Brasil
Por que Lula deixou de ser ‘o cara’ no exterior e passou a ser visto como aliado de regimes autoritários
Presidente insiste em pautas internacionais controversas, perde apoio nas democracias ocidentais e compromete a imagem do Brasil no cenário global

Durante seus primeiros mandatos, Luiz Inácio Lula da Silva foi celebrado internacionalmente como um exemplo de liderança popular em meio ao boom das commodities. Hoje, no entanto, o cenário é outro. Lula vê sua imagem se desgastar lá fora na mesma velocidade em que sua popularidade desaba dentro do Brasil.
Em 22 de junho, após os Estados Unidos bombardearem instalações nucleares iranianas, o governo brasileiro divulgou nota condenando veementemente a ação americana. Classificou os ataques como “violação da soberania do Irã e do direito internacional”. A postura, em desalinho com as democracias ocidentais, reforça a guinada de Lula na política externa, aproximando o Brasil de países com regimes autoritários.
O ponto alto dessa aproximação será a cúpula dos BRICS nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, com participação do Irã, novo membro do bloco. Comandado atualmente por Lula, o grupo, que já foi símbolo de influência emergente, agora se torna um reduto desconfortável para o Brasil, à medida que China e Rússia o utilizam como instrumento de suas agendas autoritárias.
“Quanto mais a China transforma os BRICS em um instrumento de sua política externa, e quanto mais a Rússia usa o grupo para legitimar sua guerra na Ucrânia, mais difícil será para o Brasil sustentar sua posição de país não-alinhado”, afirma um diplomata ouvido sob anonimato.
A diplomacia brasileira tenta conter os danos, propondo temas neutros como cooperação em vacinas e energia verde. Mas a incoerência da política externa salta aos olhos. Lula não se encontrou com Donald Trump desde que este reassumiu a presidência dos EUA em janeiro. Enquanto isso, visitou Xi Jinping duas vezes e foi a Moscou participar de eventos oficiais com Vladimir Putin.
Essa escolha de alianças provoca constrangimento. Em maio, Lula foi o único líder de uma democracia relevante a participar das comemorações da Segunda Guerra em Moscou, tentando, sem sucesso, convencer Putin de que o Brasil poderia mediar o fim do conflito na Ucrânia.
O presidente brasileiro também rompe com vizinhos, como o presidente argentino Javier Milei, e abraçou regimes como o de Nicolás Maduro, da Venezuela. Apesar disso, permanece omisso em crises regionais como a do Haiti e não lidera qualquer frente contra as políticas migratórias agressivas dos EUA.
No plano interno, o desgaste é evidente. A popularidade de Lula gira em torno de 40%, com apenas 28% dos brasileiros aprovando seu governo. No Congresso, sofreu derrota histórica ao ter um decreto revogado, algo inédito em mais de três décadas.
Enquanto isso, a direita brasileira segue órfã de liderança clara após o declínio de Jair Bolsonaro, mas pode se reagrupar rapidamente caso surja um novo nome competitivo para 2026. E Lula, isolado e incoerente, segue insistindo em se posicionar como protagonista em assuntos internacionais onde o Brasil não tem peso real.
Para especialistas, o Brasil deveria focar nas suas prioridades internas e regionais, como segurança, educação, infraestrutura e integração latino-americana, em vez de alimentar uma fantasia de protagonismo global.
Brasil
Flávio Dino cancela presença no Fórum de Lisboa após acidente doméstico
Ministro do STF sofreu fratura e rompimento de ligamento após queda em casa e seguirá recomendações médicas durante período de recuperação.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, cancelou sua participação presencial na 14ª edição do Fórum de Lisboa, evento jurídico que será realizado entre os dias 1º e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal.
A decisão foi tomada após o magistrado sofrer um acidente doméstico que resultou em uma fratura e no rompimento de um ligamento. Segundo informações divulgadas por sua assessoria, Dino está em recuperação e permanecerá em São Luís, no Maranhão, seguindo orientações médicas.
Apesar do susto, o ministro passa bem e não apresenta complicações mais graves decorrentes da queda. No entanto, os profissionais responsáveis pelo acompanhamento de sua saúde recomendaram que ele evite viagens longas, especialmente voos internacionais, durante o período de tratamento e reabilitação.
O Fórum de Lisboa é considerado um dos principais encontros voltados ao debate de temas jurídicos, institucionais e políticos que envolvem Brasil e Europa. A programação reúne anualmente ministros de tribunais superiores, juristas, acadêmicos, autoridades públicas e especialistas para discutir questões relacionadas à democracia, inovação, tecnologia, governança e direitos fundamentais.
A ausência de Flávio Dino chama atenção pela relevância de sua participação nos debates sobre temas constitucionais e institucionais, áreas em que o ministro tem atuado de forma destacada desde sua chegada ao Supremo Tribunal Federal.
A expectativa é que o magistrado concentre seus compromissos profissionais de forma remota ou diretamente da capital maranhense até que esteja totalmente recuperado. O período de afastamento de viagens busca garantir uma recuperação adequada e evitar possíveis complicações relacionadas à lesão.
O episódio reforça a importância dos cuidados médicos após acidentes domésticos, que frequentemente podem resultar em lesões significativas mesmo em situações aparentemente simples. Casos envolvendo fraturas e rompimentos ligamentares normalmente exigem acompanhamento especializado e períodos específicos de reabilitação.
Enquanto segue em recuperação, Flávio Dino permanece afastado de deslocamentos internacionais, mas deve continuar acompanhando suas atividades institucionais conforme orientação da equipe médica. A expectativa é de que novas informações sobre seu estado de saúde sejam divulgadas à medida que o tratamento avance.
A realização do Fórum de Lisboa segue mantida com a participação de outras autoridades e especialistas convidados, consolidando o evento como um dos mais importantes espaços de discussão jurídica da comunidade lusófona.
Brasil
Carolina Soil anuncia fábrica de R$ 100 milhões em São Paulo
Empresa líder em substratos para mudas vai ampliar capacidade produtiva com nova unidade automatizada prevista para iniciar operações em 2027.

A Carolina Soil, referência nacional no mercado de substratos para produção de mudas, anunciou um investimento superior a R$ 100 milhões na construção de uma nova fábrica no município de Pardinho, no interior de São Paulo. O empreendimento representa o maior aporte realizado pela companhia em seus 25 anos de atuação no setor.
A nova unidade industrial tem previsão para entrar em operação no primeiro trimestre de 2027 e integra a estratégia de expansão da empresa para atender à crescente demanda do agronegócio brasileiro. O projeto reforça o compromisso da companhia com inovação, tecnologia e aumento da capacidade produtiva.
Desde 2021, a Carolina Soil é controlada pelo grupo dinamarquês Pindstrup, uma das principais empresas globais do segmento. Com o novo investimento, a expectativa é que a companhia consiga dobrar sua capacidade de produção, fortalecendo sua posição de liderança no mercado nacional de substratos.
A futura planta industrial contará com equipamentos de última geração e operação totalmente automatizada, permitindo maior eficiência nos processos produtivos, padronização da qualidade e ampliação da competitividade da empresa no setor agrícola.
O investimento também deverá gerar impactos positivos para a economia regional, impulsionando a atividade industrial e criando oportunidades relacionadas à cadeia produtiva do agronegócio. A escolha de Pardinho para sediar o empreendimento está alinhada à estratégia logística da empresa e ao potencial de crescimento da região.
A expansão ocorre em um momento de forte desenvolvimento do agronegócio brasileiro, que demanda soluções cada vez mais modernas para a produção de mudas e cultivos de alta produtividade. Nesse contexto, o mercado de substratos vem registrando crescimento impulsionado pela busca por eficiência e sustentabilidade no campo.
Com a nova fábrica, a Carolina Soil reforça sua aposta no futuro do agronegócio nacional e amplia sua capacidade de atender produtores em diferentes regiões do país. O projeto também consolida a presença do grupo Pindstrup no Brasil, fortalecendo investimentos voltados à inovação e à modernização da indústria agrícola.
A expectativa é que a nova unidade se torne uma referência tecnológica no setor, contribuindo para o avanço da produção agrícola e para o fortalecimento da cadeia de fornecimento de insumos destinados ao desenvolvimento de mudas de alta qualidade.
Brasil
Morre Angelita Habr-Gama, ícone da medicina brasileira
Referência mundial em coloproctologia e pioneira da cirurgia no Brasil, médica faleceu aos 92 anos após décadas de contribuição à ciência e à saúde.

A medicina brasileira perdeu neste sábado (30) uma de suas personalidades mais respeitadas e influentes. Angelita Habr-Gama, considerada uma das maiores referências mundiais em coloproctologia e uma das pioneiras da cirurgia no Brasil, faleceu aos 92 anos, em São Paulo.
Reconhecida internacionalmente por suas contribuições científicas e por sua dedicação ao desenvolvimento da medicina, a especialista construiu uma trajetória marcada por inovação, pesquisa e formação de gerações de profissionais da saúde.
A médica estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição à qual dedicou mais de seis décadas de atuação profissional. Ao longo de sua carreira, Angelita Habr-Gama tornou-se sinônimo de excelência médica e protagonizou avanços importantes no tratamento de doenças colorretais, conquistando reconhecimento dentro e fora do Brasil.
Sua atuação revolucionou conceitos na área da coloproctologia, especialmente em pesquisas relacionadas ao tratamento do câncer colorretal, contribuindo para a evolução de protocolos médicos e para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pacientes.
Além do legado científico, Angelita também se destacou por sua participação na formação acadêmica de novos médicos e especialistas. Sua produção intelectual e seu trabalho em instituições de ensino ajudaram a consolidar o Brasil como referência em diversas áreas da cirurgia e da pesquisa médica.
O falecimento da cirurgiã gerou grande comoção entre profissionais da saúde, entidades médicas, ex-alunos e pacientes, que destacaram sua competência, humanidade e dedicação à medicina ao longo de mais de 60 anos de carreira.
Considerada uma das mulheres mais influentes da história da medicina brasileira, Angelita Habr-Gama deixa um legado permanente para a ciência, a educação e o atendimento médico no país. Seu trabalho continuará servindo de inspiração para futuras gerações de profissionais comprometidos com a pesquisa, a inovação e a excelência na assistência à saúde.
A trajetória da médica permanece como um marco na história da medicina nacional, consolidando seu nome entre os maiores especialistas que ajudaram a transformar a prática médica e o conhecimento científico no Brasil.
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