Brasil
Setor agro teme sanções de Trump ao Brasil por compra de fertilizantes russos
Dependência de insumos russos coloca agronegócio em alerta diante de possível retaliação econômica dos EUA, que pode afetar exportações brasileiras

O agronegócio brasileiro está em alerta máximo diante da ameaça de novas sanções do governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, devido à forte dependência do país na importação de fertilizantes russos. A tensão aumentou após a Casa Branca sinalizar que poderá aplicar tarifas indiretas a países que mantêm negócios com a Rússia, caso não haja avanço em um acordo de paz com a Ucrânia.
A Rússia é hoje o maior fornecedor de fertilizantes ao Brasil, com 30% de participação nas importações nacionais, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Só no primeiro semestre de 2025, o Brasil importou 5,71 milhões de toneladas do insumo russo, com custo de US$ 1,98 bilhão.
Preocupados com os efeitos econômicos, representantes do agronegócio e parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária fizeram chegar ao Itamaraty um alerta sobre o risco iminente de retaliações comerciais. A apreensão é de que os EUA não taxem diretamente os fertilizantes, mas adotem represálias em outras áreas sensíveis das exportações brasileiras, como forma de pressão.
A ameaça é real. No último mês, Trump declarou que, sem avanço na guerra entre Rússia e Ucrânia, imporá “tarifas secundárias de 100%” a países que continuarem comprando produtos russos, incluindo petróleo, gás, urânio e fertilizantes. A medida foi endossada por autoridades norte-americanas e pela cúpula da Otan.
Além dos fertilizantes, o Brasil também aparece na mira dos EUA por conta da compra de diesel russo, que hoje representa mais de 60% do combustível importado pelo país. Segundo fontes ouvidas pela imprensa, esse é um dos principais incômodos do governo americano em relação ao Brasil.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para o risco de as sanções envolverem a proibição de compras de produtos brasileiros por parte dos EUA, o que ampliaria ainda mais o impacto econômico. “Nós somos vulneráveis, porque nossa dependência de fertilizantes é gigantesca. Mais de 90% do que usamos vem de fora, e a Rússia lidera esse fornecimento”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
O crescimento dessa dependência é visível na última década. Em 2015, o Brasil importou 3,7 milhões de toneladas de fertilizantes da Rússia. Em 2019, o número já ultrapassava 7 milhões de toneladas. Em 2023, foram 9,3 milhões. E 2025 caminha para um novo recorde histórico, podendo ultrapassar 12 milhões de toneladas ao final do ano.
A soja, o milho e a cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no país, o que reforça a vulnerabilidade da cadeia produtiva. A bancada ruralista, por ora, evita se pronunciar oficialmente, mas nos bastidores o clima é de forte apreensão.
Senadores brasileiros estiveram recentemente em Washington tentando reverter o tarifaço de 50% já imposto pelos EUA, mas saíram com o recado de que a insatisfação americana está centrada no alinhamento comercial do Brasil com a Rússia.
Entre os parlamentares, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma das vozes mais influentes do agro no Congresso, foi procurada para comentar, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Brasil
Dono da Voepass relata “cultura de omissão”
Em depoimento à Polícia Federal, José Luiz Felício Filho afirmou ter conhecimento de falhas no registro de problemas técnicos na companhia

O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou em depoimento à Polícia Federal que tinha conhecimento da existência de uma “cultura de omissão” no registro de falhas técnicas dentro da companhia aérea. A declaração faz parte das investigações sobre a queda de um avião da empresa que deixou 62 mortos em 2024.
Segundo o empresário, o padrão de comportamento estaria relacionado ao registro de ocorrências envolvendo problemas técnicos e à atuação de pilotos da companhia. A revelação foi feita durante o depoimento prestado às autoridades federais.
Felício Filho também declarou que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) teriam feito alertas diretamente a ele, ao longo dos anos, sobre o comportamento adotado por pilotos da empresa.
De acordo com o relato apresentado à Polícia Federal, os avisos teriam chamado a atenção para uma possível prática de não registrar adequadamente determinadas falhas técnicas. A informação passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades no curso da investigação.
O empresário foi indiciado no caso relacionado à queda da aeronave da Voepass, acidente que ocorreu em 2024 e provocou a morte de todas as 62 pessoas que estavam a bordo.
As declarações prestadas por Felício Filho deverão ser consideradas no contexto das investigações que buscam esclarecer as circunstâncias do acidente e possíveis responsabilidades relacionadas à segurança operacional da companhia.
O caso também coloca em evidência os procedimentos adotados pelas empresas aéreas para identificação, comunicação e registro de falhas técnicas, além do papel dos órgãos responsáveis pela fiscalização da aviação civil no Brasil.
Brasil
Danone amplia investimentos para expandir produção de iogurtes proteicos no Brasil
Empresa reforça fábrica em Minas Gerais para atender ao crescimento da demanda por alimentos ricos em proteína

A Danone anunciou a ampliação de sua capacidade de produção no Brasil em resposta ao crescimento acelerado do consumo de alimentos ricos em proteína. A estratégia inclui investimentos de alguns milhões de euros na unidade industrial de Poços de Caldas, em Minas Gerais, com foco na expansão da produção de iogurtes proteicos.
O principal destaque da iniciativa é a linha YoPro, que se consolidou como um dos maiores sucessos da companhia no mercado brasileiro. O produto já ocupa a segunda posição entre os itens mais vendidos da Danone no país, impulsionado pelo aumento da procura por alimentos voltados ao bem-estar, à prática esportiva e à alimentação equilibrada.
Segundo o CEO da Danone Brasil, Tiago Santos, a decisão acompanha uma transformação no perfil dos consumidores, que têm buscado cada vez mais produtos com alto teor de proteína e benefícios nutricionais. A expectativa da empresa é fortalecer sua presença no segmento e ampliar sua participação em um mercado que segue em expansão.
Além de aumentar a capacidade produtiva, os investimentos devem contribuir para o fortalecimento da operação brasileira, considerada estratégica para os planos de crescimento da multinacional. A meta é fazer com que o desempenho da Danone no Brasil avance em ritmo superior ao registrado pela matriz francesa nos próximos anos.
O mercado de alimentos funcionais e proteicos tem apresentado crescimento consistente no país, impulsionado por consumidores interessados em hábitos de vida mais saudáveis. Com a expansão da produção, a Danone busca atender à demanda crescente e consolidar sua liderança em uma categoria que ganha cada vez mais espaço nas gôndolas e na preferência dos brasileiros.
Brasil
Alerj retoma atividades sob influência do calendário eleitoral
Primeira sessão do segundo semestre teve presença registrada de todos os deputados, mas maioria participou de forma remota enquanto pautas estratégicas ganham espaço na Assembleia.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) retomou, nesta terça-feira, os trabalhos legislativos do segundo semestre em um cenário marcado pela proximidade das eleições. A apenas 60 dias do pleito, a primeira sessão após o recesso parlamentar registrou a presença dos 70 deputados estaduais, embora a maior parte tenha participado remotamente, deixando o plenário com baixa ocupação.
Apesar do esvaziamento físico da sessão, os bastidores da Casa indicam um período de intensa movimentação política e administrativa nas próximas semanas. A expectativa é de que projetos econômicos considerados estratégicos pelo governo estadual dominem a pauta legislativa antes do avanço do calendário eleitoral.
Outro tema que deve mobilizar as discussões na Alerj é a análise das indicações para a Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp), além da disputa pela escolha de um novo integrante do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Ambos os assuntos são considerados relevantes para o funcionamento da administração pública e devem concentrar a atenção dos parlamentares.
O período pré-eleitoral tende a influenciar o ritmo das votações e das articulações políticas, uma vez que deputados passam a conciliar a agenda legislativa com compromissos relacionados às campanhas eleitorais. Ainda assim, a expectativa é de que temas de interesse econômico e institucional avancem antes da intensificação do processo eleitoral.
Com a retomada das atividades, a Assembleia entra em uma fase decisiva para a apreciação de matérias de impacto para o estado, em um contexto de maior atenção às negociações políticas e à definição de pautas prioritárias até a realização das eleições.
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