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PF encontra anotações que indicam que Bolsonaro queria permanecer no poder após derrota

Documentos apreendidos revelam bastidores das articulações golpistas e mostram insatisfação de militares com estratégia de defesa do ex-presidente

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Coronel Flávio Peregrino era assessor do general Walter Braga Netto Foto: Reprodução

Mensagens, documentos e anotações extraídos pela Polícia Federal do celular do coronel da reserva Flávio Peregrino, assessor do general Walter Braga Netto, expõem bastidores inéditos das articulações golpistas que ocorreram após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Segundo o material obtido, Peregrino registrou que “sempre foi a intenção” de Bolsonaro permanecer no governo, reforçando que todas as ações dos militares tinham como objetivo ajudar o então presidente a manter-se no poder, sob a justificativa de desconfiança no processo eleitoral e nas urnas eletrônicas.

Em documento intitulado “Ideias gerais da defesa”, datado de 28 de novembro de 2024, o coronel critica a narrativa apresentada pela defesa de Bolsonaro de que o próprio presidente teria resistido a propostas golpistas elaboradas por militares. Para ele, tal versão era uma forma de “livrar a cabeça” do ex-presidente, colocando seu projeto político acima da lealdade de aliados históricos.

O coronel também manifestou irritação com a estratégia de responsabilizar os militares pelas articulações. Em uma anotação, escreveu que atribuir a culpa aos militares era “falta total de gratidão” para com aqueles que permaneceram ao lado de Bolsonaro após o 2º turno.

Apesar das críticas, Peregrino reconheceu que houve erros de conduta por parte dos militares, que não conseguiram desmobilizar acampamentos em frente a quartéis e não convenceram Bolsonaro a desistir das tentativas de “solução constitucional” para se manter no poder.

O advogado de Flávio Peregrino, Luís Henrique Prata, afirmou que as anotações foram “formuladas com base na liberdade de expressão” e que o ponto central era a “lealdade dos militares na busca de soluções constitucionais naquele período e ao longo de todo o governo”. Já as defesas de Bolsonaro e Braga Netto não se manifestaram.

As revelações reforçam as acusações contra Bolsonaro, que deverão ser analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em ações que investigam o plano de golpe e a tentativa de invalidar o resultado das eleições

Redação Saiba+

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