Política
Bolsonaro diz guardar dólares em casa e Eduardo pede reação dos EUA a Moraes em programa de Bannon
Apreensão de dinheiro em espécie pela PF levanta questionamentos sobre declarações de bens de Bolsonaro, enquanto Eduardo denuncia “censura brasileira” em rede internacional

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou que guarda dólares em casa, após a Polícia Federal apreender US$ 14 mil e R$ 8 mil em sua residência na manhã desta sexta-feira (18). Segundo ele, todos os valores têm recibos do Banco do Brasil.
“Sempre guardei dólar em casa, pô”, disse Bolsonaro. “Todo dólar pego lá tem recibo do Banco do Brasil.”
No entanto, nenhuma de suas declarações de bens eleitorais, registradas nos últimos 20 anos, incluía dinheiro vivo, conforme consta no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele sempre declarou imóveis, veículos e aplicações financeiras em renda fixa e poupança.
As buscas fazem parte de um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que investiga tentativas de obstrução de Justiça, coação no curso do processo e financiamento de atos contra a soberania nacional.
Entre as medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, está o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, a proibição de uso de redes sociais e o impedimento de contato com diplomatas e com seu filho Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro critica Moraes e pede reação internacional
Logo após a operação da PF, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi ao programa WarRoom, apresentado por Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, e denunciou o que chamou de “modelo de censura brasileira”.
“Moraes está se afirmando como ditador. Peço que os EUA, país da liberdade e lar dos corajosos, mandem uma resposta ao Brasil para evitar que essa censura se espalhe pelo Ocidente”, declarou Eduardo, em inglês.

Segundo ele, as decisões de Moraes são uma “humilhação” e fazem parte de uma suposta tentativa de minar Bolsonaro politicamente, já que, segundo Eduardo, o ex-presidente “lidera as intenções de voto” e “venceria Lula no primeiro turno”.
Contudo, a última pesquisa Datafolha mostra Lula liderando no 1º turno para 2026, com Bolsonaro como o principal adversário, embora atualmente inelegível.
Apoio de Trump e tensões diplomáticas
A pressão sobre o STF também vem do exterior. O ex-presidente Donald Trump, que voltou a criticar publicamente a Justiça brasileira, publicou uma nova carta em apoio a Bolsonaro, afirmando que ele está sendo vítima de perseguição.
“Vi o tratamento terrível que você está recebendo nas mãos de um sistema injusto”, disse Trump em carta com timbre da Casa Branca publicada na rede Truth Social.
Trump defendeu que o processo contra Bolsonaro seja encerrado “imediatamente” e, nos bastidores, seu grupo político teria cogitado sanções contra Moraes e outros magistrados brasileiros.
De acordo com fontes do STF, há suspeitas de que Bolsonaro planejava fugir do país, tendo inclusive solicitado asilo político informal aos EUA. Em junho, Bolsonaro confirmou que enviou R$ 2 milhões via Pix para Eduardo Bolsonaro, alegando tratar-se de “dinheiro limpo” e pessoal.
Defesa se diz surpresa
O advogado Celso Vilardi, que representa Bolsonaro, disse que a defesa está “surpresa” com as decisões e que se manifestará oficialmente após ter acesso integral ao conteúdo da medida cautelar.
Enquanto isso, o ex-presidente segue monitorado 24 horas por dia pelo Centro Integrado de Monitoração Eletrônica do Distrito Federal, subordinado à Secretaria de Administração Penitenciária.
Política
PF determina que Eduardo Bolsonaro volte ao cargo de escrivão após ter mandato cassado na Câmara
Decisão ocorre após cassação do mandato parlamentar e publicação de ato no Diário Oficial da União

A Polícia Federal (PF) determinou que Eduardo Bolsonaro retorne ao cargo de escrivão, função que ocupava antes de sua eleição para a Câmara dos Deputados. A decisão foi oficializada nesta sexta‑feira (2), por meio de publicação no Diário Oficial da União, assinada pelo diretor de gestão de pessoas substituto, Licínio Nunes de Moraes Netto.
Segundo o ato administrativo, a PF declarou o fim do afastamento do ex‑parlamentar, uma vez que seu mandato de deputado federal foi cassado em 18 de dezembro. Com a perda do mandato, a licença concedida para o exercício da atividade política deixa de ter validade, obrigando o retorno imediato às funções na corporação.
A medida encerra o período em que Eduardo Bolsonaro esteve afastado do quadro funcional da PF e marca sua reintegração ao serviço público federal. A corporação ainda não detalhou em qual unidade o escrivão deverá atuar, mas o procedimento segue o trâmite padrão aplicado a servidores que retornam após afastamentos prolongados.
O caso segue repercutindo no cenário político e jurídico, especialmente por envolver um nome de grande projeção nacional e por ocorrer em meio a debates sobre responsabilidades e consequências administrativas após a cassação de mandatos eletivos.
Política
Moraes rebate a Câmara e cassação de Zambelli reacende alerta para Eduardo Bolsonaro
Decisão do ministro do STF fortalece entendimento sobre limites de imunidade parlamentar e coloca novo deputado no foco das investigações

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu sequência a uma posição firme sobre a aplicação do direito penal e da Constituição no trato com parlamentares após a cassação do mandato de Carla Zambelli pela Câmara dos Deputados. A decisão de Moraes de não reconhecer a anulação do processo pela Casa reforça um entendimento judicial que pode ter impacto direto em outros casos, com Eduardo Bolsonaro sendo apontado como o possível próximo alvo de decisões semelhantes.
Moraes sustenta que determinados atos praticados por parlamentares extrapolam as prerrogativas de imunidade e liberdade política, especialmente quando há indícios de discurso de ódio, incitação à violência ou afronta ao Estado Democrático de Direito. Ao manter a cassação de Zambelli, o ministro enviou um recado institucional claro sobre os limites constitucionais que regem o exercício do mandato parlamentar.
O cenário jurídico agora mira outros casos em que parlamentares podem ter incorrido em condutas consideradas incompatíveis com o decoro e com os princípios republicanos. No centro das atenções está Eduardo Bolsonaro, que já foi citado em inquéritos e procedimentos que investigam a atuação de líderes políticos em contextos de crise institucional. A leitura de especialistas é de que, com a sinalização firme do STF, eventuais processos contra ele ou outros deputados podem ganhar novo impulso.
A tensão entre o Legislativo e o Judiciário tem se intensificado, e a decisão de Moraes de manter a cassação de Zambelli mesmo diante da tentativa de anulação pela Câmara reacende debates sobre separação de poderes, responsabilidade parlamentar e limites à imunidade legislativa. Para o ministro, a preservação da Constituição deve prevalecer sobre tentativas de proteção temporária de mandatos que afrontem dispositivos legais claros.
A possibilidade de que Eduardo Bolsonaro venha a ser o próximo foco de decisões nessa linha reforça a amplitude do impacto institucional. A expectativa em Brasília é de que o entendimento do STF se consolide, criando jurisprudência que endurece a interpretação sobre condutas de parlamentares que atentem contra a ordem constitucional.
No plano político, a repercussão deve seguir intensa, tanto entre aliados quanto na oposição, com consequências potenciais para a dinâmica interna da Câmara e para as estratégias eleitorais futuras. O embate entre Poder Legislativo e Poder Judiciário promete ganhar novos capítulos, com o STF assumindo papel central na definição dos limites da atuação parlamentar em casos de litígios graves.
Política
Lula anuncia veto ao PL da dosimetria do tempo de serviço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que vetará o Projeto de Lei que estabelece nova regra de dosimetria do tempo de serviço para concessão de benefícios previdenciários. A decisão executiva ocorre após análise das implicações fiscais e das consequências para a estabilidade atuarial do sistema previdenciário do país.
Segundo o Executivo, a proposta em tramitação no Congresso Nacional apresentava riscos de impacto financeiro substancial e insegurança jurídica, o que motivou a decisão de suspender sua promulgação. A dosimetria é um mecanismo utilizado para calcular o tempo de contribuição e benefícios, e tinha forte apelo junto a setores que defendiam maior flexibilidade nos critérios de cálculo.
O veto presidencial representa um ponto de inflexão significativo na política previdenciária, numa clara tentativa do governo federal de preservar a sustentabilidade fiscal e evitar novos desequilíbrios nas contas públicas. Autoridades do Palácio do Planalto ressaltam que a medida atende a estudos atuariais que apontaram efeitos adversos sobre as receitas e despesas do sistema de seguridade.
A reação no meio político tem sido imediata. Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que a nova dosimetria poderia beneficiar milhões de trabalhadores que buscam condições mais justas de acesso a benefícios. Por outro lado, críticos ao PL enfatizam a necessidade de cautela em reformas que impactam diretamente o orçamento e a confiança dos mercados.
A decisão de veto deve ser comunicada formalmente ao Congresso nas próximas semanas, abrindo espaço para debates sobre possíveis ajustes legislativos ou apresentação de novas propostas que conciliem equilíbrio fiscal, justiça social e segurança jurídica no regime de previdência.
Em meio a esse cenário, espera-se que o tema continue no centro das discussões econômicas e políticas, especialmente diante da relevância do sistema previdenciário para a economia brasileira e para a vida de aposentados e contribuintes.
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