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Política

Medo do ‘fator Pablo Marçal’ assombra a direita

Lideranças de PP, PL, União Brasil e Republicanos temem que um novo outsider bolsonarista desestabilize a unidade do grupo e ameace os planos para 2026

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Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo / Crédito: Renato Pizzutto

O avanço das articulações para a eleição presidencial de 2026 trouxe à tona um temor dentro da direita: o chamado “fator Pablo Marçal”. A lembrança do fenômeno ocorrido em São Paulo, quando o influenciador digital atraiu parte significativa da base bolsonarista, assombra os caciques partidários. A preocupação é que o núcleo mais radical do bolsonarismo rejeite o nome oficial indicado por Jair Bolsonaro e impulsione um outsider fora de seu controle.

O presidente do PP, Ciro Nogueira, foi um dos primeiros a abordar o tema com Bolsonaro após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente. Segundo interlocutores, a conversa teve como objetivo principal pressionar Bolsonaro a definir um candidato competitivo, caso sua própria candidatura não seja viabilizada. A proposta trazia embutida a promessa de um futuro indulto presidencial, apresentado como mecanismo de “pacificação do país”.

Na mesma linha, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitou Bolsonaro e mudou sua postura política. Antes reticente, passou a admitir publicamente a defesa de um indulto ao ex-presidente, o que reforça a leitura de que está disposto a assumir a cabeça de chapa caso seja necessário.

Apesar das movimentações, a unidade da oposição ainda está longe de ser garantida. Os partidos do campo da direita — PP, PL, União Brasil e Republicanos — tentam costurar um acordo em torno de um único nome, mas carregam receios de que a militância mais fiel a Bolsonaro não aceite a decisão. O exemplo de 2024, em que parte do eleitorado rejeitou o apoio a Ricardo Nunes em favor de Pablo Marçal, serve de alerta. Como resumiu um dos envolvidos na campanha: “Bolsonaro perdeu completamente as rédeas do eleitorado dele.”

Outro fator de instabilidade é o papel de Eduardo Bolsonaro, que tem dado sinais de querer assumir protagonismo. Em recentes declarações, afirmou que “qualquer decisão política será tomada por nós” e chegou a ameaçar lançar sua própria candidatura. Essa movimentação gera apreensão entre dirigentes, que temem uma cisão interna no grupo e a repetição do cenário paulista em nível nacional.

O dilema é claro: o bolsonarismo nasceu da narrativa antipolítica e antissistema, mas hoje se apoia no Centrão para garantir sobrevivência política. Nesse vácuo, a vaga de “messias” parece aberta. A questão que ronda os bastidores é se Bolsonaro ainda terá força para segurar seus 20% de eleitores fiéis diante do risco de fragmentação do campo conservador.

Redação Saiba+

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Política

Rui Costa prega união e comenta rompimento de Angelo Coronel

Ex-governador da Bahia evita confronto direto e destaca importância da coesão política para as eleições

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Rui destaca unidade do grupo político e destaca movimento feito por Lídice em 2018 | Bnews - Divulgação Divulgação

O ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT), comentou publicamente sua relação com o senador Angelo Coronel (Republicanos), que recentemente rompeu com a base governista ao deixar o PSD para se alinhar politicamente ao grupo liderado por ACM Neto nas eleições deste ano.

Durante entrevista concedida nesta segunda-feira (13), no programa Giro Baiana, da rádio Baiana FM 89.3, com transmissão pela BNewsTV, Rui Costa adotou um tom conciliador e destacou que a manutenção da unidade do grupo político é fundamental para garantir competitividade no cenário eleitoral.

Mesmo diante do afastamento político, o ex-governador evitou críticas diretas ao agora adversário e reforçou a necessidade de preservar relações institucionais. A postura sinaliza uma estratégia de diálogo e equilíbrio em meio ao acirramento do ambiente pré-eleitoral na Bahia.

Rui também fez menção positiva ao deputado federal Diego Coronel (Republicanos), filho de Angelo Coronel, destacando sua atuação política. O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter pontes abertas, mesmo diante das divergências recentes.

O rompimento de Angelo Coronel com a base governista representa uma movimentação relevante no tabuleiro político baiano, especialmente em um ano decisivo para as articulações eleitorais. A reorganização de alianças e o reposicionamento de lideranças devem influenciar diretamente o equilíbrio de forças no estado.

Analistas políticos apontam que a capacidade de articulação e manutenção de alianças será determinante para o desempenho dos grupos nas urnas. Nesse contexto, o discurso de união adotado por Rui Costa reforça a importância da coesão interna como estratégia eleitoral.

Redação Saiba+

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Política

Rui Costa critica Bruno Reis por impasse em obra do Minha Casa Minha Vida

Entrega de residencial em Salvador é suspensa após Prefeitura barrar Habite-se, gerando troca de acusações políticas

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Ex-ministro criticou a não liberação de alvará para entrega de conjunto residencial | Bnews - Divulgação Devid Santana

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado, Rui Costa (PT), fez duras críticas ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), em meio à polêmica envolvendo a liberação do alvará do Residencial Zulmira Barros, empreendimento vinculado ao programa habitacional federal.

A controvérsia ganhou repercussão após a suspensão da entrega do conjunto habitacional, que estava prevista para a última quinta-feira (2) e contaria com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento foi inviabilizado após a Prefeitura de Salvador não autorizar a emissão do Habite-se, documento essencial para a ocupação legal do imóvel.

Rui Costa atribuiu responsabilidade direta à gestão municipal, afirmando que a decisão prejudicou centenas de famílias que aguardavam a entrega das moradias, além de comprometer a agenda institucional previamente organizada. O ex-governador da Bahia também destacou a importância do programa Minha Casa Minha Vida como política pública de inclusão social e acesso à moradia.

Por outro lado, a Prefeitura de Salvador sustenta que a liberação do Habite-se depende do cumprimento de exigências técnicas e legais, reforçando que os trâmites seguem critérios administrativos que visam garantir segurança e regularidade das obras. O impasse evidenciou divergências políticas e administrativas entre diferentes esferas de governo.

O episódio intensificou o debate político na capital baiana, especialmente diante do cenário pré-eleitoral. A troca de críticas entre lideranças reforça o clima de disputa e amplia a visibilidade do caso no cenário estadual, com impacto direto na opinião pública e nos desdobramentos políticos locais.

Enquanto isso, as famílias beneficiárias seguem na expectativa de uma solução para o impasse, aguardando a regularização do empreendimento e a definição de uma nova data para entrega das unidades habitacionais.

Redação Saiba+

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Política

Moraes interroga Eduardo Bolsonaro em ação sobre trama golpista

Depoimento por videoconferência marca avanço em processo que apura suposta coação à Justiça envolvendo o ex-deputado federal

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PGR denunciou Eduardo Bolsonaro por sua influência em sanções financeiras contra o Brasil | Bnews - Divulgação Marcelo Camargo

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, realiza nesta terça-feira (14) o interrogatório do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro no âmbito do processo que investiga uma suposta tentativa de coação à Justiça relacionada à chamada trama golpista. O depoimento será conduzido por videoconferência, reforçando o andamento das investigações em curso na Corte.

A oitiva integra uma fase considerada crucial do processo, em que o magistrado busca esclarecer eventuais responsabilidades e a participação direta do investigado nos fatos apurados. Eduardo Bolsonaro é acusado de ter atuado de forma a pressionar ou interferir em decisões judiciais, o que pode configurar crime de coação no curso do processo.

Segundo informações do andamento processual, o interrogatório permitirá que o ex-parlamentar apresente sua versão dos acontecimentos, além de responder a questionamentos formulados pelo relator. A medida ocorre após a coleta de outros depoimentos e análise de documentos que compõem o inquérito.

O caso está inserido em um conjunto mais amplo de investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal, que apuram ações articuladas para desacreditar instituições democráticas e influenciar o funcionamento do Judiciário brasileiro. O avanço das apurações tem sido acompanhado de perto por autoridades e pela opinião pública, dada a relevância institucional do tema.

Especialistas avaliam que esta etapa pode ser determinante para os próximos desdobramentos do processo, incluindo possíveis denúncias formais ou arquivamentos, a depender dos elementos reunidos. A condução do interrogatório por Alexandre de Moraes reforça o protagonismo do STF na condução de casos ligados à defesa da ordem democrática.

O resultado do depoimento deve impactar diretamente o ritmo das investigações e poderá abrir espaço para novas diligências ou encaminhamentos jurídicos nos próximos dias.

Redação Saiba+

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