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Brasil

Governo prevê rombo e risco de “apagão fiscal” já em 2027

PLDO 2026 aponta que o próximo presidente poderá assumir sem margem para cumprir gastos obrigatórios com saúde, educação e emendas parlamentares, ameaçando a sustentabilidade do orçamento.

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Ricardo Stuckert/Presidência da República

O governo federal já admite que não haverá espaço fiscal para cumprir os mínimos constitucionais de saúde, educação e emendas parlamentares a partir de 2027, primeiro ano do próximo mandato presidencial. A projeção consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, elaborado pela própria equipe econômica do governo Lula.

Segundo o documento, as despesas obrigatórias crescerão em ritmo superior ao permitido pelo novo arcabouço fiscal, comprimindo o espaço para gastos discricionários – aqueles que incluem programas sociais, investimentos públicos e parte dos pisos constitucionais.

“Em 2027, o valor necessário para cumprir os gastos mínimos será de R$ 133,1 bilhões, mas o governo só poderá gastar R$ 122,2 bilhões”, alerta o PLDO.
Em 2028, a diferença chega a R$ 87,3 bilhões, e em 2029, R$ 154,3 bilhões.

A crise fiscal é resultado de decisões do próprio governo atual, como a retomada da valorização real do salário mínimo, o aumento de despesas previdenciárias e assistenciais, e a reimposição dos pisos constitucionais de saúde e educação, que voltaram com o novo arcabouço fiscal.

Apesar da retomada de receitas, a arrecadação não acompanha a velocidade de crescimento das despesas. A previsão é que a receita líquida da União cresça em termos absolutos, mas perca força em relação ao PIB: 22,93% em 2027, 22,65% em 2028 e 22,34% em 2029.


Regras fiscais em xeque

A situação já levou especialistas e instituições a alertarem para a insustentabilidade do novo arcabouço fiscal. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, o “apagão fiscal” pode ocorrer até antes, em 2026, caso se confirmem os cenários pessimistas.

“As despesas obrigatórias e discricionárias rígidas já consumirão todo o limite permitido pela regra fiscal”, diz a IFI.

As chamadas despesas discricionárias rígidas incluem parte dos pisos de saúde, educação e as emendas parlamentares, que possuem execução obrigatória por lei, embora tecnicamente sejam classificadas como de “livre manejo”.


Haddad descarta mudanças, Tebet admite necessidade de ajuste

Mesmo diante do cenário crítico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou não prever nenhuma mudança de rota na política fiscal atual. Em apresentação à agência Moody’s, disse que o governo deverá cumprir a meta fiscal pelo segundo ano consecutivo, mantendo o plano vigente.

Já a ministra do Planejamento, Simone Tebet, admite a necessidade de ajustes estruturais, mas defende que esse debate fique para após as eleições de 2026. Segundo ela, o país terá que decidir entre aumentar a arrecadação ou revisar os parâmetros do arcabouço.

O problema é que o Orçamento de 2027 precisa ser enviado antes do fim do mandato atual, o que obriga o governo a tomar alguma decisão ainda em 2026: mudar a regra fiscal, apresentar um orçamento fictício, ou cortar gastos em áreas sensíveis.


Oposição critica: “irresponsabilidade fiscal disfarçada de otimismo”

A oposição já reagiu com dureza. O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) classificou o PLDO como uma “irresponsabilidade fiscal”.

“Estão empurrando a bomba para o próximo mandato. Isso é má gestão disfarçada de otimismo.”

A deputada Carol de Toni (PL-SC), líder da minoria na Câmara, também criticou.

“A própria ministra do Planejamento admitiu: em 2027 não haverá recursos nem para as despesas básicas do país.”

Diante da impossibilidade de cumprir a lei com as regras atuais, resta saber qual será a saída: ajuste fiscal de verdade, nova mudança no arcabouço ou maquiagem nas contas públicas.

Redação Saiba+

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Brasil

Justiça libera obra de prédio de luxo em SP

Decisão liminar autoriza retomada da construção e venda de apartamentos após três anos de embargo no Itaim Bibi

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A Justiça de São Paulo concedeu uma decisão liminar que autoriza a retomada das obras e a comercialização de apartamentos do edifício de alto padrão St. Barths, localizado no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista. A medida encerra, de forma provisória, um embargo que perdurava há cerca de três anos.

O empreendimento, desenvolvido pela incorporadora São José, havia sido embargado em fevereiro de 2023 após fiscalização identificar a ausência de alvará de construção. Na ocasião, também foi aplicada uma multa administrativa de R$ 2,5 milhões, em razão das irregularidades apontadas durante o processo.

Com a nova decisão judicial, a obra poderá ser retomada enquanto o mérito da ação segue em análise, permitindo também a continuidade da comercialização das unidades residenciais do edifício.

O St. Barths é um empreendimento de alto padrão situado na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, uma das áreas mais valorizadas do Itaim Bibi. O projeto prevê 23 pavimentos e 20 apartamentos, com metragens que variam entre 382 m² e 739 m², além de opções com cinco a oito vagas de garagem, voltadas ao mercado imobiliário de luxo.

A decisão tem caráter provisório e poderá ser reavaliada ao longo da tramitação do processo judicial, conforme o andamento das análises sobre a regularização do empreendimento. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades competentes e pelas partes envolvidas.

A retomada da obra reacende o debate sobre licenciamento urbano, fiscalização de grandes empreendimentos e segurança jurídica no setor da construção civil. Enquanto o processo segue em curso, o edifício poderá avançar em sua execução e comercialização conforme os termos estabelecidos pela decisão liminar.

Redação Saiba+

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Fabi Diniz faz história no Ministério Público

Professora e advogada se torna a primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no Ministério Público brasileiro

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A professora e advogada Fabi Diniz de Queiroz Pilate entrou para a história ao tomar posse, na última sexta-feira (31), como promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Ela se tornou a primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no Ministério Público brasileiro, marco considerado histórico para a representatividade e a diversidade nas instituições públicas.

A cerimônia de posse foi realizada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus, reunindo membros da instituição, autoridades e convidados para oficializar a entrada dos novos integrantes da carreira ministerial.

Além de Fabi Diniz, outros quatro candidatos aprovados no concurso público também foram empossados como promotores de Justiça durante a solenidade. A posse marca o início da atuação dos novos membros do Ministério Público do Amazonas, responsáveis por exercer funções ligadas à defesa da ordem jurídica, dos direitos da sociedade e do interesse público.

A chegada de Fabi ao Ministério Público representa um importante avanço em relação à inclusão e à diversidade no serviço público. Sua trajetória simboliza a ampliação da representatividade em espaços de decisão e reforça a importância da igualdade de oportunidades no acesso às carreiras jurídicas.

O momento foi celebrado por diferentes setores da sociedade como um passo significativo para o fortalecimento da diversidade nas instituições brasileiras. A posse de Fabi Diniz evidencia o reconhecimento do mérito por meio do concurso público e reafirma o compromisso com uma administração pública cada vez mais plural e representativa.

Redação Saiba+

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Ações do Santander Brasil disparam após oferta

Banco espanhol anuncia proposta para adquirir participação restante da subsidiária brasileira e impulsiona papéis no mercado

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As ações do Santander Brasil (SANB11) registraram forte valorização nesta sexta-feira, avançando mais de 13% após o grupo espanhol anunciar uma proposta para adquirir a participação de aproximadamente 10% da subsidiária brasileira que ainda permanece em circulação no mercado. O movimento foi recebido de forma positiva pelos investidores e refletiu imediatamente no desempenho dos papéis.

Segundo o comunicado da instituição financeira, o Santander pretende investir até 1,9 bilhão de euros na operação, reforçando sua posição como controlador da unidade brasileira. Apesar da iniciativa, o banco destacou que a oferta não tem como objetivo promover o fechamento de capital do Santander Brasil, mantendo a estrutura operacional da instituição no país.

A operação, no entanto, poderá provocar mudanças na negociação internacional dos ativos. Dependendo da adesão dos acionistas à oferta, os papéis do Santander Brasil poderão deixar de ser negociados na Bolsa de Valores de Nova York, enquanto a instituição continuará avaliando os desdobramentos da proposta.

A reação positiva do mercado também foi impulsionada pelo prêmio oferecido aos investidores. A proposta representa um valor cerca de 15% superior ao preço de referência das ações, tornando a oferta mais atrativa para os acionistas e fortalecendo a confiança do mercado na estratégia do grupo espanhol.

Analistas avaliam que a iniciativa faz parte da estratégia do Santander de ampliar sua participação na operação brasileira, considerada uma das mais relevantes para os resultados globais da instituição. O desempenho das ações nesta sexta-feira reforça a expectativa dos investidores em relação aos próximos passos da operação e ao impacto da proposta sobre o mercado financeiro.

Redação Saiba+

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