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Mães do 8 de Janeiro sofrem longe dos filhos

Seis mulheres com filhos pequenos seguem presas por participação nos atos do 8/1, com sentenças de até 17 anos, apesar de decisões judiciais anteriores que garantem prisão domiciliar para mães com crianças menores de 12 anos.

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Juliana, Ana Flávia, Jaqueline, Josilaine, Débora e Edineia são algumas das mães de filhos menores de idade que seguem presas devido aos atos do 8 de janeiro (Foto: Arquivo pessoal)

Juliana, Débora, Jaqueline, Josilaine, Ana Flávia e Edineia são mães de crianças pequenas que permanecem presas desde os atos de 8 de janeiro de 2023, mesmo com respaldo legal para receberem prisão domiciliar. Seus filhos enfrentam o trauma da separação e lidam com o vazio deixado pela ausência materna, enquanto juristas e defensores públicos questionam a legalidade e proporcionalidade das penas.

Juliana Gonçalves Lopes Barros, por exemplo, foi condenada a 17 anos de prisão, mesmo sendo mãe de três filhos, incluindo uma menina com asma. “A ausência da Juliana aqui não é só um vazio: é uma ferida aberta”, afirma o marido Paulo Henrique Barros. A defesa tentou diversas vezes a conversão da pena em domiciliar, prevista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para mães com filhos de até 12 anos, mas os pedidos foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes.

Juliana e família / Reprodução

A advogada Valquiria Sonelis da Silva lembra que a jurisprudência do STJ prevê o benefício mesmo após condenação. Um habeas corpus de 2018 do próprio Supremo Tribunal Federal (STF) reforça esse entendimento, ao determinar prisão domiciliar para todas as mulheres com filhos pequenos, desde que não tenham cometido crimes com violência ou grave ameaça.

O mesmo drama é vivido por Débora Chaves Caiado, de 43 anos, mãe de um menino com TDAH. Ela está presa novamente desde junho de 2024, após ter passado sete meses em liberdade. O filho, de apenas oito anos, recebe acompanhamento psicológico para lidar com a ausência materna. Segundo o pai, Débora sofre de depressão e já perdeu cerca de 15 kg. Embora não haja provas diretas de destruição, o laudo aponta apenas que ela estava no Palácio do Planalto e possuía vídeos dos danos.

Débora e família / Reprodução

Jaqueline Gimenez, mineira e mãe de dois filhos, também cumpre pena de 17 anos, baseada em fotos e vídeos tirados após os atos. “Ela está com presas comuns sem nunca ter cometido crime violento”, denuncia o marido. A defesa argumenta que Jaqueline foi condenada com base na tese de crimes multitudinários, sem provas de atos específicos de vandalismo ou violência.

Débora e filhos / Reprodução

Casos semelhantes envolvem Josilaine Cristina Santana, de Contagem (MG), condenada a 17 anos por ter filmado a quebra de vidraças no STF; Ana Flávia de Souza Monteiro, presa com base em vídeos feitos no acampamento em frente ao QG do Exército; e Edineia Paes da Silva, faxineira que afirma ter entrado no Palácio do Planalto em busca de proteção durante a dispersão. Todas são mães de crianças pequenas e permanecem presas.

A situação gerou críticas de juristas como o professor Pedro Sérgio dos Santos, doutor em Criminologia, que afirma que os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, pelos quais essas mulheres foram condenadas, são juridicamente “impossíveis” de serem cometidos nas condições dos atos do 8/1. Ele argumenta que, para configurar um golpe, seria necessário uso de meios eficazes, o que não se comprovou.

A cada novo depoimento, as histórias dessas mulheres revelam um padrão: prisões prolongadas, provas frágeis, filhos traumatizados e um sistema que parece ignorar garantias previstas em lei. Enquanto isso, as famílias continuam clamando por justiça e humanidade. “Por que minha mãe está presa?”, questiona Maria Eduarda, filha de Edineia, em um vídeo comovente. A resposta ainda não veio.

Redação Saiba+

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Daniel Vorcaro vende participação da Viking antes de ser preso

Ex-banqueiro negociou 55% da holding e deixou administração meses antes da operação policial

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Dois meses antes de ser preso, Daniel Vorcaro vendeu parte significativa de sua empresa, Viking Participações, em meio a investigações | Bnews - Divulgação Divulgação

Dois meses antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vendeu 55% da Viking Participações, uma de suas principais empresas, para um fundo de investimentos administrado pela Reag. A negociação ocorreu em um momento estratégico, já que a Viking é a holding patrimonial responsável por três aeronaves utilizadas pelo empresário, incluindo o jato em que ele pretendia viajar ao exterior no dia da prisão, em 17 de novembro.

Além da venda, Vorcaro também deixou a administração da companhia, transferindo o comando para um ex-despachante de Nova Lima (MG). A mudança chamou atenção de investidores e do mercado, especialmente pela relevância dos ativos controlados pela empresa.

Entre os bens da Viking está o Falcon 7X, aeronave de alto padrão cujo valor estimado gira em torno de R$ 200 milhões, segundo investidores. O jato seria utilizado por Vorcaro no dia em que foi detido, mas o plano foi interrompido pela ação policial. O ex-banqueiro permaneceu preso por 12 dias e foi liberado posteriormente.

A movimentação societária e a alteração no comando da Viking levantam questionamentos sobre o contexto das decisões tomadas por Vorcaro antes da operação que resultou em sua prisão. O caso segue repercutindo no meio empresarial e jurídico.

Redação Saiba+

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Lula defende o fim da escala 6×1

Presidente afirma que trabalhadores precisam de mais tempo para estudar e conviver com a família

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Lula diz que trabvalhadores necessitam de mais tempo para estudar e ter tempo de qualidade para ficar com a família | Bnews - Divulgação Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar em pauta o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ao defender, nesta quinta-feira (5), o fim da escala 6×1, modelo amplamente utilizado no comércio e em diversos setores de serviços. Segundo Lula, a mudança é necessária para garantir melhores condições de vida aos trabalhadores, especialmente jovens e mulheres, que enfrentam rotinas exaustivas e pouco tempo disponível para qualificação profissional ou convivência familiar.

Durante sua fala, o presidente destacou que o país precisa avançar em políticas que valorizem o trabalhador e promovam equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para ele, a revisão da escala atual é um passo importante para construir um ambiente laboral mais saudável e produtivo.

Lula argumentou que, com jornadas mais humanas, os trabalhadores terão mais oportunidades de estudar, se capacitar e fortalecer vínculos familiares, fatores que, segundo ele, impactam diretamente no desenvolvimento social e econômico do Brasil. A proposta reacende discussões sobre modernização das leis trabalhistas e possíveis impactos para empregadores e empregados.

Embora ainda não haja um projeto formal apresentado pelo governo, a declaração do presidente já movimenta especialistas, sindicatos e representantes do setor produtivo, que avaliam os possíveis desdobramentos da medida.

Redação Saiba+

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Datena é acionado na Justiça após acusação contra empresário absolvido

Processo envolve declarações sobre suposta ligação com o PCC; defesa de Valter Bispo contesta afirmações feitas pelo jornalista

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O jornalista Datena é processado após acusações de ligação com o PCC durante seu programa

O jornalista José Luiz Datena enfrenta um processo judicial após ter sido acionado em novembro de 2025 por declarações feitas em seu programa, nas quais acusou o empresário Valter da Silva Bispo, presidente da Transcap, de envolvimento com o PCC. A ação foi movida pelo próprio empresário, que afirma ter sido alvo de informações falsas e prejudiciais à sua imagem.

Valter Bispo foi preso em 2022, acusado de extorsão, lavagem de dinheiro e participação na facção criminosa, mas o caso tomou outro rumo no ano seguinte. Em 2023, após análise das provas e revisão do processo, o empresário foi absolvido de todas as acusações, sendo reconhecido que ele havia passado por um período de cárcere indevido.

A defesa de Bispo sustenta que as declarações de Datena reforçaram um estigma já superado judicialmente e contribuíram para danos morais e profissionais. O processo agora segue em tramitação, e o jornalista deverá responder pelas afirmações feitas publicamente.

O caso reacende o debate sobre responsabilidade na comunicação, especialmente quando envolve acusações graves e pessoas já absolvidas pela justiça.

Redação Saiba+

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