Política
Anistia não garante blindagem total a Bolsonaro
Mesmo com articulação da oposição no Congresso, especialistas afirmam que projeto de anistia não abrange todos os processos contra o ex-presidente

A recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) intensificou o movimento da oposição no Congresso em defesa de uma anistia ampla, geral e irrestrita. No entanto, especialistas em direito penal alertam que a medida não significaria uma blindagem completa ao ex-presidente.
Mesmo que a anistia seja aprovada e não seja declarada inconstitucional, Bolsonaro continuará alvo de investigações em outros inquéritos que tramitam no STF. Entre eles, estão os processos relacionados às fake news, às milícias digitais e ao vazamento de dados sigilosos da Polícia Federal. Além disso, já existem indiciamentos em casos como o das joias sauditas e da suposta atuação para coagir o Supremo por meio de pressões internacionais.
Segundo o criminalista e professor da USP Pierpaolo Bottini, a anistia atualmente em discussão “se restringe aos crimes da ação penal do golpe e não produz efeito jurídico sobre os demais”. O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), Renato Vieira, reforça essa avaliação e afirma que os demais delitos em apuração seguirão como objeto de julgamento independente.
Apesar disso, o voto divergente do ministro Luiz Fux durante o julgamento trouxe combustível político para os aliados de Bolsonaro. O magistrado apontou incompetência do STF para julgar o caso, denunciou cerceamento de defesa e absolveu o ex-presidente em todos os pontos da acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Para a oposição, os argumentos de Fux fortalecem a tese de insegurança jurídica e aumentam a pressão pela votação do projeto no Congresso. Líderes como Rogério Marinho (PL-RN) e Luciano Zucco (PL-RS) já se mobilizam para pautar a proposta ainda em 2025, apesar da resistência do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), que se opõe a uma anistia irrestrita.
A avaliação de analistas políticos, no entanto, é que a medida resolveria apenas parte da questão. Como explica o cientista político Leandro Consentino, do Insper: “Há uma diferença entre blindagem política e blindagem judicial. A anistia resolve o primeiro aspecto, mas não elimina o segundo.”
Com isso, a anistia se transforma em bandeira de mobilização da oposição, mas não significa, necessariamente, um ponto final nos embates jurídicos e políticos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Política
Romário recorre contra penhora de salário determinada pela Justiça
Senador contesta decisão que autoriza retenção de 30% dos vencimentos em ação envolvendo cobrança de dívida de R$ 34,4 mil

A Justiça de São Paulo determinou a penhora de 30% do salário recebido pelo senador Romário (PL-RJ) em um processo de cobrança de dívida movido pelo ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero. A decisão, proferida em julho, motivou um recurso da defesa do parlamentar, que busca reverter a medida.
O processo envolve uma dívida de aproximadamente R$ 34,4 mil, cuja cobrança tramita no Judiciário paulista. Diante da determinação de retenção de parte dos vencimentos, Romário ingressou com recurso alegando que a penhora compromete sua situação financeira e provoca um “impacto material irreversível”.
Na manifestação apresentada à Justiça, a defesa do senador sustenta que a retenção de 30% dos salários seria ilegal, argumentando que a medida afeta recursos utilizados para sua manutenção pessoal e despesas do cotidiano. O recurso solicita a revisão da decisão e a suspensão da penhora enquanto o caso continua em análise.
O episódio acrescenta um novo capítulo à disputa judicial entre Romário e Marco Polo Del Nero, que envolve a cobrança do débito. A decisão definitiva dependerá da análise do recurso pelas instâncias competentes, que irão avaliar os argumentos apresentados pela defesa do parlamentar.
Enquanto o processo segue em tramitação, o caso chama atenção por envolver uma discussão sobre a possibilidade de penhora de parte da remuneração de agentes públicos para quitação de dívidas, tema frequentemente debatido no âmbito do Poder Judiciário.
Política
Pesquisa aponta Lula à frente em cenários de segundo turno
Levantamento indica vantagem do presidente em simulação contra Flávio Bolsonaro para as eleições presidenciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente em todos os cenários estimulados de segundo turno para a disputa presidencial, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (5). O levantamento avaliou diferentes cenários eleitorais e apontou vantagem do atual chefe do Executivo nas intenções de voto.
Em uma das simulações, Lula registra 48,5% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) alcança 43%. Segundo os dados apresentados pela pesquisa, 4% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco ou nulo, enquanto 4,5% afirmaram não saber em quem votar ou preferiram não responder.
Os números refletem um recorte do cenário eleitoral no momento da realização do levantamento e servem como um indicativo das preferências do eleitorado consultado. Pesquisas de intenção de voto não representam resultado definitivo das eleições, mas são utilizadas para acompanhar a evolução do cenário político e das tendências entre os eleitores.
A divulgação do levantamento ocorre em meio às movimentações dos partidos e lideranças políticas para a próxima disputa presidencial. Com o avanço do calendário eleitoral, novas pesquisas deverão medir a evolução dos índices de aprovação, rejeição e intenção de voto dos possíveis candidatos.
O cenário político segue em constante transformação, e especialistas destacam que as intenções de voto podem variar ao longo do processo eleitoral, influenciadas por fatores econômicos, sociais, decisões partidárias e acontecimentos do cenário nacional.
Política
CNJ aprova fim da aposentadoria compulsória como punição a juízes
Decisão do Conselho Nacional de Justiça abre caminho para a perda definitiva do cargo por magistrados que cometerem faltas gravíssimas, após julgamento no STF.

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, na manhã desta terça-feira (4), acabar com a aposentadoria compulsória como sanção administrativa para magistrados. A medida representa uma mudança significativa no regime disciplinar do Judiciário e estabelece um novo entendimento para casos envolvendo faltas consideradas gravíssimas.
Até então, a aposentadoria compulsória era a penalidade administrativa mais severa aplicada a juízes, permitindo que o magistrado deixasse a carreira de forma obrigatória, mantendo o direito aos proventos previstos em lei. Com a nova decisão, o CNJ passa a adotar um modelo que possibilita a perda definitiva do cargo público, desde que haja o devido julgamento e observância das regras constitucionais.
A mudança foi debatida durante sessão presidida pelo ministro Edson Fachin, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF). Na abertura dos trabalhos, o ministro destacou a importância do debate institucional e ressaltou que a decisão representa um avanço no aperfeiçoamento dos mecanismos de responsabilização e integridade no Poder Judiciário.
A nova diretriz fortalece a responsabilização de magistrados em casos de infrações graves, reforçando a busca por maior transparência, credibilidade e confiança da sociedade nas instituições judiciais. A medida também amplia o rigor na aplicação de sanções administrativas, alinhando-se ao debate sobre modernização dos instrumentos de controle interno.
Com a decisão, casos de magistrados acusados de faltas gravíssimas poderão resultar na perda definitiva da função pública, observados os procedimentos legais e o julgamento pelas instâncias competentes. A expectativa é que a alteração contribua para fortalecer a ética, a integridade e a responsabilidade no exercício da magistratura.
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