Política
Lula chama de arbitrária e sem fundamento proibição de ministros do STF entrarem nos EUA
Presidente brasileiro criticou duramente sanção imposta pelo governo Trump após investigações contra Jair Bolsonaro; relação entre os dois países entra em novo momento de tensão diplomática.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “arbitrária e sem fundamento” a decisão do governo Donald Trump de proibir a entrada de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nos Estados Unidos. A medida foi anunciada na noite da última sexta-feira (18), e representa um novo marco na escalada de tensões diplomáticas entre os dois países.
“Minha solidariedade e apoio aos ministros do STF atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos”, declarou Lula em publicação feita em sua conta oficial no X (antigo Twitter). Segundo ele, “a interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações”.
A sanção americana ocorre após ações da Polícia Federal autorizadas pelo STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que passou a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa à noite, aproximar-se de embaixadas ou manter contato com diplomatas. A medida, segundo fontes próximas a Trump, visa responder à suposta perseguição política promovida por instituições brasileiras contra o ex-presidente e seus aliados.
O ex-presidente Bolsonaro, que agora vive sob restrições, afirmou em entrevista à Reuters que “o Lula, sem mim, ganha a eleição de qualquer um”, insinuando que o objetivo das ações judiciais é inviabilizar sua candidatura em 2026.
A crise diplomática ganhou contornos ainda mais tensos após Trump anunciar a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, uma retaliação direta à forma como o Brasil tem conduzido os processos judiciais contra Bolsonaro. O atual presidente americano também criticou publicamente o ministro Alexandre de Moraes, que comanda os inquéritos que investigam o ex-presidente e aliados.
A repercussão política foi imediata. Enquanto os ministros do governo Lula mantiveram cautela institucional, a militância petista passou a divulgar massivamente trechos do pronunciamento presidencial, reforçando o discurso de defesa da democracia e da soberania nacional.
Em contrapartida, lideranças bolsonaristas acusam o governo brasileiro de ter alimentado a crise, ao permitir uma judicialização seletiva contra adversários políticos. Para o núcleo duro do bolsonarismo, Trump apenas reagiu à perseguição promovida pelo STF, e o Brasil pode sair prejudicado caso a escalada continue.
No centro da disputa estão também os filhos de Bolsonaro, especialmente o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem atuado nos bastidores para influenciar parlamentares e lideranças americanas contra o governo Lula e o STF.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto tenta conter os danos com um discurso de institucionalidade e defesa do Judiciário. Ainda assim, a crise com os EUA representa um desafio diplomático delicado para o governo brasileiro, que busca reequilibrar suas relações internacionais em um ambiente cada vez mais polarizado.
Política
Jaques Wagner critica votação sobre quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS
Líder do governo no Senado questiona condução do processo e aponta possível uso político da comissão.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT‑BA), fez duras críticas à votação que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante a sessão desta quinta-feira (26) da CPMI do INSS. Para o senador, a decisão foi conduzida de forma precipitada e com forte viés político, desviando o foco dos trabalhos da comissão.
Wagner afirmou que a medida representa um uso distorcido da CPMI, que deveria concentrar esforços em investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, e não em promover disputas de caráter eleitoral ou ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a oposição tenta transformar a comissão em um palco de desgaste político.
Durante a sessão, parlamentares governistas também questionaram a pertinência da quebra de sigilo, alegando ausência de elementos concretos que justificassem a medida. Para Jaques Wagner, a aprovação ocorreu em um ambiente de tensão e disputa narrativa, o que compromete a credibilidade do processo.
O senador reforçou que o governo continuará atuando para garantir que a CPMI cumpra seu objetivo original e que decisões tomadas sem base técnica sejam contestadas. Ele destacou ainda que a insistência em incluir familiares do presidente nas investigações demonstra uma estratégia de politização das apurações, afastando o debate das questões estruturais do INSS.
A votação reacende discussões sobre os limites de atuação das CPIs e o uso de instrumentos legislativos para fins políticos, tema que deve seguir em destaque nas próximas sessões.
Política
Governo anuncia que irá recorrer após votação simbólica no Senado
Gleisi Hoffmann critica condução do processo por Carlos Viana e afirma que decisão será contestada oficialmente

O governo federal confirmou que irá recorrer da decisão tomada em votação simbólica no Senado, conduzida pelo senador Carlos Viana, que anunciou o resultado sem registro nominal dos votos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, declarou em entrevista ao SBTNews que a medida será contestada por considerar que o procedimento adotado não refletiu a real posição dos parlamentares.
Segundo Gleisi, a condução da sessão levantou dúvidas sobre a legitimidade do processo. Ela afirmou que Viana realizou uma “votação simbólica e tratou de anunciar o resultado”, sem permitir um debate mais amplo ou a verificação individual dos votos. Para o governo, esse tipo de condução compromete a transparência e exige revisão imediata.
A decisão de recorrer, segundo integrantes da base aliada, busca garantir segurança jurídica e assegurar que decisões de impacto nacional sejam tomadas com o devido rigor regimental. A expectativa é que o recurso seja apresentado ainda nesta semana, abrindo espaço para uma reavaliação do caso.
Nos bastidores, a avaliação é de que a oposição tenta acelerar votações sensíveis, enquanto o governo trabalha para reorganizar sua articulação política no Congresso. A crítica de Gleisi reforça a estratégia de pressionar por maior controle e clareza nos procedimentos legislativos.
O episódio reacende o debate sobre transparência nas votações simbólicas, prática comum no Legislativo, mas frequentemente questionada quando envolve temas de grande repercussão.
Política
Hugo Motta nega disputa por protagonismo com governo Lula
Presidente da Câmara afirma que debate sobre o fim da escala 6×1 não envolve rivalidade política

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), afirmou nesta quinta-feira (26) que não existe qualquer “briga de ego” entre o Legislativo e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao debate sobre o fim da escala 6×1. A declaração ocorre em meio ao avanço das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho, tema que mobiliza parlamentares, centrais sindicais e setores empresariais.
Segundo Motta, a Câmara tem atuado de forma institucional e responsável, buscando construir um texto equilibrado e que considere os impactos econômicos e sociais da proposta. Ele destacou que o diálogo com o Executivo permanece aberto e que não há disputa por protagonismo, mas sim a intenção de garantir segurança jurídica e previsibilidade para trabalhadores e empregadores.
O presidente da Câmara também reforçou que o tema exige maturidade política e análise técnica, já que envolve mudanças estruturais nas relações de trabalho. Motta afirmou que o Parlamento seguirá conduzindo o debate com transparência e ouvindo todos os setores envolvidos.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve continuar nas próximas semanas, com expectativa de novas audiências e articulações entre líderes partidários.
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