Polícia
Doméstica denuncia patrão por assédio sexual em Salvador
Trabalhadora de 63 anos relatou mensagens com propostas sexuais, vídeos explícitos e uso não autorizado de uma peça íntima; fiscalização também identificou irregularidades trabalhistas.

Uma trabalhadora doméstica de 63 anos denunciou o próprio empregador por assédio sexual após relatar o recebimento de mensagens com propostas de natureza sexual, vídeos explícitos e imagens do empresário utilizando uma peça íntima retirada de seus pertences sem autorização. O caso ocorreu em uma residência no bairro de Stella Maris, em Salvador, e foi apurado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho na Bahia.
A fiscalização foi concluída na quarta-feira (21), após a trabalhadora procurar o plantão do órgão em 6 de outubro para relatar as situações que, segundo sua denúncia, enfrentava no ambiente profissional. Durante a apuração, os auditores identificaram mensagens atribuídas ao empregador com propostas sexuais, incluindo ofertas de dinheiro e roupas íntimas.
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o material analisado também continha vídeos de conteúdo sexual explícito e imagens do empresário vestindo uma peça íntima pertencente à funcionária, que teria sido retirada de seus pertences sem consentimento. A identidade do investigado não foi divulgada.
Trabalhadora foi encaminhada à rede de proteção
Após receber a denúncia, a Auditoria-Fiscal do Trabalho articulou, em conjunto com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, o encaminhamento da mulher à Casa da Mulher Brasileira, onde ela pode receber acolhimento e orientações sobre os direitos e as medidas disponíveis diante da situação relatada.
O encaminhamento busca garantir acesso à rede de proteção e oferecer suporte à trabalhadora após os episódios denunciados. O caso também chama a atenção para a vulnerabilidade de profissionais que exercem atividades domésticas dentro de residências particulares.
Fiscalização identificou irregularidades trabalhistas
Além dos elementos relacionados à denúncia de assédio sexual, a fiscalização resultou na emissão de autos de infração por assédio sexual, falta de registro do vínculo empregatício e outras irregularidades trabalhistas identificadas durante a investigação.
A conclusão dessa etapa não encerra necessariamente todos os desdobramentos do caso. Segundo a Coordenação da Fiscalização do Trabalho Doméstico e de Cuidados na Bahia, o órgão continuará acompanhando a situação nas demais instâncias competentes.
Assédio sexual no emprego doméstico
A Auditoria-Fiscal do Trabalho destaca que o assédio sexual no ambiente profissional viola a dignidade e os direitos dos trabalhadores. No emprego doméstico, a fiscalização enfrenta desafios específicos, já que as atividades são realizadas em residências particulares, muitas vezes em condições de isolamento.
O caso registrado em Salvador reforça a importância dos canais de denúncia, da fiscalização das relações de trabalho e do acesso à rede de proteção para profissionais domésticos. A identificação de irregularidades trabalhistas também evidencia a necessidade de garantir registro formal do vínculo empregatício e respeito aos direitos previstos na legislação.







