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Política

Lula evita sancionar aumento de deputados e pode deixar ônus para o Congresso

Avaliação no Planalto ocorre em meio à tensão com o Legislativo após queda de braço sobre o decreto do IOF

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O presidente Lula (PT) em evento no Palácio do Planalto - Gabriela Biló

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não sancionar o projeto de lei que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais, aprovado pelo Congresso Nacional na última semana. A medida, considerada impopular, tem impacto estimado em R$ 65 milhões por ano e está no centro de um novo embate entre o Executivo e o Legislativo.

Segundo fontes do governo, Lula deve optar por não se pronunciar, deixando que o Congresso promulgue a proposta por conta própria. Outra alternativa considerada é o veto total, como forma de resposta à derrubada do decreto do IOF pela Câmara, manobra liderada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

“O governo quer evitar ser visto como avalista de uma proposta rejeitada pela maioria da população”, afirma um auxiliar direto de Lula.

De fato, uma pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 17 revelou que 76% dos brasileiros são contra o aumento no número de deputados. Apenas 20% se disseram favoráveis.

Apesar das recomendações pelo veto, parte do núcleo político próximo a Lula teme um acirramento ainda maior nas tensões com o Congresso, e por isso defende que o presidente não sancione, nem vete, evitando desgaste adicional.

Congresso articulou manobra para evitar perdas nos estados

O projeto de lei complementar que amplia o número de cadeiras na Câmara dos Deputados foi uma resposta ao STF, que determinou a revisão da proporcionalidade entre estados com base nos dados do Censo 2022. Em vez de redistribuir os 513 assentos já existentes, o Congresso criou 18 novas vagas para que nenhum estado perdesse representação — especialmente a Paraíba, reduto eleitoral de Motta.

A proposta foi aprovada de forma relâmpago nas duas Casas, com placar apertado no Senado e votação acelerada na Câmara. A sanção presidencial tem prazo até 16 de julho.

Se Lula não sancionar e não vetar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), será responsável por promulgar o texto.

Crise política com o Legislativo

A crise entre o Planalto e o Congresso ganhou força após a derrubada do decreto que prorrogava a cobrança do IOF sobre transações internacionais, medida do Ministério da Fazenda para preservar R$ 18 bilhões no orçamento. Após o revés, Lula afirmou, durante visita à Bahia nesta quarta-feira (2), que houve descumprimento de acordo político por parte de Hugo Motta.

“O erro, na minha opinião, foi o descumprimento de um acordo, feito na casa do presidente Hugo Motta, com presença de ministros e técnicos do governo”, disse Lula, classificando a votação como “absurda”.

Estados que ganham cadeiras

Com a proposta aprovada, os seguintes estados devem ganhar novas cadeiras na Câmara a partir de 2027:

  • Pará e Santa Catarina: +4 vagas
  • Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Norte: +2 vagas
  • Goiás, Ceará, Paraná e Minas Gerais: +1 vaga cada

Impacto fiscal e político

Com salários, benefícios e estruturas administrativas, cada novo deputado representa um aumento significativo nas despesas públicas. O impacto anual estimado é de R$ 65 milhões, em um momento no qual o próprio governo discute contenção de gastos e ajuste fiscal.

Aliados de Lula defendem que a sanção da proposta pode comprometer a narrativa do governo de priorizar os mais pobres e a disciplina fiscal — especialmente em um momento de baixa aprovação popular.

Redação Saiba+

Política

PF determina que Eduardo Bolsonaro volte ao cargo de escrivão após ter mandato cassado na Câmara

Decisão ocorre após cassação do mandato parlamentar e publicação de ato no Diário Oficial da União

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O ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro Foto: Geraldo Magela

A Polícia Federal (PF) determinou que Eduardo Bolsonaro retorne ao cargo de escrivão, função que ocupava antes de sua eleição para a Câmara dos Deputados. A decisão foi oficializada nesta sexta‑feira (2), por meio de publicação no Diário Oficial da União, assinada pelo diretor de gestão de pessoas substituto, Licínio Nunes de Moraes Netto.

Segundo o ato administrativo, a PF declarou o fim do afastamento do ex‑parlamentar, uma vez que seu mandato de deputado federal foi cassado em 18 de dezembro. Com a perda do mandato, a licença concedida para o exercício da atividade política deixa de ter validade, obrigando o retorno imediato às funções na corporação.

A medida encerra o período em que Eduardo Bolsonaro esteve afastado do quadro funcional da PF e marca sua reintegração ao serviço público federal. A corporação ainda não detalhou em qual unidade o escrivão deverá atuar, mas o procedimento segue o trâmite padrão aplicado a servidores que retornam após afastamentos prolongados.

O caso segue repercutindo no cenário político e jurídico, especialmente por envolver um nome de grande projeção nacional e por ocorrer em meio a debates sobre responsabilidades e consequências administrativas após a cassação de mandatos eletivos.

Redação Saiba+

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Política

Moraes rebate a Câmara e cassação de Zambelli reacende alerta para Eduardo Bolsonaro

Decisão do ministro do STF fortalece entendimento sobre limites de imunidade parlamentar e coloca novo deputado no foco das investigações

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu sequência a uma posição firme sobre a aplicação do direito penal e da Constituição no trato com parlamentares após a cassação do mandato de Carla Zambelli pela Câmara dos Deputados. A decisão de Moraes de não reconhecer a anulação do processo pela Casa reforça um entendimento judicial que pode ter impacto direto em outros casos, com Eduardo Bolsonaro sendo apontado como o possível próximo alvo de decisões semelhantes.

Moraes sustenta que determinados atos praticados por parlamentares extrapolam as prerrogativas de imunidade e liberdade política, especialmente quando há indícios de discurso de ódio, incitação à violência ou afronta ao Estado Democrático de Direito. Ao manter a cassação de Zambelli, o ministro enviou um recado institucional claro sobre os limites constitucionais que regem o exercício do mandato parlamentar.

O cenário jurídico agora mira outros casos em que parlamentares podem ter incorrido em condutas consideradas incompatíveis com o decoro e com os princípios republicanos. No centro das atenções está Eduardo Bolsonaro, que já foi citado em inquéritos e procedimentos que investigam a atuação de líderes políticos em contextos de crise institucional. A leitura de especialistas é de que, com a sinalização firme do STF, eventuais processos contra ele ou outros deputados podem ganhar novo impulso.

A tensão entre o Legislativo e o Judiciário tem se intensificado, e a decisão de Moraes de manter a cassação de Zambelli mesmo diante da tentativa de anulação pela Câmara reacende debates sobre separação de poderes, responsabilidade parlamentar e limites à imunidade legislativa. Para o ministro, a preservação da Constituição deve prevalecer sobre tentativas de proteção temporária de mandatos que afrontem dispositivos legais claros.

A possibilidade de que Eduardo Bolsonaro venha a ser o próximo foco de decisões nessa linha reforça a amplitude do impacto institucional. A expectativa em Brasília é de que o entendimento do STF se consolide, criando jurisprudência que endurece a interpretação sobre condutas de parlamentares que atentem contra a ordem constitucional.

No plano político, a repercussão deve seguir intensa, tanto entre aliados quanto na oposição, com consequências potenciais para a dinâmica interna da Câmara e para as estratégias eleitorais futuras. O embate entre Poder Legislativo e Poder Judiciário promete ganhar novos capítulos, com o STF assumindo papel central na definição dos limites da atuação parlamentar em casos de litígios graves.

Redação Saiba+

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Política

Lula anuncia veto ao PL da dosimetria do tempo de serviço

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que vetará o Projeto de Lei que estabelece nova regra de dosimetria do tempo de serviço para concessão de benefícios previdenciários. A decisão executiva ocorre após análise das implicações fiscais e das consequências para a estabilidade atuarial do sistema previdenciário do país.

Segundo o Executivo, a proposta em tramitação no Congresso Nacional apresentava riscos de impacto financeiro substancial e insegurança jurídica, o que motivou a decisão de suspender sua promulgação. A dosimetria é um mecanismo utilizado para calcular o tempo de contribuição e benefícios, e tinha forte apelo junto a setores que defendiam maior flexibilidade nos critérios de cálculo.

O veto presidencial representa um ponto de inflexão significativo na política previdenciária, numa clara tentativa do governo federal de preservar a sustentabilidade fiscal e evitar novos desequilíbrios nas contas públicas. Autoridades do Palácio do Planalto ressaltam que a medida atende a estudos atuariais que apontaram efeitos adversos sobre as receitas e despesas do sistema de seguridade.

A reação no meio político tem sido imediata. Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que a nova dosimetria poderia beneficiar milhões de trabalhadores que buscam condições mais justas de acesso a benefícios. Por outro lado, críticos ao PL enfatizam a necessidade de cautela em reformas que impactam diretamente o orçamento e a confiança dos mercados.

A decisão de veto deve ser comunicada formalmente ao Congresso nas próximas semanas, abrindo espaço para debates sobre possíveis ajustes legislativos ou apresentação de novas propostas que conciliem equilíbrio fiscal, justiça social e segurança jurídica no regime de previdência.

Em meio a esse cenário, espera-se que o tema continue no centro das discussões econômicas e políticas, especialmente diante da relevância do sistema previdenciário para a economia brasileira e para a vida de aposentados e contribuintes.

Redação Saiba+

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