Política
Governo e Congresso buscam trégua após impasse do IOF chegar ao STF
Reunião entre Haddad, Gleisi, Alcolumbre e Motta tenta construir consenso antes de audiência de conciliação marcada por Alexandre de Moraes

O governo federal deu um passo em direção à pacificação com o Congresso Nacional na noite desta terça-feira (8), ao promover uma reunião entre os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara dos Deputados e contou com a participação de líderes do governo nas duas Casas.
A pauta central foi o impasse em torno do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja validade foi suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado também invalidou a votação do Congresso que revogava o decreto do Executivo e convocou uma audiência de conciliação para o dia 15 de julho, na tentativa de evitar um confronto institucional entre os Poderes.
Segundo fontes ouvidas pela imprensa, o convite partiu de Motta e foi visto pelo Planalto como gesto positivo em meio à crise. A expectativa é que a reunião sirva para desarmar os ânimos e abrir espaço para uma solução negociada, sobretudo após a escalada das críticas mútuas nas últimas semanas.
A crise em torno do IOF ganhou corpo quando o Congresso derrubou, por ampla maioria, o decreto do presidente Lula que aumentava as alíquotas do imposto. O governo reagiu levando o caso ao STF. O ministro Moraes, ao intervir, sinalizou que a matéria exige mediação institucional.
Haddad prega diálogo e critica “Fla-Flu” político
Mais cedo, em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad defendeu um debate mais técnico sobre a política fiscal e lamentou o “Fla-Flu” entre Executivo e Legislativo. O ministro reforçou que há um esforço do governo para corrigir distorções de mercado, especialmente no setor financeiro, e criticou o que chamou de resistência da “turma da cobertura” a contribuir com o ajuste fiscal.
Haddad também questionou a influência política de 1% da população mais rica, que, segundo ele, paga menos impostos proporcionalmente do que os 99% restantes.
Medida Provisória para resolver “jabutis” nas eólicas offshore
Além do IOF, outro tema sensível discutido no encontro foi a medida provisória que o governo pretende apresentar para ajustar os chamados “jabutis” na recém-aprovada lei das eólicas offshore. A proposta, elaborada após reunião com o presidente Lula, busca rever dispositivos sem relação direta com o tema principal da legislação, como benefícios a Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), termelétricas e o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).
Entre as possibilidades estudadas está a redução da contratação obrigatória de 8 GW para 3 GW em PCHs, além da extensão dos contratos do Proinfa por dez anos com preços inferiores aos atuais. Também deve ser revista a compra de carvão, com valor inferior aos R$ 700/MWh estabelecidos na lei.
Enquanto isso, pagode e lobby
Em contraste com a tentativa de apaziguamento entre os Poderes, uma festa com show de pagode acontecia na residência vizinha à da Câmara para celebrar benefícios fiscais obtidos pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A coincidência chamou atenção pela simbologia: enquanto ministros discutiam a elevação do IOF, setores da economia comemoravam novas isenções.
O episódio ilustra o desafio do governo em equilibrar a responsabilidade fiscal com os interesses do setor produtivo e a necessidade de manter uma base aliada sólida no Congresso, especialmente diante de medidas impopulares.
Audiência decisiva
A audiência de conciliação no STF, marcada por Alexandre de Moraes para a próxima terça-feira, será determinante para o desfecho do caso. O governo espera convencer o ministro de que o decreto tem caráter regulatório e que o aumento do IOF é uma ferramenta legítima de política econômica.
Até lá, a ordem é baixar o tom e construir pontes.
Política
Eduardo Girão critica articulação da direita cearense com Ciro Gomes
Senador do Novo questiona apoio do PL a pré-candidatura de Ciro ao governo do Ceará e expõe divergências internas entre lideranças da direita.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou publicamente a articulação envolvendo setores da direita cearense e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que passou a contar com apoio do PL em sua pré-candidatura ao governo do Ceará. A movimentação política tem provocado debates e divergências dentro do campo oposicionista no estado.
A aproximação entre o PL e Ciro Gomes gerou desconforto entre lideranças da direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) defende o lançamento da candidatura de Girão ao Palácio da Abolição, reforçando sua preferência por um nome alinhado integralmente ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por outro lado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a se posicionar publicamente favorável à construção de uma ponte política com Ciro Gomes, ampliando o racha interno sobre a estratégia eleitoral no Ceará.
As declarações de Girão ocorrem em meio à reorganização das forças políticas no estado para o próximo ciclo eleitoral. O senador tem defendido maior coesão entre os grupos de direita e criticado alianças que envolvam antigos adversários políticos.
A disputa de narrativas dentro do campo conservador evidencia a dificuldade de unificação das siglas em torno de um único projeto para o governo cearense, especialmente diante da influência de diferentes lideranças nacionais na definição das estratégias locais.
Política
Delação de Daniel Vorcaro é rejeitada e situação segue indefinida
Após negativa da PF e da PGR, desdobramentos da Operação seguem em curso e STF avalia próximos passos sobre a custódia do investigado.

Desde que a segunda proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), uma sequência de desdobramentos tem movimentado os bastidores da investigação. Entre eles, estão o julgamento envolvendo a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro e novas fases da operação que também alcançaram figuras políticas de destaque.
Na mais recente etapa, a investigação mirou o líder do governo Lula no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA), ampliando o alcance do caso e reforçando a complexidade do inquérito em andamento. Até o momento, no entanto, ainda não há definição sobre o destino processual de Daniel Vorcaro após o insucesso das tratativas de colaboração.
Segundo fontes ligadas às discussões de bastidor, a tendência é que essa definição ocorra nos próximos desdobramentos do caso. O relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, tem sinalizado a possibilidade de manutenção da atual situação de custódia do investigado, que permanece na Superintendência da Polícia Federal.
As investigações seguem sob sigilo em parte de seus autos, enquanto os órgãos competentes analisam os elementos reunidos ao longo das fases da operação. A rejeição da delação é considerada um ponto de inflexão no andamento do caso, que ainda pode ter novos desdobramentos nas próximas semanas.
O processo continua em análise no STF, que deverá decidir os próximos encaminhamentos com base nas manifestações da PF e da PGR, além dos elementos já incorporados aos autos.
Política
PF amplia investigação e inclui familiares na Operação Compliance Zero
Nona fase da operação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas ao Banco Master; 18 mandados foram cumpridos em três estados.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, ampliando as investigações sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionado ao Banco Master. Além dos principais investigados, familiares dos envolvidos também foram alvo das medidas judiciais autorizadas durante a operação.
Entre os investigados estão o senador Jaques Wagner (PT), o bancário Augusto Ferreira Lima e o secretário do Meio Ambiente da Bahia (Sema), Eduardo Mendonça Sodré Martins. De acordo com a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer a existência de um possível esquema que teria beneficiado interesses ligados ao conglomerado financeiro.
Segundo as apurações, a PF suspeita que Jaques Wagner teria atuado para favorecer Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com o suposto apoio dos demais investigados. As suspeitas fazem parte do inquérito em andamento e ainda serão analisadas pela Justiça, não representando condenação dos citados.
Durante a operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e Distrito Federal. As diligências tiveram como objetivo reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.
A inclusão de familiares entre os alvos da operação ocorreu em razão de indícios que estão sendo analisados pelos investigadores sobre a possível movimentação e ocultação de bens e recursos. A Polícia Federal não divulgou detalhes sobre os materiais apreendidos nem sobre o conteúdo das investigações, que seguem sob sigilo em parte de seus procedimentos.
A Operação Compliance Zero integra um conjunto de ações voltadas ao combate de crimes financeiros e à apuração de possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos e empresários. Os investigados terão oportunidade de apresentar suas versões dos fatos e exercer plenamente o direito à ampla defesa e ao contraditório ao longo do processo.
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