindo ao país adotar medidas equivalentes diante de ações consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. O objetivo, segundo o governo, é proteger a economia brasileira e preservar a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.
A imposição da tarifa de 25% amplia as tensões comerciais entre os dois países e gera preocupação entre setores da indústria e do agronegócio, que acompanham os possíveis impactos sobre as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Com a resposta anunciada pelo Palácio do Planalto, o cenário passa a ser acompanhado de perto por representantes do setor produtivo e do comércio exterior, enquanto o governo brasileiro avalia os próximos passos nas relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos.
Política
MP investiga contratos da Prefeitura de Salvador com empresas sob suspeita
Inquérito Civil apura contratação de empresas citadas em investigação sobre suposto esquema de corrupção durante a gestão municipal.

A Prefeitura de Salvador passou a ser alvo de um Inquérito Civil instaurado para apurar a contratação de empresas citadas em investigações relacionadas a um suposto esquema de corrupção. A medida foi formalizada por meio de uma portaria divulgada nesta quinta-feira (16).
O procedimento foi instaurado pelo promotor de Justiça Luciano Taques Ghignone, da 7ª Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público da Capital, com o objetivo de verificar a regularidade dos contratos firmados pela administração municipal.
Segundo a portaria, o inquérito busca reunir informações e documentos que possam esclarecer as circunstâncias das contratações, além de avaliar se houve eventual descumprimento de normas da administração pública. A investigação faz parte das atribuições do Ministério Público na fiscalização da aplicação dos recursos públicos e da legalidade dos atos administrativos.
A abertura do procedimento não representa conclusão sobre a existência de irregularidades, mas marca o início de uma fase de coleta de elementos que poderão subsidiar o andamento das apurações. Durante essa etapa, poderão ser solicitados documentos, informações e esclarecimentos aos órgãos e pessoas envolvidas.
O Inquérito Civil tem como finalidade verificar os fatos e identificar eventual responsabilidade administrativa ou civil, caso sejam constatadas irregularidades. As investigações seguem sob responsabilidade do Ministério Público, que poderá adotar as medidas cabíveis conforme o avanço das diligências.
O caso amplia o acompanhamento sobre contratos públicos firmados pela administração municipal e reforça o papel dos órgãos de controle na fiscalização da gestão dos recursos públicos e da moralidade administrativa.
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