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IBGE retira menção a drogas na revisão do PIB

Nova nota metodológica não confirma se a comercialização de drogas ilícitas será incluída no cálculo do Produto Interno Bruto brasileiro; tema ganhou repercussão nas redes sociais.

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) retirou de uma versão atualizada de sua nota metodológica a menção à possível inclusão de estimativas sobre a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O órgão, no entanto, não confirmou se esses valores serão incorporados à nova série das Contas Nacionais.

O PIB é um dos principais indicadores utilizados para medir o desempenho da atividade econômica de um país. A revisão conduzida pelo IBGE tem como objetivo modernizar a metodologia de cálculo e aperfeiçoar as estatísticas, considerando as transformações ocorridas na economia brasileira ao longo dos anos.

Na primeira nota metodológica sobre a atualização do Sistema de Contas Nacionais, publicada em outubro de 2025, o instituto mencionou a estimativa da comercialização de drogas entre as possíveis mudanças da nova base de referência. Já a segunda versão do documento, divulgada em 11 de setembro de 2026, apresentou um texto mais enxuto e deixou de citar diretamente o assunto.

A alteração gerou questionamentos sobre os critérios que serão adotados pelo instituto. Até o momento, porém, o IBGE não confirmou se a comercialização de drogas ilícitas fará parte do cálculo do PIB brasileiro.

Inclusão de atividades ilegais segue recomendações internacionais

Apesar da polêmica, especialistas consideram pertinente estimar a movimentação financeira de diferentes atividades econômicas, inclusive aquelas que ocorrem na informalidade ou à margem da legislação. A intenção é ampliar a capacidade de mensuração da economia e tornar os indicadores estatísticos mais abrangentes.

Em esclarecimento divulgado em setembro de 2026, o IBGE explicou que os manuais internacionais de Contas Nacionais orientam os países a contabilizar as atividades econômicas, mesmo quando informais ou ilegais, para estimar a geração de renda e os demais componentes da economia.

Essa orientação está presente no Sistema de Contas Nacionais (SNA), da Organização das Nações Unidas (ONU), e nas recomendações do Eurostat, órgão responsável pelas estatísticas da União Europeia.

Na Europa, a inclusão de estimativas relacionadas às drogas ilícitas já faz parte das regras estatísticas. O Sistema Europeu de Contas (ESA 2010) tornou esse procedimento obrigatório para os países do bloco. O Reino Unido, por exemplo, passou a incluir essas estimativas em suas Contas Nacionais em 2014, enquanto países como França, Alemanha, Suécia e Hungria também adotam a metodologia.

Tema ganha repercussão política

Embora seja considerado secundário por especialistas na discussão sobre a revisão do PIB, o assunto ganhou destaque nas redes sociais a partir de setembro de 2026. Perfis contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a utilizar a possibilidade de inclusão das drogas no indicador como argumento de crítica ao governo durante o período eleitoral.

A discussão, contudo, envolve principalmente critérios técnicos de contabilidade econômica e não significa, por si só, uma mudança na política de combate ao tráfico de drogas.

A contabilização estatística de uma atividade ilegal não representa autorização ou reconhecimento de sua legalidade. O objetivo é estimar a dimensão da atividade econômica efetivamente realizada, permitindo que os indicadores nacionais retratem de forma mais abrangente a movimentação de recursos no país.

Com a retirada da referência às drogas na nova nota metodológica, permanece a dúvida sobre a adoção desse procedimento pelo Brasil. A definição dependerá dos critérios técnicos estabelecidos pelo IBGE para a atualização das Contas Nacionais.

Redação Saiba+

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