Política
TCU aponta indícios de irregularidade em viagem de Eduardo Bolsonaro
Auditores recomendam apuração do uso de recursos públicos durante estadia nos EUA; ministro Benjamin Zymler decidirá os próximos passos

Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) identificaram “indícios suficientes de irregularidade” no uso de recursos públicos por parte do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante sua estadia nos Estados Unidos. O parecer da Diretoria de Fiscalização dos Poderes Legislativo e Judiciário, validado pela chefia de auditoria da Corte, foi encaminhado nesta sexta-feira (11) ao ministro Benjamin Zymler, relator do caso, a quem caberá decidir se seguirá a recomendação e solicitará apuração à Câmara dos Deputados.
O caso ganhou visibilidade após um pedido formal do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), que acusou Eduardo Bolsonaro de promover articulações no exterior contra a soberania nacional brasileira. Boulos chegou a citar o artigo do Código Penal que trata de negociações com governos ou grupos estrangeiros com fins hostis ao país.
De acordo com os técnicos do TCU, o relatório de presença no portal da transparência da Câmara mostra que Eduardo faltou a cinco sessões deliberativas neste ano, tendo justificado apenas uma ausência antes de se licenciar, em 20 de março, para tratamento de saúde e, posteriormente, por interesse particular. O tribunal observou ainda a ausência de desconto salarial pelas faltas não justificadas, o que contraria as normas da Casa.
A apuração considerou ainda um pedido de reembolso de passagem aérea internacional, no valor de R$ 8.180, feito em março de 2024 por meio da cota parlamentar. Embora o valor não atinja o limite mínimo de R$ 120 mil estabelecido como critério para abertura de tomada de contas especial, os auditores consideraram pertinente encaminhar o caso à unidade de controle interno da Câmara para investigação administrativa.
A recomendação atual contraria um parecer anterior de um auditor da unidade, que avaliou não haver elementos suficientes para investigação. No entanto, a chefia da diretoria de auditoria divergiu e reforçou a necessidade de apuração.
O caso se insere em um contexto político delicado. A manifestação do TCU ocorre dois dias após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma sobretaxa de 50% sobre exportações brasileiras, movimento visto por analistas como parte de uma ofensiva para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente investigado por uma série de ações no Brasil.
Além do processo no TCU, a viagem de Eduardo também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura eventuais articulações do parlamentar contra autoridades brasileiras no exterior.
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ter enviado cerca de R$ 2 milhões ao filho para cobrir gastos nos Estados Unidos, recurso que teria sido oriundo do saldo remanescente de sua campanha presidencial de 2022. Segundo ele, a remessa foi feita para evitar que Eduardo “passasse por dificuldades”.
Até o momento, Eduardo Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre o parecer do TCU.
Política
Michel Temer descarta candidatura à Presidência em 2026
Ex-presidente do MDB afirma que não disputará o Planalto e defende autonomia dos diretórios estaduais nas eleições

O ex-presidente Michel Temer (MDB) revelou a interlocutores que não será candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão encerra especulações sobre um possível retorno ao Palácio do Planalto e redefine o posicionamento do partido no cenário político nacional.
Segundo informações divulgadas na coluna de Paulo Capelli, do portal Metrópoles, Temer deixou claro que não pretende entrar na disputa presidencial. O ex-chefe do Executivo também defendeu que o MDB conceda liberdade aos seus diretórios estaduais para decidir os rumos da legenda na próxima eleição ao Planalto.
A declaração ocorre em um momento de articulações políticas e movimentações partidárias visando o pleito de 2026. O MDB, tradicional força política no Congresso Nacional, pode desempenhar papel estratégico tanto na formação de alianças quanto na definição de apoio a candidaturas majoritárias.
Ao defender a autonomia regional, Temer sinaliza uma estratégia de descentralização das decisões internas do partido, permitindo que cada diretório estadual avalie cenários locais e nacionais antes de formalizar posicionamentos.
A postura do ex-presidente também indica que o MDB deverá priorizar a construção de alianças e a consolidação de bancadas no Legislativo, em vez de investir em candidatura própria à Presidência da República.
Com a definição, o cenário eleitoral para 2026 segue em formação, enquanto partidos intensificam diálogos e estratégias visando a corrida ao Palácio do Planalto.
Política
Após denúncia de Diego Castro, governo publica edital para leilão do antigo Centro de Convenções
Decisão ocorre após denúncia do deputado estadual Diego Castro sobre as condições do imóvel localizado no Stiep, em Salvador

Após denúncia do deputado estadual Diego Castro (PL) sobre as condições do antigo Centro de Convenções, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) publicou, nesta quarta-feira (4), aviso de edital para a realização de leilão destinado à alienação do imóvel, localizado no bairro do Stiep, em Salvador.
Diego tem apresentado uma série de denúncias relacionadas a equipamentos públicos estaduais e, recentemente, divulgou nas redes sociais imagens do estado de abandono do antigo Centro de Convenções da Bahia, cobrando providências do Executivo baiano.
De acordo com a Secretaria da Administração do Estado (Saeb), o leilão será realizado de forma híbrida, com participação presencial e online, no dia 26 de março de 2026. Antes da sessão pública, o imóvel estará aberto para visitação entre os dias 6 e 19 de março, das 9h às 18h.
Conforme o edital, o vencedor deverá pagar, no ato da arrematação, o equivalente a 5% do valor do lote. O percentual restante, correspondente a 95%, deverá ser quitado à vista ou em até 24 horas após o encerramento do leilão.
Política
TSE suspende cassação de três vereadores de Lauro de Freitas por suposta fraude à cota de gênero
Decisão do Tribunal Superior Eleitoral mantém mandatos até julgamento definitivo e reacende debate sobre cota feminina nas eleições 2024

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu suspender a cassação de três vereadores eleitos em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), que haviam sido afastados pela Justiça Eleitoral estadual sob acusação de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024.
A decisão garante que os parlamentares permaneçam nos cargos até o julgamento final do mérito da ação. A medida foi concedida após recurso apresentado pelas defesas, que contestaram as acusações relacionadas ao cumprimento da legislação eleitoral sobre a participação mínima de candidaturas femininas.
A controvérsia gira em torno da chamada cota de gênero, prevista na Lei das Eleições, que determina que cada partido ou federação deve reservar no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas para cada sexo. A Justiça Eleitoral havia entendido que houve irregularidade na composição da chapa, caracterizando possível candidatura fictícia para cumprir formalmente a exigência legal.
Com a decisão do TSE, os efeitos da cassação ficam temporariamente suspensos, evitando alterações imediatas na composição da Câmara Municipal de Lauro de Freitas. O caso, no entanto, ainda será analisado de forma definitiva pelo colegiado da Corte Eleitoral.
Especialistas avaliam que o desfecho pode impactar outros processos semelhantes em andamento no país, especialmente diante do aumento de ações envolvendo suspeitas de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024.
A decisão também reforça o debate sobre a fiscalização das candidaturas e o cumprimento efetivo das políticas de incentivo à participação feminina na política brasileira, tema que tem sido alvo de atenção crescente da Justiça Eleitoral e da sociedade civil.
O julgamento definitivo ainda não tem data confirmada.
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