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Brasil

Viagem de Lula ao Japão custou R$ 4,5 milhões

Com prestações de contas incompletas e lista parcial de passageiros, governo alega sigilo sobre nomes e despesas; Janja viajou em classe executiva e gastou R$ 60 mil

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Lula na chegada ao Japão no aeroporto de Haneda, em Tóquio, com representantes do Legislativo Foto: Ricardo Stuckert / PR

A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Japão e ao Vietnã, realizada entre março e abril deste ano, envolveu uma comitiva oficial com mais de 220 pessoas e já custou aos cofres públicos pelo menos R$ 4,54 milhões. Os dados foram reunidos a partir de informações do Diário Oficial da União, do Painel de Viagens do Ministério do Planejamento e de ordens bancárias consultadas via o sistema Siga Brasil, do Senado Federal. Mesmo após mais de um mês do retorno, os números finais ainda não foram divulgados oficialmente, contrariando prazos legais para prestação de contas.

Entre os integrantes da missão estavam 11 parlamentares, ministros de Estado e dezenas de servidores dos principais órgãos da Presidência, como o Gabinete Pessoal, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a Secretaria de Comunicação (Secom), a Casa Civil e o Ministério das Relações Exteriores. De acordo com a Secom, somente os nomes das autoridades foram publicados oficialmente. As listas com integrantes das comitivas técnicas e de apoio foram classificadas com grau de sigilo reservado, o que permite que fiquem sob sigilo por até cinco anos.

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também participou da missão, tendo embarcado antes de Lula em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) com o chamado Escalão Avançado. Na volta, Janja usou passagens comerciais em classe executiva, com custo total de R$ 60.210,58, segundo registros do Painel de Viagens. A legislação restringe o uso da classe premium para ministros e servidores em cargos específicos e viagens superiores a sete horas — Janja, porém, não exerce função pública formal.

Cartão de embarque de Janja de Paris para São Paulo: voos de volta da primeira-dama, na classe executiva, custaram R$ 60 mil Foto: Latam / Reprodução

Durante a missão presidencial, mais de R$ 397 mil foram pagos pelo governo para locação de veículos com motoristas no Alasca, ponto de escala dos voos da FAB. Também foram pagos R$ 77,9 mil em hospedagens no hotel Crowne Plaza, em Anchorage. A maior parte dos gastos está concentrada no pagamento de diárias e passagens — o caso mais oneroso foi o do secretário-executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, cuja viagem custou R$ 112,2 mil.

O deputado federal Juscelino Filho (União-MA), ex-ministro das Comunicações, também participou da viagem e gastou quase R$ 100 mil. Ele foi denunciado pela PGR por desvio de verbas e pediu demissão poucos dias após retornar ao Brasil.

A viagem ao Japão representa, até o momento, a maior comitiva internacional do terceiro mandato de Lula. A título de comparação, na Assembleia-Geral da ONU em 2024, o petista levou cerca de 100 pessoas aos Estados Unidos.

Nesta semana, Lula embarcou para Moscou, na Rússia, em sua 29ª viagem internacional desde janeiro de 2023. A nova missão também conta com presença da primeira-dama e de parlamentares aliados, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o vice da Câmara, Elmar Nascimento (União-BA).

A prestação de contas incompleta e o uso de recursos públicos sem transparência têm gerado críticas de parlamentares da oposição, que cobram explicações sobre os critérios adotados para escolha dos integrantes das comitivas e os valores empenhados em cada missão presidencial.

Redação Saiba+

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Brasil

Daniel Vorcaro vende participação da Viking antes de ser preso

Ex-banqueiro negociou 55% da holding e deixou administração meses antes da operação policial

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Dois meses antes de ser preso, Daniel Vorcaro vendeu parte significativa de sua empresa, Viking Participações, em meio a investigações | Bnews - Divulgação Divulgação

Dois meses antes de ser preso, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vendeu 55% da Viking Participações, uma de suas principais empresas, para um fundo de investimentos administrado pela Reag. A negociação ocorreu em um momento estratégico, já que a Viking é a holding patrimonial responsável por três aeronaves utilizadas pelo empresário, incluindo o jato em que ele pretendia viajar ao exterior no dia da prisão, em 17 de novembro.

Além da venda, Vorcaro também deixou a administração da companhia, transferindo o comando para um ex-despachante de Nova Lima (MG). A mudança chamou atenção de investidores e do mercado, especialmente pela relevância dos ativos controlados pela empresa.

Entre os bens da Viking está o Falcon 7X, aeronave de alto padrão cujo valor estimado gira em torno de R$ 200 milhões, segundo investidores. O jato seria utilizado por Vorcaro no dia em que foi detido, mas o plano foi interrompido pela ação policial. O ex-banqueiro permaneceu preso por 12 dias e foi liberado posteriormente.

A movimentação societária e a alteração no comando da Viking levantam questionamentos sobre o contexto das decisões tomadas por Vorcaro antes da operação que resultou em sua prisão. O caso segue repercutindo no meio empresarial e jurídico.

Redação Saiba+

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Lula defende o fim da escala 6×1

Presidente afirma que trabalhadores precisam de mais tempo para estudar e conviver com a família

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Lula diz que trabvalhadores necessitam de mais tempo para estudar e ter tempo de qualidade para ficar com a família | Bnews - Divulgação Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar em pauta o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ao defender, nesta quinta-feira (5), o fim da escala 6×1, modelo amplamente utilizado no comércio e em diversos setores de serviços. Segundo Lula, a mudança é necessária para garantir melhores condições de vida aos trabalhadores, especialmente jovens e mulheres, que enfrentam rotinas exaustivas e pouco tempo disponível para qualificação profissional ou convivência familiar.

Durante sua fala, o presidente destacou que o país precisa avançar em políticas que valorizem o trabalhador e promovam equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para ele, a revisão da escala atual é um passo importante para construir um ambiente laboral mais saudável e produtivo.

Lula argumentou que, com jornadas mais humanas, os trabalhadores terão mais oportunidades de estudar, se capacitar e fortalecer vínculos familiares, fatores que, segundo ele, impactam diretamente no desenvolvimento social e econômico do Brasil. A proposta reacende discussões sobre modernização das leis trabalhistas e possíveis impactos para empregadores e empregados.

Embora ainda não haja um projeto formal apresentado pelo governo, a declaração do presidente já movimenta especialistas, sindicatos e representantes do setor produtivo, que avaliam os possíveis desdobramentos da medida.

Redação Saiba+

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Datena é acionado na Justiça após acusação contra empresário absolvido

Processo envolve declarações sobre suposta ligação com o PCC; defesa de Valter Bispo contesta afirmações feitas pelo jornalista

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O jornalista Datena é processado após acusações de ligação com o PCC durante seu programa

O jornalista José Luiz Datena enfrenta um processo judicial após ter sido acionado em novembro de 2025 por declarações feitas em seu programa, nas quais acusou o empresário Valter da Silva Bispo, presidente da Transcap, de envolvimento com o PCC. A ação foi movida pelo próprio empresário, que afirma ter sido alvo de informações falsas e prejudiciais à sua imagem.

Valter Bispo foi preso em 2022, acusado de extorsão, lavagem de dinheiro e participação na facção criminosa, mas o caso tomou outro rumo no ano seguinte. Em 2023, após análise das provas e revisão do processo, o empresário foi absolvido de todas as acusações, sendo reconhecido que ele havia passado por um período de cárcere indevido.

A defesa de Bispo sustenta que as declarações de Datena reforçaram um estigma já superado judicialmente e contribuíram para danos morais e profissionais. O processo agora segue em tramitação, e o jornalista deverá responder pelas afirmações feitas publicamente.

O caso reacende o debate sobre responsabilidade na comunicação, especialmente quando envolve acusações graves e pessoas já absolvidas pela justiça.

Redação Saiba+

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