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Putin ordena maior ataque aéreo à Ucrânia após conversa frustrada com Trump

Bombardeio com 539 drones e 11 mísseis atinge Kiev e outras regiões poucas horas depois de telefonema entre líderes; tensão cresce em meio à estagnação diplomática

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Serviços de emergência da Ucrânia atuam contra chamas após ataque em Kiev — Foto: Handout / STATE EMERGENSY SERVICE OF UKRAINE / AFP

A Rússia realizou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da guerra, entre a noite desta quinta (3) e a madrugada de sexta-feira, lançando 539 drones e 11 mísseis em uma única ofensiva coordenada. Segundo autoridades ucranianas, pelo menos 23 pessoas ficaram feridas, e centenas de dispositivos foram interceptados pela Força Aérea da Ucrânia ou neutralizados por guerra eletrônica.

O ataque ocorreu horas após uma ligação telefônica entre o presidente americano Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin, que segundo o próprio Trump, terminou sem avanços diplomáticos. A sequência de eventos levanta preocupações sobre uma possível escalada militar motivada por impasses nas negociações de paz.

“Foi uma noite brutal e sem sono. A Rússia mostra mais uma vez que não quer encerrar a guerra”, escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em publicação na rede X (antigo Twitter).

Segundo Zelensky, 270 drones foram abatidos, e outros 208 foram neutralizados eletronicamente. A capital Kiev foi o principal alvo, mas o bombardeio também atingiu as regiões de Dnipro, Sumy, Kharkiv e Chernihiv, onde populações civis buscaram abrigo em estações de metrô.

Conversas frustradas e endurecimento de postura

Pessoas se refugiam em metrô durante ataques russos a Kiev — Foto: Barbara WOJAZER / AFP

A ofensiva russa veio um dia após a conversa entre Trump e Putin, cuja conclusão foi descrita como “decepcionante” pelo líder americano. Trump, que antes demonstrava otimismo em conversas anteriores com o Kremlin, afirmou publicamente sua frustração:

“Acho que ele [Putin] não está disposto a parar. Isso é uma pena”, declarou o presidente norte-americano durante visita a Iowa.

O Kremlin, por sua vez, afirmou que Putin expressou interesse em negociações, mas reiterou que “alcançará seus objetivos no campo de batalha”. A retórica endurecida de ambos os lados reforça o atual impasse diplomático e a falta de perspectiva de cessar-fogo a curto prazo.

Pressão militar e escassez de armamentos

Enquanto a Rússia intensifica seus ataques, a Ucrânia enfrenta limitações logísticas com a redução do envio de armas pelos Estados Unidos. A Casa Branca anunciou recentemente que, por “interesse nacional”, sistemas de defesa antiaérea Patriot e projéteis de 155 mm não serão mais enviados à Ucrânia — armamentos considerados essenciais para conter as ofensivas russas.

Apesar disso, a Ucrânia também tem realizado ataques com drones em território russo, ainda que em menor escala. O conflito entra em uma fase mais assimétrica, com perdas territoriais ucranianas e recuo no apoio internacional.

Apelo por sanções e suporte contínuo

Em reação à escalada do conflito, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sibiga, destacou a necessidade de aumentar a pressão internacional contra Moscou:

“Putin demonstra total desrespeito por qualquer apelo de paz. Sanções e impactos econômicos são a única forma de conter essa agressão”, afirmou.

Zelensky também reforçou o apelo:

“Sem uma pressão internacional realmente forte, a Rússia continuará sua destruição. Precisamos de sanções, restrições econômicas e apoio militar imediato. Isso depende dos nossos parceiros, principalmente dos Estados Unidos.”

O presidente ucraniano tem uma nova conversa agendada com Trump, em que deverá reforçar a urgência por ajuda militar e diplomática. O mundo aguarda os desdobramentos, enquanto a guerra mais longa da Europa desde 1945 entra em uma nova fase crítica.

Redação Saiba+

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Parlamento Europeu congela acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos

Decisão é anunciada após tensão diplomática envolvendo ameaça de anexação da Groenlândia

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O Parlamento Europeu congelou o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos | Bnews - Divulgação Reprodução

O Parlamento Europeu decidiu congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos, medida anunciada nesta terça-feira (20) por Iratxe García Pérez, presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), a segunda maior bancada da Casa.

Segundo García Pérez, a suspensão do acordo firmado no ano passado ocorre como retaliação às recentes declarações do presidente Donald Trump, que manifestou interesse em anexar a Groenlândia aos EUA. O território, embora autônomo, mantém vínculo histórico e administrativo com a Dinamarca, país-membro da União Europeia.

A decisão do Parlamento Europeu foi recebida como um sinal de endurecimento nas relações diplomáticas entre os blocos, que já vinham enfrentando divergências comerciais e políticas. Para parlamentares europeus, a ameaça de anexação representa uma violação inaceitável da soberania de um território ligado a um Estado europeu, justificando a interrupção imediata das negociações.

O congelamento do acordo deve impactar setores estratégicos, especialmente comércio, investimentos e cooperação regulatória. A expectativa é de que novas discussões ocorram nas próximas semanas, enquanto a União Europeia aguarda uma posição oficial do governo norte-americano sobre o episódio.

Redação Saiba+

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EUA ampliam lista de países convidados para integrar o “Conselho da Paz”

Iniciativa liderada por Washington inclui novos chefes de Estado para atuar na transição política e reconstrução da Faixa de Gaza

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Até o momento, o governo Lula ainda não apresentou resposta oficial | Bnews - Divulgação Wikipedia

O governo dos Estados Unidos anunciou a ampliação da lista de países convidados a integrar o “Conselho da Paz”, mecanismo criado por Washington com o objetivo de liderar a transição política, garantir a segurança e coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa busca fortalecer a cooperação internacional diante do cenário de instabilidade na região.

Segundo informações divulgadas, o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu incluir novos líderes globais no grupo, ampliando o alcance diplomático da proposta. Entre os nomes convidados estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Javier Milei (Argentina), o presidente Recep Tayyip Erdogan (Turquia), o presidente Abdel Fattah al-Sisi (Egito) e o primeiro-ministro Mark Carney (Canadá).

A expansão do Conselho reflete o interesse norte-americano em envolver diferentes perspectivas políticas e regionais no processo de reconstrução de Gaza, especialmente em um momento em que a comunidade internacional discute caminhos para estabilizar a área e promover ações humanitárias.

A participação dos novos países ainda depende de confirmações formais, mas a iniciativa já repercute no cenário diplomático global, abrindo espaço para debates sobre governança, segurança e cooperação multilateral no Oriente Médio.

Redação Saiba+

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Brasil quer falar sobre Venezuela no Conselho de Segurança da ONU, citando soberania e direito

Governo prepara manifestação firme em defesa do direito internacional, sem citar diretamente Maduro ou Donald Trump

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No domingo, 4, o Itamaraty divulgou uma nota com o posicionamento conjunto dos governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha sobre a situação da Venezuela Foto: GIORGIO VIERA

O governo brasileiro deve solicitar a palavra na sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, marcada para esta segunda‑feira (5), para tratar da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, durante operação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas na madrugada de sábado (3). Embora não ocupe assento permanente no colegiado, o Brasil pretende se manifestar com base nas regras que permitem intervenções de países não membros.

A fala brasileira deve seguir a linha adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que divulgou nota conjunta com Espanha e países latino‑americanos condenando violações ao direito internacional. O discurso, segundo fontes diplomáticas, será forte e crítico, mas sem mencionar nominalmente nem o ditador venezuelano nem o presidente dos EUA, Donald Trump — estratégia já adotada em posicionamentos anteriores.

A orientação do Itamaraty é reforçar a defesa da soberania dos Estados, do multilateralismo e da necessidade de respeito às normas internacionais, independentemente de quem esteja envolvido no conflito. O Brasil pretende destacar que ações militares unilaterais representam riscos para a estabilidade regional e criam precedentes perigosos para a comunidade internacional.

A crise desencadeada pela captura de Maduro reacendeu tensões diplomáticas e mobilizou governos latino‑americanos, que buscam evitar uma escalada de confrontos e defender soluções pacíficas. A participação brasileira no Conselho de Segurança reforça o esforço do país em se posicionar como voz ativa na defesa do diálogo e da legalidade internacional.

Redação Saiba+

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