Bahia
Fórum de Camaçari recebe Machado de Xangô
Peça ligada ao candomblé passa a integrar de forma permanente o espaço do Judiciário em iniciativa contra o racismo religioso

O Fórum da Comarca de Camaçari passou a contar com o assentamento permanente do Machado de Xangô, também conhecido como oxé, em uma solenidade que reuniu magistrados, advogados, representantes de terreiros e integrantes de movimentos sociais.
A iniciativa foi realizada por meio de uma parceria entre o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), com participação da subseção de Camaçari e de comissões temáticas da entidade.
A instalação da peça busca valorizar as tradições de matriz africana em espaços públicos e estabelecer uma relação entre o ambiente do Judiciário, a história cultural da Bahia e as ações de enfrentamento ao racismo religioso.
Símbolo de justiça e equilíbrio
Na tradição do candomblé, Xangô está associado à justiça, ao equilíbrio e à tomada de decisões. O oxé, representação simbólica ligada à divindade, foi escolhido para ocupar um espaço permanente no fórum.
Durante a solenidade, participantes destacaram que a presença da peça representa também o reconhecimento da diversidade cultural e religiosa existente na sociedade baiana.
A iniciativa foi apresentada como uma forma de aproximar o Poder Judiciário das comunidades tradicionais, especialmente diante dos episódios de intolerância e preconceito religioso enfrentados por praticantes de religiões de matriz africana.
Laicidade e respeito à diversidade
Durante os discursos realizados no saguão do fórum, os participantes ressaltaram que a laicidade do Estado não deve significar o apagamento de manifestações culturais e religiosas, mas a garantia de respeito e proteção às diferentes formas de fé.
O assentamento do Machado de Xangô também foi apontado como uma ação simbólica de valorização da cultura afro-brasileira e de combate ao racismo religioso em instituições públicas.
Com a instalação permanente do oxé, o Fórum de Camaçari passa a incorporar ao seu espaço uma referência à ancestralidade e às tradições de matriz africana, reforçando o debate sobre diversidade, liberdade religiosa e respeito às comunidades tradicionais.











