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COP31: acordos climáticos enfrentam desafios

Conferência será realizada em novembro, na Turquia, com debates sobre redução de emissões, financiamento climático e transição energética; histórico de acordos evidencia a distância entre metas e resultados.

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A cidade de Antalya, na Turquia, sediará entre 9 e 20 de novembro de 2026 a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31). O encontro reunirá representantes de diversos países para discutir medidas de combate ao aquecimento global, redução das emissões de gases de efeito estufa e cumprimento das metas climáticas internacionais.

Entre os principais temas da conferência estão a transição energética, o financiamento climático, a adaptação aos impactos das mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e a segurança alimentar. Outro ponto central será a implementação dos compromissos assumidos pelos governos no âmbito do Acordo de Paris.

Embora a diplomacia climática tenha acumulado quase três décadas de negociações e acordos, permanece um desafio: transformar as decisões internacionais em ações concretas capazes de reduzir as emissões na velocidade necessária.

Os principais marcos da diplomacia climática

A trajetória dos acordos internacionais sobre o clima começou a ganhar força no início da década de 1990 e passou por diferentes etapas, com avanços nas metas, nos mecanismos de cooperação e no reconhecimento dos impactos do aquecimento global.

1992 — Rio de Janeiro e a Eco-92

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Eco-92, foi aberta para assinatura a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O documento estabeleceu as bases para a cooperação internacional no enfrentamento das mudanças climáticas e entrou em vigor em 1994.

1997 — Protocolo de Kyoto

Adotado durante a COP3, no Japão, o Protocolo de Kyoto estabeleceu metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para países industrializados. No primeiro período de compromisso, entre 2008 e 2012, a meta média era reduzir as emissões em 5% em relação aos níveis de 1990. O acordo entrou em vigor em 2005.

2009 — Conferência de Copenhague

A COP15 terminou com o Acordo de Copenhague, que não se tornou um tratado internacional vinculante. O documento reforçou o debate sobre a necessidade de limitar o aumento da temperatura global a 2°C e incentivou compromissos voluntários de redução de emissões.

As negociações também evidenciaram divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre responsabilidades, financiamento e distribuição dos esforços necessários para enfrentar a crise climática.

2015 — Acordo de Paris

Considerado um dos principais marcos da diplomacia climática, o Acordo de Paris foi adotado durante a COP21. O tratado estabeleceu um sistema de compromissos nacionais para enfrentar as mudanças climáticas, envolvendo países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Seu principal objetivo é manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e buscar esforços para limitar esse aumento a 1,5°C. O acordo entrou em vigor em novembro de 2016.

2021 — Pacto Climático de Glasgow

Na COP26, realizada na Escócia, os países aprovaram o Pacto Climático de Glasgow, que incluiu um chamado à redução gradual do uso de carvão sem controle de emissões e à eliminação de subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis.

A decisão representou um marco por mencionar explicitamente o carvão no texto final de uma conferência climática da ONU.

2023 — COP28 em Dubai

A conferência realizada nos Emirados Árabes Unidos marcou a conclusão do primeiro balanço global do Acordo de Paris. O resultado reconheceu a necessidade de acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, ampliar a capacidade de geração de energia renovável e melhorar a eficiência energética.

Apesar dos avanços, o balanço também evidenciou a distância entre os compromissos apresentados pelos países e a velocidade das mudanças necessárias.

2025 — COP30 em Belém

Realizada no Brasil, a COP30 colocou em destaque a atualização das metas climáticas nacionais, o financiamento, a adaptação e a implementação das medidas anunciadas pelos governos.

A conferência reforçou a importância de transformar os compromissos diplomáticos em políticas públicas e ações efetivas, especialmente diante dos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas.

O que avançou e o que continua atrasado?

Ao longo das últimas décadas, a diplomacia climática contribuiu para a criação de regras internacionais, o estabelecimento de metas nacionais e o fortalecimento da cooperação entre os países.

Uma das principais mudanças ocorreu na passagem do Protocolo de Kyoto para o Acordo de Paris. Enquanto o primeiro estabeleceu metas obrigatórias para determinados países industrializados, o segundo criou um sistema em que as nações apresentam suas próprias Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), com objetivos de redução de emissões e medidas climáticas.

Também houve expansão das fontes renováveis, como a energia solar e a eólica, além de maior atenção à adaptação e aos impactos sofridos por comunidades vulneráveis.

Outro avanço foi a ampliação das discussões sobre perdas e danos, que envolvem os prejuízos provocados pelas mudanças climáticas e a necessidade de recursos para ajudar países vulneráveis a enfrentar eventos extremos.

Apesar disso, persistem obstáculos importantes. As metas globais ainda são insuficientes para garantir o cumprimento dos objetivos de temperatura do Acordo de Paris, enquanto a implementação das políticas nacionais ocorre em ritmos diferentes.

Países em desenvolvimento também enfrentam dificuldades para obter recursos financeiros e tecnológicos necessários à adaptação e à transição para economias de baixa emissão de carbono.

COP31 terá foco na implementação dos compromissos

Às vésperas da conferência em Antalya, o principal desafio da diplomacia climática continua sendo aproximar as decisões políticas dos resultados concretos. A elaboração de metas e acordos internacionais avançou, mas a redução efetiva das emissões permanece aquém do necessário.

A COP31 deverá concentrar os debates na aceleração dos compromissos climáticos nacionais, na ampliação do financiamento e no fortalecimento das medidas de adaptação.

O encontro também será uma oportunidade para discutir como os governos podem transformar seus planos em políticas efetivas, ampliar a cooperação internacional e garantir apoio aos países mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.

A trajetória das conferências climáticas demonstra que a construção de consensos internacionais é possível, mas insuficiente quando não acompanhada de ações concretas. Em Antalya, a pressão estará voltada à implementação dos acordos e à busca por resultados compatíveis com a urgência da crise climática.

Redação Saiba+

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