Política
Cid afirma ao STF que Bolsonaro manteve prisão de Moraes em minuta golpista
Ex-ajudante de ordens diz que ex-presidente alterou texto para excluir prisões, mas deixou ministro do STF como único alvo; depoimento abre série de interrogatórios sobre tentativa de golpe em 2022

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta segunda-feira (9) a fase de interrogatórios dos réus ligados à tentativa de golpe de Estado no fim de 2022. O primeiro a depor foi o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), e também delator premiado da trama.
Durante o depoimento, Cid afirmou que Bolsonaro recebeu uma minuta de decreto golpista que previa a prisão de ministros do STF e parlamentares, além da criação de uma comissão para organizar novas eleições presidenciais. Segundo Cid, Bolsonaro editou o texto algumas vezes, mas decidiu manter apenas a prisão do ministro Alexandre de Moraes:
“Ele enxugou o documento, retirando as autoridades das prisões. Só o senhor ficaria preso”, relatou Cid a Moraes, que reagiu com ironia: “Os outros receberam um habeas corpus”.
O depoimento, transmitido pela TV Justiça, abriu uma semana de sessões no STF dedicada aos réus do núcleo central da suposta tentativa de golpe. Além de Cid, estão na lista de interrogados Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Mauro Cid é colaborador da investigação conduzida pela Polícia Federal desde setembro de 2023. Em troca das informações, ele pediu benefícios como perdão judicial, penas reduzidas e proteção à família. No entanto, o acordo quase foi anulado após contradições em seus depoimentos.
Durante o interrogatório, Cid também confirmou que recebeu uma caixa de vinho com dinheiro vivo entregue por Braga Netto, ex-ministro da Defesa, para repassar ao tenente-coronel Rafael de Oliveira, suspeito de liderar um grupo que planejava prender e assassinar Moraes.
“O dinheiro foi entregue no Palácio da Alvorada. Não sei o valor exato, mas com certeza não eram os R$ 100 mil que constavam no pedido. Estava tudo em uma caixa de vinho”, disse Cid.
O militar contou ainda que passou por um momento pessoal delicado e atribuiu a críticas anteriores à “pressão psicológica” e a “desabafos”. Ele negou que tenha mentido intencionalmente, mas reconheceu que sua versão dos fatos divergia da linha investigativa da Polícia Federal, o que gerou frustração entre os investigadores.
O caso marca o reencontro entre Bolsonaro e Cid após o rompimento da relação entre ambos. O ex-ajudante de ordens foi o colaborador mais próximo do ex-presidente durante o mandato e prestou ao menos 12 depoimentos no âmbito da delação.
Apesar das críticas à credibilidade do delator, ministros do STF reafirmaram que, mesmo que o acordo seja anulado, as provas e declarações colhidas continuam válidas para o processo penal. A delação de Cid segue como peça-chave na acusação contra o grupo acusado de articular um golpe de Estado após as eleições de 2022.
Política
Jaques Wagner critica votação sobre quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS
Líder do governo no Senado questiona condução do processo e aponta possível uso político da comissão.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT‑BA), fez duras críticas à votação que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante a sessão desta quinta-feira (26) da CPMI do INSS. Para o senador, a decisão foi conduzida de forma precipitada e com forte viés político, desviando o foco dos trabalhos da comissão.
Wagner afirmou que a medida representa um uso distorcido da CPMI, que deveria concentrar esforços em investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, e não em promover disputas de caráter eleitoral ou ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a oposição tenta transformar a comissão em um palco de desgaste político.
Durante a sessão, parlamentares governistas também questionaram a pertinência da quebra de sigilo, alegando ausência de elementos concretos que justificassem a medida. Para Jaques Wagner, a aprovação ocorreu em um ambiente de tensão e disputa narrativa, o que compromete a credibilidade do processo.
O senador reforçou que o governo continuará atuando para garantir que a CPMI cumpra seu objetivo original e que decisões tomadas sem base técnica sejam contestadas. Ele destacou ainda que a insistência em incluir familiares do presidente nas investigações demonstra uma estratégia de politização das apurações, afastando o debate das questões estruturais do INSS.
A votação reacende discussões sobre os limites de atuação das CPIs e o uso de instrumentos legislativos para fins políticos, tema que deve seguir em destaque nas próximas sessões.
Política
Governo anuncia que irá recorrer após votação simbólica no Senado
Gleisi Hoffmann critica condução do processo por Carlos Viana e afirma que decisão será contestada oficialmente

O governo federal confirmou que irá recorrer da decisão tomada em votação simbólica no Senado, conduzida pelo senador Carlos Viana, que anunciou o resultado sem registro nominal dos votos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, declarou em entrevista ao SBTNews que a medida será contestada por considerar que o procedimento adotado não refletiu a real posição dos parlamentares.
Segundo Gleisi, a condução da sessão levantou dúvidas sobre a legitimidade do processo. Ela afirmou que Viana realizou uma “votação simbólica e tratou de anunciar o resultado”, sem permitir um debate mais amplo ou a verificação individual dos votos. Para o governo, esse tipo de condução compromete a transparência e exige revisão imediata.
A decisão de recorrer, segundo integrantes da base aliada, busca garantir segurança jurídica e assegurar que decisões de impacto nacional sejam tomadas com o devido rigor regimental. A expectativa é que o recurso seja apresentado ainda nesta semana, abrindo espaço para uma reavaliação do caso.
Nos bastidores, a avaliação é de que a oposição tenta acelerar votações sensíveis, enquanto o governo trabalha para reorganizar sua articulação política no Congresso. A crítica de Gleisi reforça a estratégia de pressionar por maior controle e clareza nos procedimentos legislativos.
O episódio reacende o debate sobre transparência nas votações simbólicas, prática comum no Legislativo, mas frequentemente questionada quando envolve temas de grande repercussão.
Política
Hugo Motta nega disputa por protagonismo com governo Lula
Presidente da Câmara afirma que debate sobre o fim da escala 6×1 não envolve rivalidade política

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), afirmou nesta quinta-feira (26) que não existe qualquer “briga de ego” entre o Legislativo e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao debate sobre o fim da escala 6×1. A declaração ocorre em meio ao avanço das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho, tema que mobiliza parlamentares, centrais sindicais e setores empresariais.
Segundo Motta, a Câmara tem atuado de forma institucional e responsável, buscando construir um texto equilibrado e que considere os impactos econômicos e sociais da proposta. Ele destacou que o diálogo com o Executivo permanece aberto e que não há disputa por protagonismo, mas sim a intenção de garantir segurança jurídica e previsibilidade para trabalhadores e empregadores.
O presidente da Câmara também reforçou que o tema exige maturidade política e análise técnica, já que envolve mudanças estruturais nas relações de trabalho. Motta afirmou que o Parlamento seguirá conduzindo o debate com transparência e ouvindo todos os setores envolvidos.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve continuar nas próximas semanas, com expectativa de novas audiências e articulações entre líderes partidários.
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