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Putin e Trump selam nova cúpula e ignoram Zelenski

Reunião entre os presidentes da Rússia e dos EUA será a primeira desde 2021; exclusão do ucraniano amplia tensão e reforça imagem de força de Moscou

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Um dia após a final da Copa de 2018, realizada na Rússia, Putin entrega bola do torneio a Trump em cúpula realizada em Helsinque - Iuri Kadobnov - 16.ago.2018/AFP

O Kremlin confirmou nesta quinta-feira (7) uma reunião de cúpula entre Vladimir Putin e Donald Trump para a próxima semana, em um movimento que reforça os canais diplomáticos entre Rússia e Estados Unidos e marginaliza o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, cuja participação chegou a ser sugerida pelo ex-presidente americano, mas foi ignorada pelos russos.

A confirmação foi feita por Iuri Uchakov, assessor internacional de Putin e ex-embaixador nos EUA, após encontro com Steve Witkoff, negociador-chefe do republicano em Moscou. Segundo Uchakov, o encontro foi solicitado pelo lado americano e o Kremlin agora se dedica aos “preparativos concretos” da reunião.

Apesar de Trump afirmar que sugeriu incluir Zelenski na conversa, o Kremlin foi direto: “não houve resposta” sobre isso. Com isso, os dois líderes voltam a dialogar diretamente pela primeira vez desde 2021, quando Joe Biden, então recém-empossado, teve seu único encontro com Putin em Genebra.


Tensão diplomática, pressão por cessar-fogo e risco de novas sanções

Segundo fontes ouvidas pela Folha, o Kremlin vê o encontro como uma forma de ganhar tempo diante do ultimato imposto por Trump para que Putin aceite um cessar-fogo até esta sexta-feira (8). Caso contrário, o republicano promete novas sanções, especialmente no comércio de petróleo.

A ameaça de sanções mais duras, como as aplicadas contra a Índia, assustou setores da elite russa, que temem o efeito dominó em países como China e Brasil — este, um dos principais importadores de diesel russo. A movimentação já teve reflexo: a Bolsa de Moscou subiu 4,5% com a expectativa de um acordo.

Embora não se saiba ao certo quais os termos que estarão na mesa, fontes indicam que a pauta envolve concessões territoriais e redução da atividade militar russa, enquanto os EUA pressionam por um avanço concreto no diálogo entre Moscou e Kiev.


Zelenski fora do jogo?

Enquanto Putin e Trump se articulam, Zelenski corre o risco de ser deixado de lado mais uma vez. Internamente enfraquecido e alvo de protestos na Ucrânia, o presidente tenta demonstrar força militar: na noite desta quinta, ordenou o disparo de oito mísseis britânicos contra alvos russos, embora Moscou afirme ter interceptado todos.

Na linha de frente, as tropas russas avançam lentamente nas regiões de Donetsk e Dnipropetrovsk, enquanto no norte, em Sumi, há preparativos para uma possível nova ofensiva russa.

Trump, que prometeu acabar com a guerra em “24 horas” se voltasse ao poder, vê no encontro uma oportunidade de mostrar protagonismo no tabuleiro geopolítico e colher algum tipo de trégua que possa usar como trunfo eleitoral.


Local ainda indefinido

A reunião deve ocorrer na próxima semana, mas nenhum local foi oficialmente anunciado. Há especulação sobre os Emirados Árabes Unidos, que mantêm boas relações com ambos os líderes e já receberam visitas recentes tanto de Trump quanto de Putin.

Redação Saiba+

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Papa Leão XIV faz apelo pela paz durante celebração de Pentecostes

Pontífice afirmou no Vaticano que “só a Onipotência do amor” pode salvar a humanidade da guerra

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Papa pronuncia sua homilia — Foto: Divulgação

O papa Leão XIV realizou neste domingo (24) um forte apelo em defesa da paz mundial durante a celebração de Pentecostes na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Em uma das datas mais simbólicas do calendário cristão, o pontífice destacou que “só a Onipotência do amor” é capaz de salvar a humanidade diante dos conflitos e guerras que atingem diferentes regiões do planeta.

A cerimônia reuniu milhares de fiéis e líderes religiosos na Praça São Pedro, em um momento marcado por mensagens de fé, união e esperança. Durante a homilia, o papa ressaltou a necessidade de diálogo entre os povos e reforçou a importância da solidariedade como caminho para enfrentar crises humanitárias e tensões internacionais.

Pentecostes é celebrado cinquenta dias após a Páscoa e representa, segundo a tradição católica, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos. A data simboliza o nascimento da Igreja e é considerada uma das celebrações mais importantes para os cristãos em todo o mundo.

Ao abordar os desafios atuais enfrentados pela humanidade, o papa Leão XIV destacou que o amor e a compaixão precisam prevalecer sobre o ódio e a violência. A mensagem do líder da Igreja Católica ocorre em um cenário global marcado por guerras, disputas geopolíticas e crises humanitárias, aumentando a repercussão internacional do pronunciamento feito no Vaticano.

Além do discurso voltado à paz, a celebração também foi marcada por momentos de oração coletiva e homenagens à missão evangelizadora da Igreja. Fiéis acompanharam a cerimônia com bandeiras e mensagens religiosas, reforçando o clima de devoção durante o evento.

A fala do pontífice repercutiu rapidamente entre católicos e lideranças religiosas, sendo vista como um novo chamado da Igreja para a promoção da paz mundial e da fraternidade entre as nações.

Redação Saiba+

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Cuba sinaliza abertura econômica, mas critica postura dos EUA

Embaixador cubano na ONU afirma que país está disposto a reformas, mas questiona boa-fé de Washington nas negociações diplomáticas

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Ernesto Soberón Guzmán, embaixador de Cuba na ONU — Foto: Hiroko Masuike

Cuba afirmou estar disposta a implementar mudanças em sua economia e em seu modelo de governo, além de demonstrar interesse em avançar nas negociações diplomáticas com os Estados Unidos. No entanto, o governo cubano avalia que Estados Unidos não estaria participando das conversas com boa-fé.

A declaração foi feita pelo embaixador cubano nas Nações Unidas, Ernesto Soberón Guzmán, em entrevista ao jornal The New York Times. Segundo ele, Havana mantém disposição para diálogo, mas enxerga obstáculos políticos que dificultam avanços concretos nas relações bilaterais.

O diplomata destacou que Cuba demonstra abertura para ajustes internos e busca por maior integração econômica internacional, ao mesmo tempo em que critica o que considera uma postura pouco cooperativa por parte do governo norte-americano nas tratativas diplomáticas.

De acordo com Soberón Guzmán, o país caribenho segue interessado em reconstruir pontes diplomáticas e ampliar canais de negociação, especialmente em temas econômicos e humanitários. No entanto, ele reforçou que a confiança entre as partes ainda é um dos principais entraves para o progresso das conversas.

As relações entre Cuba e Estados Unidos têm histórico marcado por tensões políticas e econômicas, com períodos de aproximação e afastamento ao longo das últimas décadas. Atualmente, as negociações enfrentam novos desafios relacionados a sanções, comércio e divergências políticas.

A sinalização de abertura por parte de Cuba ocorre em meio a um cenário internacional de reconfiguração diplomática, enquanto as expectativas sobre possíveis avanços nas relações com Washington permanecem cautelosas.

Redação Saiba+

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Trump deixa China sem avanços expressivos em visita relâmpago

Viagem do presidente dos Estados Unidos terminou com manutenção da trégua comercial, mas resultados ficaram abaixo das expectativas anunciadas anteriormente.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a China nesta sexta-feira após uma visita diplomática que durou menos de 48 horas e terminou sem os grandes avanços esperados pelo governo norte-americano. Apesar da intensa expectativa criada nos últimos meses, os encontros entre as duas maiores economias do planeta produziram resultados considerados limitados no cenário internacional.

Ainda assim, o principal ponto positivo da viagem foi a manutenção da frágil trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China. O entendimento temporário evita, ao menos por enquanto, um agravamento das tensões econômicas que vinham impactando mercados globais, cadeias produtivas e relações comerciais internacionais.

Analistas internacionais avaliam que a China saiu fortalecida do encontro, principalmente porque os objetivos estratégicos do governo chinês foram preservados: manter o diálogo aberto, evitar novas tarifas e estabilizar a relação bilateral com Washington. O cenário demonstra um momento de cautela diplomática entre os dois países, em meio a disputas comerciais e geopolíticas cada vez mais sensíveis.

Durante a visita, Trump buscou reforçar a imagem de liderança econômica dos Estados Unidos e sinalizar disposição para negociações futuras. No entanto, a ausência de anúncios concretos sobre novos acordos comerciais gerou repercussão moderada entre investidores e observadores internacionais.

A relação entre Estados Unidos e China segue sendo uma das mais importantes do cenário global, influenciando diretamente o comércio internacional, a tecnologia, os investimentos e o equilíbrio econômico mundial. A manutenção da estabilidade entre as potências é vista como essencial para evitar novos impactos nos mercados financeiros.

Mesmo sem grandes conquistas imediatas, a visita pode representar um passo importante para reduzir tensões diplomáticas e abrir espaço para futuras negociações comerciais entre os dois governos.

Redação Saiba+

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