Polícia
Mais de 100 empresários, políticos e servidores públicos são investigados por esquema de desvios de emendas, aponta Polícia Federal
Codinomes encontrados em planilhas apreendidas desde dezembro de 2024 estão sendo decifrados pela PF; empresários, servidores e políticos estão entre os investigados.

Brasília (DF) – A Polícia Federal já identificou mais de 100 pessoas entre empresários, políticos e servidores públicos suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares investigado pela Operação Overclean. A investigação, que teve suas primeiras fases deflagradas em dezembro de 2024, ganhou novos desdobramentos com o avanço da análise de planilhas apreendidas, repletas de codinomes que vêm sendo gradualmente decifrados.
As informações constam em relatório parcial encaminhado ao ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte passou a conduzir o inquérito em janeiro, após mensagens da investigação mencionarem o deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), que nega qualquer envolvimento em irregularidades.
A PF estruturou os alvos em três núcleos: central, operacional e de apoio informacional. No núcleo central, destacam-se os empresários Alex Rezende Parente e Fábio Rezende Parente, sócios da empresa Allpha Pavimentações e Serviços de Construções, além de José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.
Entre os investigados estão nomes de destaque na política baiana e de outros estados. O advogado Lucas Maciel Lobão Vieira, ex-coordenador do DNOCS na Bahia, foi um dos primeiros alvos. Outro caso emblemático foi o do vereador Francisquinho Nascimento (União-BA), que tentou se livrar de uma sacola com R$ 220 mil arremessando-a pela janela. Ele é primo de Elmar Nascimento. O prefeito de Campo Formoso, Elmo Aluizio Vieira Nascimento, irmão do parlamentar, também é investigado.
Outros nomes citados incluem:
- Thiago Martins Dantas, secretário de Educação de Salvador;
- Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, ex-diretor da Secretaria Municipal de Educação da capital baiana;
- Bruno Barral, secretário de Educação de Belo Horizonte;
- Diego Queiroz Rodrigues (PSD), vereador em Itapetinga;
- Orlando Santos Ribeiro, ex-secretário de Governo de Itapetinga;
- Kaliane Lomanto Bastos, ex-coordenadora da Secretaria de Infraestrutura de Jequié;
- Vidigal Galvão Cafezeiro Neto, ex-vice-prefeito de Lauro de Freitas;
- Júnior Figueiredo, vereador em Nazaré e ex-servidor da AL-BA;
- Lucas Moreira Marins Dias, secretário de Mobilidade de Vitória da Conquista;
- Carlos André de Brito Coelho, ex-prefeito de Santa Cruz da Vitória;
- Ex-gestores do estado do Tocantins e servidores de Barreiras e Senador Canedo também estão sob investigação.
Com a deflagração da terceira fase da Operação Overclean nesta semana, o material apreendido está sendo analisado com o objetivo de ampliar o mapeamento dos envolvidos e apurar possíveis novos crimes.
A investigação segue em curso e pode ter novos desdobramentos nas próximas semanas.
Polícia
Jornalistas são presos em operação na Bahia
Investigados por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantil, dois profissionais foram detidos durante ação da Polícia Civil em Salvador; autoridades afirmam que eles não possuem ligação entre si

Dois jornalistas foram presos nesta quinta-feira (27), em Salvador, durante a Operação Brilho do Amanhã, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia para investigar crimes contra crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Segundo o delegado Gabriel Cipriano, do Núcleo Especializado em Repressão a Crimes Contra Crianças e Adolescentes no Ambiente Virtual (NERCCA), Lucas Vinícius Santos da Conceição e Marcos Paulo Silva Acácio são investigados por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantil, conduta prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Durante a operação, a polícia cumpriu mandados relacionados à investigação e realizou prisões de suspeitos apontados como envolvidos na prática dos crimes apurados. As diligências fazem parte de um trabalho de repressão à circulação e ao armazenamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes.
Investigados não têm relação entre si
De acordo com Gabriel Cipriano, os dois jornalistas foram identificados no decorrer das investigações, mas não existe, até o momento, indicação de vínculo entre eles.
O delegado explicou que a profissão exercida pelos dois é uma coincidência e não representa qualquer conexão entre os casos. As investigações tratam individualmente das condutas atribuídas a cada suspeito.
A autoridade policial também destacou que, embora existam investigações relacionadas ao compartilhamento desse tipo de material em diferentes situações, não há indícios de que Lucas Vinícius e Marcos Paulo tenham compartilhado conteúdo de abuso sexual infantil entre si.
Operação combate crimes no ambiente virtual
A Operação Brilho do Amanhã tem como foco a identificação de pessoas suspeitas de armazenar, produzir ou manter em circulação conteúdos criminosos envolvendo crianças e adolescentes.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil buscam reunir elementos que possam esclarecer a extensão das condutas atribuídas aos alvos e identificar eventuais outros envolvidos.
A polícia reforça que as prisões e investigações não representam, por si só, condenação, cabendo à Justiça analisar as provas reunidas durante o procedimento.
O caso segue sob investigação, enquanto os materiais e dispositivos eventualmente apreendidos durante a operação passam por análise pericial para auxiliar na apuração dos fatos.
Polícia
Caminhoneiro é parado após PM suspeitar que criança dirigia
Jovem de 20 anos chamou a atenção dos policiais durante abordagem em Jaraguá do Sul por ter baixa estatura, voz aguda e aparência infantil

Uma situação inusitada chamou a atenção da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) durante uma abordagem em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. Um caminhoneiro de 20 anos foi parado pelos agentes após os policiais suspeitarem que uma criança pudesse estar conduzindo o veículo.
O caso aconteceu na quinta-feira (20) e foi divulgado nesta quarta-feira (26). Segundo as informações divulgadas, Gabriel Allan Rodrigues, de 20 anos, possui cerca de 1,60 metro de altura, voz aguda e traços considerados infantis, características que despertaram a desconfiança da equipe durante a fiscalização.
Diante da suspeita, os policiais realizaram a abordagem e solicitaram a documentação do motorista. Gabriel apresentou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), comprovando que estava legalmente habilitado para conduzir o caminhão.
Após a conferência dos documentos e a confirmação da idade do motorista, o caminhoneiro foi liberado pelos policiais. A ocorrência rapidamente ganhou repercussão justamente pela situação incomum registrada durante a fiscalização.
O episódio também evidencia como características físicas podem provocar interpretações equivocadas em situações de abordagem. Apesar da aparência jovem, Gabriel já tinha 20 anos e estava devidamente habilitado para exercer a função de motorista profissional.
A ocorrência em Jaraguá do Sul chamou atenção nas redes sociais e gerou comentários sobre a aparência do caminhoneiro, que, segundo os relatos, teria surpreendido os agentes inicialmente. A situação foi esclarecida após a apresentação da CNH e a confirmação da identidade e da idade do condutor.
Polícia
Funcionária é presa por suspeita de fraude de R$ 2,9 milhões
Investigada teria liderado esquema que desviava pagamentos via Pix para contas de familiares em Salvador e Itaberaba

Uma funcionária de 26 anos foi presa nesta quinta-feira (27), durante a Operação Fluxo Oculto, deflagrada pela Polícia Civil em Salvador e Itaberaba, no interior da Bahia. Ela é suspeita de liderar um esquema criminoso envolvendo pagamentos fraudulentos realizados por empresas para contas bancárias de terceiros.
Segundo as investigações, cinco empresas teriam sido vítimas do esquema, que provocou um prejuízo superior a R$ 2,9 milhões. A suspeita teria utilizado mecanismos para alterar o destino de pagamentos corporativos, fazendo com que valores que deveriam ser destinados a fornecedores fossem direcionados para contas ligadas a pessoas próximas.
Fraudes envolviam pagamentos via Pix
De acordo com a Polícia Civil, o esquema apresentava uma estrutura considerada sofisticada e envolvia fraudes corporativas e lavagem de dinheiro por meio de operações bancárias realizadas via Pix.
As investigações apontam que as ordens de pagamento eram manipuladas de maneira a manter o nome de fornecedores verdadeiros no campo destinado ao beneficiário. Entretanto, os valores eram efetivamente encaminhados para contas bancárias de familiares da investigada.
Entre os beneficiários estariam a própria mãe da suspeita e o companheiro dela.
Investigação aponta atuação dentro das empresas
A condição de funcionária teria permitido à investigada acesso a informações e procedimentos relacionados aos pagamentos das empresas. A partir desse acesso, segundo a apuração policial, ela teria conseguido interferir nas operações financeiras sem levantar imediatamente suspeitas.
O modelo utilizado teria dificultado a identificação inicial das irregularidades, uma vez que os dados apresentados nos pagamentos indicavam fornecedores que realmente mantinham relação comercial com as empresas prejudicadas.
A Polícia Civil continua analisando documentos, movimentações financeiras e outros elementos reunidos durante a investigação para identificar toda a extensão do esquema e possíveis envolvidos.
Operação busca esclarecer destino dos valores
A Operação Fluxo Oculto tem como um dos objetivos rastrear o caminho do dinheiro e identificar os beneficiários dos valores desviados. A análise das contas bancárias poderá ajudar os investigadores a estabelecer a dinâmica das transferências e verificar eventual participação de outras pessoas.
Além da suspeita apontada como líder do esquema, a investigação deverá apurar a responsabilidade de possíveis integrantes que tenham auxiliado na movimentação ou ocultação dos recursos.
O caso segue sob investigação das autoridades competentes. As acusações ainda serão analisadas no decorrer do procedimento judicial, e os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
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