Saúde
Brasil avança para certificação pela eliminação da transmissão da hepatite B
País atingiu por dois anos consecutivos a meta internacional de reduzir a transmissão da hepatite B de mãe para filho e aguarda avaliação da OPAS e da OMS.

O Brasil deu mais um passo importante na área da saúde pública ao solicitar oficialmente a certificação internacional que reconhece a eliminação da transmissão vertical da hepatite B, aquela que ocorre de mãe para filho durante a gestação, parto ou período neonatal. O pedido foi apresentado nesta terça-feira e representa um marco no fortalecimento das políticas de prevenção da doença.
O avanço foi possível porque o país atingiu, por dois anos consecutivos, a meta estabelecida pelos organismos internacionais, registrando menos de 0,1% de infecção ativa pelo vírus da hepatite B em crianças de até cinco anos de idade. O índice atende aos critérios definidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o reconhecimento oficial.
A conquista é resultado da ampliação das estratégias de vigilância epidemiológica, do fortalecimento do pré-natal, da realização de testes durante a gravidez e da oferta de vacinação e imunização dos recém-nascidos, medidas consideradas essenciais para interromper a transmissão do vírus entre gerações.
Com a solicitação protocolada, o processo seguirá agora para uma avaliação técnica da OPAS, passando posteriormente pela análise de um comitê externo de especialistas. Na etapa final, a documentação será examinada pelo Comitê Global de Validação da OMS, responsável por conceder a certificação aos países que comprovam o cumprimento dos requisitos internacionais.
Caso a certificação seja confirmada, o Brasil consolidará um importante reconhecimento mundial na área da saúde pública, reforçando o compromisso com a prevenção das hepatites virais e com a proteção da saúde materno-infantil. O resultado também evidencia a eficácia das políticas públicas voltadas à imunização, ao acompanhamento pré-natal e ao controle de doenças transmissíveis.
Saúde
Brasil consolida fim dos testes em animais na indústria de cosméticos
Um ano após a sanção da Lei 15.183/2025, setor da beleza amplia o uso de métodos alternativos e fortalece práticas sustentáveis e inovadoras no país.

A indústria brasileira da beleza completa um ano de adaptação às novas regras que proíbem testes em animais na fabricação de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. A mudança, estabelecida pela Lei 15.183/2025, representa um dos maiores avanços da legislação nacional em favor do bem-estar animal e da inovação científica, impulsionando a adoção de tecnologias modernas para garantir a segurança dos produtos.
A legislação marcou uma transformação significativa no mercado, reunindo empresas do setor, pesquisadores, órgãos reguladores e entidades de proteção animal em torno de um objetivo comum: substituir definitivamente os testes em animais por métodos científicos reconhecidos internacionalmente.
Entre as iniciativas que contribuíram para essa transição está a atuação do Grupo L’Oréal, por meio de sua subsidiária EPISKIN, que disponibilizou tecidos humanos reconstruídos validados para testes laboratoriais e promoveu a capacitação de profissionais responsáveis pela aplicação das novas metodologias. Esses recursos permitiram acelerar a adaptação da indústria às exigências da nova legislação.
Segundo especialistas da EPISKIN Brasil, a adoção de métodos alternativos superou as expectativas e passou a influenciar diversos segmentos além da indústria de cosméticos. Áreas como materiais escolares, brinquedos, agroquímicos, dispositivos médicos e o setor farmacêutico também passaram a investir em tecnologias de avaliação de segurança baseadas em testes in vitro.
Para Vanja Dakic, gerente da EPISKIN Brasil, o avanço demonstra que a inovação científica pode caminhar lado a lado com a proteção animal e a sustentabilidade. A especialista destaca que os métodos in vitro vêm se consolidando como o novo padrão de segurança industrial no Brasil, reforçando a competitividade das empresas e ampliando a confiança dos consumidores em produtos desenvolvidos com responsabilidade ambiental.
Além de incentivar a inovação tecnológica, a nova legislação fortalece a imagem do Brasil no cenário internacional, alinhando o país às tendências globais de produção sustentável e de respeito ao bem-estar animal, fatores cada vez mais valorizados pelo mercado e pelos consumidores.
Saúde
Anvisa autoriza nova empresa a produzir mosquitos contra a dengue no Brasil
Liberação amplia a produção de Aedes aegypti com bactéria Wolbachia, tecnologia que reduz a transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova empresa a produzir mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia, tecnologia utilizada para reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya. A medida amplia a capacidade de produção e distribuição do método em cidades brasileiras.
A autorização foi concedida à Flyttr, empresa anteriormente conhecida como Oxitec, que passa a integrar o grupo de fabricantes habilitados a produzir os mosquitos com a bactéria. O diferencial da nova autorização é a utilização de uma linhagem inédita da Wolbachia, desenvolvida para apresentar maior resistência às altas temperaturas, característica considerada importante para diferentes regiões do Brasil.
Até então, a produção nacional estava concentrada na Wolbito do Brasil, parceria entre o World Mosquito Program (WMP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela implementação da tecnologia em diversos municípios desde 2012, em ações coordenadas pelo Ministério da Saúde.
A estratégia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam naturalmente a bactéria Wolbachia, incapaz de causar doenças em seres humanos. Quando presente no mosquito, a bactéria dificulta a multiplicação dos vírus da dengue, Zika e chikungunya dentro do inseto, reduzindo significativamente sua capacidade de transmissão.
Ao longo dos últimos anos, o método foi implantado em dezenas de cidades brasileiras, alcançando uma população estimada em cerca de 6 milhões de pessoas. Estudos realizados em áreas onde a tecnologia foi aplicada apontam redução de até 89% nos casos de dengue, reforçando a eficácia da estratégia como complemento às ações tradicionais de controle do mosquito.
A ampliação da produção representa um importante avanço para as políticas públicas de combate às arboviroses. Com mais empresas autorizadas a fabricar os mosquitos, a expectativa é ampliar a cobertura do programa e beneficiar um número ainda maior de municípios, especialmente aqueles que enfrentam altas taxas de transmissão das doenças.
Especialistas destacam que a tecnologia não substitui medidas como eliminação de criadouros, vacinação quando disponível e ações de vigilância epidemiológica, mas fortalece o conjunto de estratégias voltadas à redução da circulação dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti.
Saúde
Anvisa amplia tratamento de lúpus e esclerose múltipla para crianças e adolescentes
Nova resolução autoriza a ampliação da indicação de medicamentos para pacientes pediátricos, fortalecendo o acesso a terapias para doenças autoimunes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução no Diário Oficial da União que amplia as opções de tratamento para crianças e adolescentes diagnosticados com lúpus e esclerose múltipla. A medida representa um importante avanço para o atendimento de pacientes pediátricos que convivem com doenças autoimunes e necessitam de terapias mais específicas.
A resolução foi assinada pelo gerente-geral substituto de Produtos Biológicos, Radiofármacos, Sangue, Tecidos, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas da Anvisa, Anderson Vezali Montai, e passa a valer após sua publicação oficial.
Entre as principais mudanças está a ampliação da indicação do Benlysta (belimumabe), medicamento da GSK Brasil, para crianças a partir de 5 anos diagnosticadas com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo. O tratamento passa a ser recomendado como terapia complementar para pacientes que apresentam alto grau de atividade da doença, mesmo estando em tratamento convencional.
O medicamento deverá ser utilizado em conjunto com a terapia padrão, que pode incluir corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides e outros imunossupressores, conforme avaliação médica. A ampliação da indicação busca oferecer melhores perspectivas de controle da doença e reduzir a progressão dos sintomas em pacientes pediátricos.
Além do lúpus, a resolução também contempla a ampliação de alternativas terapêuticas para adolescentes com esclerose múltipla, reforçando o compromisso da Anvisa em ampliar o acesso a tratamentos modernos e respaldados por evidências científicas.
Especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para preservar a qualidade de vida de crianças e adolescentes com doenças autoimunes. A ampliação das indicações terapêuticas permite que médicos tenham mais opções para individualizar o tratamento, contribuindo para melhores resultados clínicos e maior segurança aos pacientes.
A nova medida fortalece a política de acesso a medicamentos inovadores no Brasil e representa um avanço na assistência especializada para pacientes jovens que enfrentam doenças crônicas de alta complexidade.
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