Política
Lula quer reforçar presença nas redes sociais
Após a disputa eleitoral de 2026, aliados defendem a manutenção de vídeos, transmissões ao vivo e uma comunicação mais direta com a população durante o quarto mandato do presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá ampliar sua presença nas redes sociais durante o quarto mandato. Após o segundo turno das eleições de 2026, aliados avaliam que a campanha eleitoral deixou uma lição importante: a necessidade de manter uma comunicação mais direta, frequente e próxima da população também no ambiente digital.
A estratégia envolve a continuidade de iniciativas adotadas na reta final da disputa eleitoral, como a publicação de vídeos gravados pelo próprio presidente, o envio de mensagens e a realização de transmissões ao vivo. A expectativa de integrantes do governo é que essas ferramentas sejam incorporadas à rotina de comunicação presidencial.
Um dos responsáveis por incentivar a mudança foi o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente na votação, Fonteles sugeriu que Lula passasse a gravar vídeos no formato selfie para compartilhar diretamente com os eleitores pelas redes sociais.
Inicialmente, o presidente demonstrou resistência à proposta e argumentou que não pretendia abandonar o contato presencial com a população. A posição, no entanto, mudou em pouco tempo. Lula aderiu ao formato e, segundo relatos de aliados, percebeu uma receptividade positiva às publicações.
Lula aposta em comunicação digital mais próxima
Para integrantes da campanha, a experiência reforçou a percepção de que a comunicação política precisa combinar mobilização nas ruas com uma presença constante nas plataformas digitais. A avaliação é que as redes sociais podem ajudar o presidente a estabelecer uma conexão mais direta com diferentes segmentos da população.
A mudança também representa uma tentativa de recuperar a proximidade com parte do eleitorado por meio de conteúdos produzidos em uma linguagem mais informal e acessível. A publicação de vídeos curtos e mensagens pessoais permite que Lula apresente suas posições sem depender exclusivamente de entrevistas, discursos oficiais ou da cobertura da imprensa.
Nos bastidores, aliados consideram que o presidente passou a compreender melhor o alcance das ferramentas digitais e seu potencial para influenciar o debate político. A experiência durante o segundo turno teria contribuído para ampliar a confiança na utilização desses recursos.
Celular foi presenteado por Rafael Fonteles
O envolvimento de Lula com as redes sociais ganhou um novo impulso na reta final da campanha. Na ocasião, Rafael Fonteles presenteou o presidente com um celular, que passou a ser utilizado para o envio de áudios e vídeos a apoiadores.
Entre os destinatários estava o canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) como instrumento de mobilização digital. A iniciativa busca fortalecer a circulação de mensagens favoráveis ao presidente e ampliar o engajamento de sua base de apoiadores.
Segundo relatos de pessoas próximas à campanha, a receptividade do público nas plataformas digitais surpreendeu positivamente Lula. Somada às manifestações presenciais, a interação virtual teria contribuído para fortalecer a mobilização política durante a etapa decisiva das eleições.
Estratégia pode continuar no quarto mandato
A experiência eleitoral abriu espaço para discussões sobre os rumos da comunicação do governo nos próximos anos. A expectativa entre aliados é que o contato direto de Lula com a população pelas redes sociais deixe de ser uma estratégia restrita às campanhas eleitorais e passe a integrar a comunicação institucional e política do presidente.
A possível continuidade das transmissões ao vivo, dos vídeos espontâneos e das mensagens direcionadas aos apoiadores poderá marcar uma nova fase na forma como Lula se comunica com os brasileiros.
O desafio será transformar a experiência da campanha em uma estratégia permanente, capaz de manter o diálogo com a população, ampliar o alcance das ações do governo e responder às demandas de uma sociedade cada vez mais conectada.











