Política
Dinheiro público do PL vai parar em produtora ligada a reduto de Valdemar Costa Neto
Pagamentos milionários à Caqui Filmes revelam vínculos com Mogi das Cruzes, cidade do “boy do centrão”; falta de transparência nos serviços prestados levanta suspeitas sobre uso do fundão eleitoral

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, repassou ao menos R$ 364 mil em recursos públicos para a produtora audiovisual Caqui Filmes nos últimos dois anos. Conforme apurado pelo Intercept Brasil, o dinheiro saiu do fundo partidário, custeado pelos cofres públicos, e parte significativa desse montante foi parar em uma agência bancária localizada em Mogi das Cruzes, reduto político de Valdemar da Costa Neto, presidente da legenda.
O caso desperta atenção não apenas pelo destino dos recursos, mas também pela opacidade da prestação de contas: a Caqui Filmes não possui site, não tem presença ativa nas redes sociais e, apesar de estar registrada em São Paulo, movimenta valores expressivos em Mogi das Cruzes. A produtora recebeu, por exemplo, R$ 184 mil em uma única transferência feita em maio de 2025 pelo diretório nacional do PL — sem nota fiscal publicada nem detalhamento sobre o serviço prestado.

Segundo documentos acessados pela reportagem via Justiça Eleitoral, a conta bancária usada pertence a uma agência de Mogi, mesmo após a produtora ter mudado sua sede para a capital paulista. A Caqui Filmes foi fundada em 2017 na própria cidade de Mogi das Cruzes por Bruna Moreira Gomes, profissional da área de gestão patrimonial, que hoje mantém vínculos societários com outras duas empresas de Mogi: a Azimute Gestão Patrimonial (avaliada em mais de R$ 10 milhões) e o Grupo São Paulo de Comunicação.

Desde 2019, a Caqui Filmes está formalmente sob o controle da comunicadora Marília Padija, formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, que também já atuou em uma agência da cidade. Ou seja, os laços com o berço político de Valdemar são numerosos e vão muito além da localização da agência bancária.

Sobre os serviços prestados ao PL, a produtora afirma ter realizado vídeos para eventos como a Agrishow e para campanhas do PL Mulher e da juventude do partido. Entretanto, apenas dois dos cinco vídeos pagos em 2023 foram localizados no canal oficial. Ainda assim, a empresa garante que todo o conteúdo foi veiculado em TV aberta e canais internos do partido, e que as contratações foram aprovadas pelo TCU.

Quem é Valdemar da Costa Neto?
Para entender o pano de fundo dessa história, é indispensável conhecer a trajetória de Valdemar, o cacique que comanda o PL com mãos de ferro. Uma reportagem de 2024 da revista piauí revela como ele transformou o partido em uma verdadeira máquina de poder, com orçamento maior que o de 98% dos municípios brasileiros. O texto também mostra como Bolsonaro se tornou um ativo do partido, com salário, advogados e até alimentação pagos com recursos do fundo partidário.
Já o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, resgata o histórico do “Boy de Mogi das Cruzes” — apelido que Valdemar herdou ainda jovem, ao iniciar a carreira política ao lado do pai. Ele sobreviveu a escândalos e prisões, mas jamais perdeu o controle sobre o PL. Foi ele quem abrigou Lula em 2002 e Bolsonaro em 2021, demonstrando que sua força política é movida a conveniência — e a muito dinheiro público.
Política
Lula sobrevoa áreas atingidas por chuvas em Minas Gerais
Presidente acompanha regiões em calamidade pública na Zona da Mata, onde mais de 60 mortes já foram registradas.

As fortes chuvas que atingem Minas Gerais levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sobrevoar a região da Zona da Mata, uma das mais afetadas pelos temporais que já resultaram em mais de 60 mortes. A visita ocorre em meio ao esforço federal para avaliar danos, reforçar ações emergenciais e apoiar municípios que enfrentam graves impactos estruturais e humanitários.
Durante a agenda, Lula deve se reunir com os prefeitos Margarida Salomão (Juiz de Fora), José Damato (Ubá) e Maurício dos Reis (Matias Barbosa) — cidades oficialmente reconhecidas em situação de calamidade pública. O governo federal acompanha de perto as necessidades locais, especialmente nas áreas de deslizamentos, enchentes e desabrigados.
Além desses municípios, Divinésia e Senador Firmino foram classificadas em situação de emergência, o que permite a liberação acelerada de recursos e medidas de apoio. As equipes de Defesa Civil, Forças Armadas e órgãos estaduais seguem mobilizadas para resgates, assistência às famílias e recuperação de infraestrutura essencial.
A presença do presidente reforça o compromisso do governo em priorizar ações humanitárias, garantir suporte imediato às populações afetadas e coordenar respostas rápidas diante da continuidade das chuvas na região.
Política
Brasil condena ataques de EUA e Israel ao Irã
Governo manifesta grave preocupação e reforça defesa do diálogo como único caminho para a paz no Oriente Médio.

O governo brasileiro divulgou neste sábado (28) uma nota oficial na qual condena os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã, classificando a escalada militar como motivo de “grave preocupação” para a estabilidade internacional.
No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores destacou que as ofensivas ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, considerado pelo Brasil como o único meio viável para alcançar uma solução pacífica e duradoura na região. A chancelaria reiterou que o país mantém, historicamente, uma postura de defesa do diálogo diplomático e da mediação multilateral em conflitos no Oriente Médio.
Segundo o Itamaraty, ações militares unilaterais comprometem esforços de paz e ampliam o risco de instabilidade regional, afetando não apenas os países diretamente envolvidos, mas também a segurança global. O governo brasileiro reforçou ainda que seguirá acompanhando a situação e defendendo iniciativas que priorizem a diplomacia, o respeito ao direito internacional e a proteção de civis.
A nota reafirma a posição tradicional do Brasil de buscar soluções negociadas, evitando o agravamento de tensões e incentivando a retomada imediata das conversações entre os envolvidos.
Política
Jaques Wagner critica votação sobre quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS
Líder do governo no Senado questiona condução do processo e aponta possível uso político da comissão.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT‑BA), fez duras críticas à votação que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante a sessão desta quinta-feira (26) da CPMI do INSS. Para o senador, a decisão foi conduzida de forma precipitada e com forte viés político, desviando o foco dos trabalhos da comissão.
Wagner afirmou que a medida representa um uso distorcido da CPMI, que deveria concentrar esforços em investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, e não em promover disputas de caráter eleitoral ou ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a oposição tenta transformar a comissão em um palco de desgaste político.
Durante a sessão, parlamentares governistas também questionaram a pertinência da quebra de sigilo, alegando ausência de elementos concretos que justificassem a medida. Para Jaques Wagner, a aprovação ocorreu em um ambiente de tensão e disputa narrativa, o que compromete a credibilidade do processo.
O senador reforçou que o governo continuará atuando para garantir que a CPMI cumpra seu objetivo original e que decisões tomadas sem base técnica sejam contestadas. Ele destacou ainda que a insistência em incluir familiares do presidente nas investigações demonstra uma estratégia de politização das apurações, afastando o debate das questões estruturais do INSS.
A votação reacende discussões sobre os limites de atuação das CPIs e o uso de instrumentos legislativos para fins políticos, tema que deve seguir em destaque nas próximas sessões.
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