Política
Bolsonaro nega golpe, mas admite ter discutido com militares “possibilidades dentro da Constituição”
Em depoimento ao STF, ex-presidente reconhece que participou de reuniões com chefes das Forças Armadas para avaliar alternativas pós-eleição, mas afirma que “abandonou qualquer ação constitucional”

Em um dos depoimentos mais aguardados da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que nunca articulou um golpe, mas reconheceu que discutiu com comandantes militares “possibilidades outras dentro da Constituição” após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A declaração foi dada nesta terça-feira (10), durante audiência na qual Bolsonaro prestou depoimento por duas horas e sete minutos diante do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e de integrantes da Primeira Turma do STF, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Estudamos possibilidades outras dentro da Constituição, jamais saindo das quatro linhas”, declarou Bolsonaro ao ser questionado sobre reuniões com os então comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Segundo ele, “em poucas reuniões, abandonamos qualquer possibilidade de uma ação constitucional”.
Apesar de negar qualquer plano golpista, Bolsonaro admitiu ter visto, de forma rápida, um documento projetado em tela, contendo os “considerandos” de uma proposta que mencionava até estado de sítio, mas garantiu que “nada foi adiante”.
A oitiva foi marcada por momentos inusitados, como o instante em que Bolsonaro, em tom irônico, convidou Alexandre de Moraes para ser seu vice em 2026 — eleição para a qual está inelegível por decisão do TSE. Moraes respondeu: “Eu declino”.
Documento golpista e contradições
O depoimento também foi marcado pela tentativa de Bolsonaro de se desvincular da minuta de decreto golpista apreendida no celular do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. O ex-presidente alegou que o documento “não tinha cabeçalho nem fecho” e negou ter feito alterações no texto.
Já Mauro Cid, em depoimento anterior, declarou que Bolsonaro “enxugou o decreto”, retirando trechos polêmicos e mantendo apenas a prisão de Alexandre de Moraes. Bolsonaro refutou: “Não procede o enxugamento”.
Outro trecho revelador foi quando Bolsonaro afirmou que as reuniões com os militares ocorreram após o TSE multar o PL em R$ 22 milhões, em resposta a uma petição que questionava a segurança das urnas eletrônicas.
“Quando peticionamos sobre possíveis vulnerabilidades, no dia seguinte não foi acolhido e nos surpreendeu uma multa de R$ 22 milhões. Decidimos então encerrar qualquer discussão sobre o resultado das eleições”, explicou.
Envolvimento dos comandantes militares
No depoimento, Bolsonaro citou os ex-comandantes Freire Gomes (Exército), Garnier Santos (Marinha), Baptista Júnior (Aeronáutica) e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira como participantes das reuniões. Segundo ele, “muita coisa que eles falaram eu absorvi, mas rapidamente se chegou à conclusão de que não havia mais o que fazer”.
Paulo Sérgio confirmou ao STF que esteve presente no encontro em que a minuta do golpe foi apresentada, e que ficou preocupado com a possibilidade de Bolsonaro decretar uma medida de exceção.
Processo avança para fase final
A audiência desta terça marcou o depoimento mais longo dos seis réus ouvidos em dois dias. O ministro Moraes, ao final da sessão, suspendeu a proibição de contato entre os investigados e deu cinco dias para que as defesas apresentem pedidos de diligência — última etapa antes das alegações finais.
O ex-presidente encerrou o depoimento dizendo que sempre atuou dentro das “quatro linhas da Constituição” e que suas críticas às urnas eletrônicas fazem parte de sua retórica desde 2012.
Política
Camaçari entra no radar da eleição presidencial
Cientista político aponta município baiano como uma das regiões estratégicas para compreender os rumos da disputa pelo Palácio do Planalto em 2026.

A cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, ganhou destaque no debate político nacional após ser apontada como um dos territórios mais relevantes para a definição das eleições presidenciais de 2026. A avaliação foi feita pelo cientista político Felipe Nunes, fundador do instituto de pesquisas Quaest, durante uma palestra realizada no final de maio que voltou a repercutir intensamente nas redes sociais nos últimos dias.
Segundo o especialista, a análise eleitoral deve ir além dos grandes centros urbanos e observar regiões que historicamente refletem mudanças de comportamento do eleitorado. Nesse contexto, Camaçari aparece ao lado de áreas consideradas estratégicas, como a cidade de São Paulo, a Região Metropolitana de Belo Horizonte e a Baixada Fluminense.
A inclusão do município baiano nesse grupo reforça a importância crescente do eleitorado da Região Metropolitana de Salvador no cenário político nacional. Com forte influência econômica, industrial e populacional, Camaçari vem consolidando seu peso nas disputas eleitorais dos últimos anos.
Durante a apresentação, Felipe Nunes destacou que determinadas regiões funcionam como termômetros das transformações políticas do país. Nesses locais, mudanças de opinião e tendências eleitorais costumam antecipar movimentos que posteriormente se refletem em escala nacional.
O crescimento populacional, a diversidade socioeconômica e a presença de diferentes perfis de eleitores fazem de Camaçari uma cidade observada com atenção por pesquisadores, partidos políticos e estrategistas eleitorais. O município concentra demandas urbanas, industriais e sociais que frequentemente espelham desafios encontrados em outras regiões brasileiras.
Especialistas apontam que cidades com essas características costumam desempenhar papel decisivo na formação de tendências eleitorais e na definição de estratégias de campanha. Por esse motivo, a movimentação política nesses territórios tende a receber atenção especial durante o período pré-eleitoral.
A repercussão da palestra também reacendeu discussões sobre a influência do Nordeste nas eleições presidenciais. A região possui um dos maiores contingentes eleitorais do país e frequentemente ocupa posição central nas análises sobre comportamento político e intenção de voto.
Além da relevância regional, Camaçari se destaca por sua importância econômica. O município abriga um dos principais polos industriais do Brasil e possui uma dinâmica social que reúne trabalhadores de diferentes setores produtivos, ampliando a diversidade do eleitorado local.
A avaliação de Felipe Nunes reforça a percepção de que a corrida presidencial de 2026 será marcada pela disputa por regiões estratégicas capazes de influenciar o resultado nacional. Nesse cenário, cidades como Camaçari podem assumir protagonismo ainda maior nos próximos meses.
Com o avanço das articulações políticas e a aproximação do calendário eleitoral, o município tende a permanecer no centro das análises sobre o comportamento do eleitor brasileiro e os caminhos da próxima eleição presidencial.
Política
Baiana é indicada para grupo de estudos do STF
Procuradora federal da AGU passa a integrar colegiado criado para discutir a modernização do sistema de Justiça brasileiro.

A jurista baiana Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha foi indicada para integrar o recém-criado Grupo de Estudos sobre Modernização do Sistema de Justiça, iniciativa vinculada ao Centro de Estudos Constitucionais do Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha foi feita pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e representa um reconhecimento à trajetória da procuradora federal da Advocacia-Geral da União (AGU).
O colegiado foi instituído com o objetivo de promover debates, análises e propostas voltadas ao aprimoramento das estruturas e dos mecanismos que compõem o sistema de Justiça brasileiro. A composição reúne 19 integrantes, entre ministros de tribunais superiores, magistrados, professores universitários e especialistas renomados da área jurídica.
A presença de Manuellita no grupo destaca a participação da Bahia em discussões estratégicas sobre o futuro da Justiça no país e reforça o protagonismo de profissionais nordestinos em espaços de relevância nacional.
Ao comentar a indicação, a procuradora destacou a importância do convite e a responsabilidade de contribuir para um debate que poderá influenciar o aperfeiçoamento institucional do Poder Judiciário e de outros órgãos ligados ao sistema de Justiça.
A criação do grupo ocorre em um momento de intensas transformações no ambiente jurídico, impulsionadas pelo avanço tecnológico, pela digitalização dos processos e pela necessidade de ampliar a eficiência e a acessibilidade dos serviços prestados à população.
O colegiado terá a missão de discutir soluções inovadoras, identificar desafios estruturais e propor caminhos para tornar a Justiça mais moderna, eficiente e alinhada às demandas da sociedade contemporânea.
Especialistas avaliam que iniciativas desse tipo são fundamentais para estimular a reflexão sobre temas como inovação, inteligência artificial, gestão processual, acesso à Justiça e fortalecimento das instituições democráticas.
A trajetória de Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha no campo jurídico tem sido marcada pela atuação em temas relevantes para a administração pública e para o desenvolvimento do Direito no Brasil. Sua participação no grupo amplia a representatividade de diferentes regiões do país dentro das discussões promovidas pelo STF.
Além da troca de experiências entre profissionais de diversas áreas, o Grupo de Estudos sobre Modernização do Sistema de Justiça deverá servir como espaço para elaboração de propostas que possam contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e dos mecanismos institucionais relacionados ao setor.
A indicação da procuradora baiana reforça a valorização da diversidade de experiências e conhecimentos na construção de soluções para os desafios do sistema jurídico brasileiro.
Com a instalação do colegiado, a expectativa é que os trabalhos produzam reflexões e recomendações capazes de fortalecer a modernização da Justiça e ampliar a eficiência dos serviços oferecidos aos cidadãos em todo o país.
Política
Nikolas associa bandeira do Marrocos ao PT antes de jogo
Deputado federal faz publicação nas redes sociais antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo e gera repercussão entre apoiadores e críticos.

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 também foi marcada por manifestações políticas fora das quatro linhas. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou atenção nas redes sociais ao fazer uma comparação entre a bandeira de Marrocos, adversário do Brasil na primeira rodada do Mundial, e o símbolo do Partido dos Trabalhadores (PT).
A publicação foi feita pouco antes da partida disputada neste sábado (13). Em vídeo compartilhado em seu perfil no Instagram, o parlamentar comentou a coincidência visual envolvendo as cores da bandeira marroquina e a presença de uma estrela em seu centro, elemento que também faz parte da identidade visual da legenda petista.
Durante a publicação, Nikolas Ferreira brincou com a situação ao mencionar que o confronto acontecia no dia 13 e diante de uma equipe que utiliza a cor vermelha e uma estrela como símbolo. A declaração rapidamente repercutiu entre seguidores, apoiadores e adversários políticos, ampliando o alcance da postagem nas plataformas digitais.
O comentário ocorreu em meio ao clima de expectativa pela estreia brasileira no Mundial, competição que tradicionalmente mobiliza milhões de torcedores e costuma gerar grande engajamento nas redes sociais. Nos últimos anos, figuras públicas e políticos passaram a utilizar eventos esportivos de grande alcance para ampliar a interação com seus públicos.
A bandeira de Marrocos é composta por um fundo vermelho com uma estrela verde de cinco pontas no centro, símbolo historicamente ligado à identidade nacional do país africano. A semelhança visual mencionada pelo deputado foi utilizada como ponto de partida para a manifestação publicada antes do jogo.
A postagem gerou diferentes reações na internet, com usuários interpretando o comentário como uma provocação política em meio ao ambiente esportivo da Copa do Mundo. Como costuma ocorrer em situações semelhantes, as opiniões ficaram divididas entre manifestações de apoio, humor e críticas.
Especialistas em comunicação digital apontam que grandes eventos esportivos frequentemente se transformam em espaços para debates políticos e culturais, especialmente nas redes sociais. A ampla audiência desses acontecimentos amplia o alcance de mensagens publicadas por lideranças e personalidades públicas.
Enquanto a repercussão seguia nas plataformas digitais, a atenção dos torcedores permanecia voltada para o desempenho da Seleção Brasileira em campo. A Copa do Mundo continua sendo um dos eventos de maior mobilização popular do planeta, reunindo esporte, emoção e discussões que muitas vezes ultrapassam os limites do futebol.
A manifestação de Nikolas Ferreira reforça como política e redes sociais seguem cada vez mais conectadas aos grandes acontecimentos esportivos, ampliando debates e gerando repercussões instantâneas entre milhões de usuários.
Com a continuidade do Mundial, novas interações entre esporte, comunicação digital e política devem seguir movimentando as plataformas e alimentando discussões entre torcedores e internautas.
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