Brasil
Aumento do IOF pressiona preços das passagens aéreas
Com vaivém de decisões, medida afeta viajantes, provoca racha interno no Planalto e reacende críticas da oposição sobre alta da carga tributária no Brasil

O recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), seguido por um recuo parcial do governo, abriu mais uma crise de comunicação no Palácio do Planalto e ampliou o desgaste político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, que encarece viagens internacionais e remessas para o exterior, gerou desconforto entre ministros, insatisfação no mercado e uma enxurrada de críticas nas redes sociais e no Congresso — especialmente vindas da oposição bolsonarista.
Na prática, a alíquota do IOF para operações como compra de moeda estrangeira em espécie e transferência entre contas no exterior de mesmo titular subiu de 1,1% para 3,5%, um aumento de 218%. Ainda que o impacto sobre o uso de cartões internacionais tenha sido mais leve — passando de 3,38% para 3,5% — a medida não passou despercebida.
A decisão foi anunciada pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas sem articulação prévia com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada por Sidônio Palmeira. O descompasso gerou críticas internas e expôs, mais uma vez, a falta de coordenação entre áreas estratégicas do governo, que já haviam se estranhado em episódios anteriores, como na “taxa da blusinha” e na tentativa frustrada de fiscalizar transações via Pix.
A avaliação interna no Planalto é que a estratégia da Fazenda foi equivocada, ao tentar conciliar o anúncio da alta do IOF com o bloqueio de R$ 31 bilhões no orçamento de 2025, uma tentativa de sinalizar responsabilidade fiscal ao mercado. No entanto, a comunicação falha fez com que a repercussão fosse majoritariamente negativa.
Levantamento da consultoria Bites mostrou que mais de 70% das menções nas redes sociais ao aumento do IOF foram críticas. Em dois dias, o tema acumulou mais de 144 mil postagens, sendo 72,6% com teor negativo. A oposição, capitaneada por Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Sergio Moro e André Fernandes, não perdeu tempo: reforçou a narrativa de que o governo “taxa tudo e todos”, resgatando o apelido pejorativo “Taxad” para o ministro Haddad.
A base governista, por sua vez, demonstrou pouca disposição para defender a medida. Apenas um parlamentar petista — o deputado Bohn Gass (PT) — saiu em defesa pública do governo. O silêncio constrangedor de outros aliados mostra o nível de desgaste causado por anúncios econômicos que nascem sem respaldo político e são revistos dias depois, minando a credibilidade da gestão.
Além disso, a medida teve impacto direto no bolso de brasileiros com viagens marcadas. Para uma remessa de R$ 10 mil ao exterior, o custo do IOF passou de R$ 110 para R$ 350. Especialistas em finanças recomendam antecipar a compra de moeda estrangeira e readequar o planejamento financeiro para evitar surpresas de última hora.
A decisão de revogar parte do decreto, mantendo a alíquota zero para aplicações de fundos nacionais no exterior, buscou reduzir o impacto no mercado, mas já era tarde. O estrago estava feito. O episódio se junta a uma sequência de anúncios desastrosos, como a taxação de compras internacionais de pequeno valor e o monitoramento do Pix, ambos recuados após pressões populares e da oposição.
O ex-presidente Jair Bolsonaro aproveitou para lembrar que, em 2022, zerou o IOF do câmbio até 2028 e classificou a reversão da política como “afronta à competitividade e ao investimento externo”. Parlamentares aliados reforçaram o discurso de que o governo Lula age com improviso e onera cada vez mais o cidadão comum com impostos.
O governador Romeu Zema (Novo-MG) também entrou no debate, alertando para uma possível crise de confiança no ambiente de negócios. “Essa medida precisa ser revogada imediatamente, ou o país vai piorar ainda mais”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
A falta de articulação entre os setores do governo, somada ao cenário econômico instável e ao avanço da oposição nas redes, contribui para um ambiente político cada vez mais hostil para Lula e seu núcleo econômico. Se o bolsonarismo conseguir manter o impulso nas urnas em 2026 e dominar o Senado, o governo poderá enfrentar dificuldades reais para manter trunfos sobre o STF e para aprovar pautas econômicas que envolvam ajustes fiscais e novas arrecadações.
Brasil
Empresas começam a adotar escala 5×2 antes do fim da jornada 6×1
Novo modelo garante dois dias de folga por semana e ganha espaço enquanto proposta de mudança na jornada avança no Congresso

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 começa a provocar mudanças no setor privado. Enquanto a proposta que prevê alterações na jornada de trabalho avança no Congresso Nacional, empresas de diferentes segmentos já decidiram antecipar a adoção da escala 5×2, modelo em que o trabalhador atua durante cinco dias e tem dois dias de folga por semana.
Atualmente, a escala 6×1 permite que o trabalhador tenha apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho, conforme a organização da jornada. Com a mudança para o modelo 5×2, a distribuição semanal passa a contemplar dois dias de descanso.
Proposta de mudança na jornada avança no Congresso
A discussão ganhou força com a tramitação de uma proposta que prevê o fim da escala 6×1 e estabelece uma jornada de até 40 horas semanais, distribuída em cinco dias.
O texto aprovado pela Câmara dos Deputados segue em análise no Senado Federal, onde tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O relator da matéria, senador Omar Aziz (PSD), já sinalizou parecer favorável à proposta, aumentando a expectativa em torno da votação.
Apesar de o debate ainda estar em andamento e de não haver uma definição final sobre a mudança constitucional, empresas não precisam aguardar uma eventual aprovação para reorganizar suas jornadas.
Redes de farmácias e supermercados antecipam mudança
Entre as empresas que passaram a adotar ou iniciar a implementação do modelo 5×2 estão grandes redes do setor de farmácias, como Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Pacheco e Savegnago.
No segmento de supermercados, empresas como Extrabom, Supernosso e Pague Menos também começaram a implementar o formato com dois dias de descanso semanal.
A mudança representa uma alteração significativa na organização das escalas, principalmente para trabalhadores que estavam submetidos ao modelo 6×1.
Escala 5×2 não significa necessariamente jornada de 40 horas
Um ponto importante é que a adoção da escala 5×2 não significa, automaticamente, redução da jornada semanal para 40 horas.
Em alguns casos, as empresas mantiveram a carga de 44 horas semanais, modificando principalmente a distribuição dos dias de trabalho e descanso. Dessa forma, o trabalhador passa a ter dois dias de folga, mas a quantidade total de horas trabalhadas durante a semana pode permanecer a mesma.
A diferença entre os modelos está, portanto, na organização da jornada. Na escala 5×2, o trabalhador trabalha cinco dias e descansa dois; já na 6×1, são seis dias de trabalho para apenas um dia de folga.
Mudança pode ganhar força com avanço da proposta
A adoção antecipada do modelo por empresas de diferentes setores ocorre em meio ao aumento da pressão pelo fim da escala 6×1 no Brasil. Caso a proposta avance no Senado e seja posteriormente aprovada nas demais etapas do processo legislativo, o cenário da jornada de trabalho poderá passar por uma transformação mais ampla.
Enquanto isso, empresas têm autonomia para negociar e reorganizar suas escalas dentro das regras trabalhistas vigentes. A tendência é que o debate sobre qualidade de vida, descanso semanal e jornada de trabalho continue ganhando espaço entre empregadores, trabalhadores e representantes do Congresso.
Brasil
Conta de energia fica mais barata em cinco estados
Redução nas tarifas começa nesta quarta-feira e pode chegar a 10,63% para consumidores do Norte e Nordeste

Consumidores de cinco estados das regiões Norte e Nordeste passam a contar, a partir desta quarta-feira (26), com redução nas tarifas de energia elétrica. A medida beneficia clientes atendidos por cinco distribuidoras e prevê descontos que variam de 1,36% a 10,63%, conforme a empresa responsável pelo fornecimento.
A redução foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) durante reunião pública realizada em 11 de agosto. A mudança alcança consumidores atendidos pela Energisa Acre, Energisa Rondônia, Enel Ceará, Energisa Tocantins e Sulgipe.
Veja os descontos por distribuidora
Os percentuais de redução aplicados às tarifas são diferentes em cada área de concessão:
- Energisa Acre: redução de 5,20%
- Energisa Rondônia: redução de 10,63%
- Enel Ceará: redução de 6,65%
- Sulgipe: redução de 4,63%
- Energisa Tocantins: redução de 1,36%
Com a atualização, o impacto na conta de luz dependerá do consumo de cada unidade e da composição da fatura. Ainda assim, a medida representa uma redução direta nas tarifas cobradas pelas distribuidoras contempladas.
Bilhões serão repassados às distribuidoras
Segundo a Aneel, a redução está relacionada ao repasse de R$ 5,48 bilhões às distribuidoras de energia elétrica. Os recursos são provenientes da repactuação do Uso de Bem Público (UBP).
O UBP corresponde a uma cobrança paga pelas empresas responsáveis pela geração hidrelétrica à União pelo direito de utilizar recursos hídricos na produção de eletricidade. A repactuação possibilitou o direcionamento dos valores para as distribuidoras, contribuindo para a redução tarifária.
Consumidor deve sentir efeito na fatura
A aplicação dos novos percentuais ocorre de acordo com a área de atendimento de cada distribuidora. Por isso, o desconto será percebido pelos consumidores a partir do ciclo de faturamento correspondente à vigência das novas tarifas.
A medida atinge diferentes perfis de consumidores, incluindo residências, estabelecimentos comerciais e outras unidades atendidas pelas concessionárias beneficiadas.
A atualização das tarifas faz parte dos processos periódicos conduzidos pela Aneel para definir os valores cobrados pelas distribuidoras e ajustar componentes que influenciam o preço final da energia elétrica.
Brasil
Casas Bahia sofre nova derrota na Justiça
TRT-10 extingue recurso apresentado pela empresa e mantém liminar que determina a retomada provisória dos contratos de funcionários demitidos em massa

O Grupo Casas Bahia sofreu uma nova derrota na Justiça do Trabalho ao tentar suspender a decisão que determinou o restabelecimento dos contratos de trabalhadores atingidos por uma série de demissões em massa realizadas neste mês.
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) extinguiu, sem análise do mérito, o mandado de segurança apresentado pela empresa. A decisão foi tomada na noite desta segunda-feira (24), pela juíza Sandra Nara Bernardo Silva.
Com a decisão, permanece válida a liminar concedida anteriormente pela Justiça do Trabalho, que determinou a retomada provisória dos vínculos empregatícios dos funcionários afetados pelas demissões.
Contratos devem ser restabelecidos
A determinação judicial estabelece que a Casas Bahia deverá restabelecer os contratos de trabalho e os benefícios dos funcionários no prazo de cinco dias após ser oficialmente intimada.
A medida envolve trabalhadores atingidos pelo processo de desligamentos em massa promovido pela companhia. O número exato de pessoas alcançadas pela decisão varia conforme os documentos apresentados no processo, ficando entre aproximadamente 1,9 mil e 3 mil funcionários.
Além da retomada dos vínculos, a determinação também preserva, de forma provisória, os direitos e benefícios relacionados aos contratos de trabalho enquanto a discussão judicial continua.
Empresa tentou reverter decisão
A Casas Bahia recorreu à Justiça do Trabalho na tentativa de derrubar a decisão anterior, utilizando um mandado de segurança. No entanto, o TRT-10 decidiu extinguir o instrumento processual sem entrar na discussão sobre o mérito do pedido apresentado pela companhia.
Na prática, a decisão mantém os efeitos da liminar concedida pela 11ª Vara do Trabalho de Brasília até que novas decisões sejam tomadas no processo.
O caso envolve uma das maiores redes varejistas do país e ocorre em meio a um período de reestruturação da empresa. As demissões em massa provocaram reação dos trabalhadores e levaram a disputa para a Justiça do Trabalho.
Decisão mantém pressão sobre a companhia
Com a manutenção da liminar, a Casas Bahia terá de cumprir a determinação judicial dentro do prazo estabelecido, sob pena de sofrer as consequências previstas no processo.
A discussão deverá continuar na Justiça, que ainda poderá analisar outros recursos e pedidos apresentados pelas partes. Até uma eventual nova decisão, permanecem em vigor as determinações relacionadas ao restabelecimento dos contratos.
O episódio reforça a atenção sobre os efeitos jurídicos de processos de demissão coletiva e sobre a necessidade de observância das regras trabalhistas durante grandes reestruturações empresariais.
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