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Política

Oposição argentina cobra Milei sobre passagem de Flávio Bolsonaro

Parlamentares pedem esclarecimentos sobre fiscalização migratória e voo privado que levou o senador brasileiro de Puerto Iguazú ao Equador, em meio a questionamentos sobre determinações judiciais envolvendo passaportes.

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Setores da oposição no Congresso da Argentina protocolaram um pedido formal de informações ao governo de Javier Milei para esclarecer as circunstâncias da passagem de Flávio Bolsonaro pelo território argentino durante uma viagem com destino aos Estados Unidos. Os parlamentares querem explicações sobre os procedimentos de fiscalização migratória e a autorização para a decolagem de uma aeronave privada.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Esteban Paulón e recebeu apoio de integrantes de diferentes bancadas oposicionistas, incluindo a União pela Pátria, de orientação peronista, e grupos de esquerda. A iniciativa busca esclarecer a movimentação do senador brasileiro e verificar se os protocolos adotados pelas autoridades argentinas foram cumpridos.

O caso ganhou repercussão após relatos de que Flávio Bolsonaro teria utilizado a região de Puerto Iguazú, na província de Misiones, como ponto de conexão para embarcar em um táxi aéreo com destino aos Estados Unidos. A viagem passou a ser questionada em razão de informações sobre determinações judiciais brasileiras relacionadas à entrega de passaportes.

Registros migratórios detalham entrada na Argentina

Segundo informações atribuídas à Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Nantes Bolsonaro, sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas ingressaram no país às 22h50 de 27 de outubro, pelo posto de controle da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú.

A autoridade migratória informou que os integrantes do grupo apresentaram documentos de viagem válidos e que, no momento da consulta aos sistemas de fronteira, não havia alertas restritivos ou impedimentos judiciais registrados localmente contra eles.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, a família embarcou em uma aeronave executiva da empresa Baires Fly S.A., que decolou do aeroporto de Puerto Iguazú com destino inicial declarado a Guayaquil, no Equador.

Os registros passaram a integrar os questionamentos de parlamentares argentinos, que buscam esclarecer os procedimentos administrativos relacionados à entrada, à permanência e à saída do grupo do território nacional.

Deputada apresenta denúncia à Justiça argentina

A deputada nacional Marcela Pagano também levou o caso à Justiça Federal de Puerto Iguazú por meio de uma denúncia penal. A parlamentar pediu providências para preservar elementos que possam ajudar a esclarecer a operação, incluindo imagens das câmeras de segurança da aduana e do aeroporto, o plano de voo e os contratos relacionados à aeronave utilizada.

A iniciativa busca apurar se houve alguma irregularidade ou eventual favorecimento por parte de agentes públicos durante os procedimentos de fiscalização e autorização da viagem.

Entre os pontos levantados pela oposição está a necessidade de verificar se os protocolos internacionais de controle de fronteiras foram respeitados. Os parlamentares também defendem que eventuais relações políticas ou ideológicas entre os governos não interfiram na aplicação das normas administrativas e legais.

Até que as autoridades concluam as apurações, os questionamentos apresentados não representam, por si só, comprovação de irregularidade por parte do governo argentino ou dos agentes envolvidos.

Caso provoca repercussão diplomática

O episódio também ganhou dimensão internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a entrada de Flávio Bolsonaro em território norte-americano. A manifestação ampliou a repercussão política do deslocamento e as cobranças por esclarecimentos sobre o percurso realizado pelo senador brasileiro.

A passagem pela Argentina, a conexão no Equador e o embarque em uma aeronave privada estão no centro das perguntas encaminhadas ao governo Milei.

O principal objetivo da oposição argentina é esclarecer se houve falhas nos procedimentos de fiscalização ou eventual participação irregular de agentes públicos. A apuração deverá considerar os registros oficiais de fronteira, os documentos da aeronave e as demais evidências que venham a ser reunidas pelas autoridades competentes.

Redação Saiba+

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