Política
Fachin rejeita pedido contra Nunes Marques
Presidente do STF considera solicitação de senadores intempestiva e mantém ministro na relatoria da ação relacionada à CPI do Banco Master.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu negar o pedido apresentado por quatro senadores para afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria da ação que trata da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.
A solicitação foi protocolada pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM). Os parlamentares argumentaram que existiria uma relação considerada pública e histórica entre Nunes Marques e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em investigações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master.
Ao analisar o pedido, Edson Fachin concluiu que a arguição de suspeição era “manifestamente incabível” devido ao descumprimento do prazo previsto no regimento do Supremo Tribunal Federal. Segundo o magistrado, a legislação interna da Corte estabelece que questionamentos sobre a atuação do relator devem ser apresentados em até cinco dias úteis após a distribuição do processo.
De acordo com a decisão, a ação foi distribuída ao ministro Kassio Nunes Marques em 26 de março. Dessa forma, o prazo para eventual contestação encerrava-se em 31 de março. No entanto, o pedido dos senadores foi protocolado apenas em 12 de maio, mais de um mês após o período permitido.
Com a rejeição do pedido, Kassio Nunes Marques permanece como relator da ação que discute a criação da CPI do Banco Master, mantendo a tramitação do processo sob sua responsabilidade no STF.
A decisão reforça o entendimento da Suprema Corte sobre a necessidade de observância dos prazos processuais e regimentais, considerados fundamentais para garantir a segurança jurídica e a regularidade dos procedimentos judiciais.
O caso segue sendo acompanhado por parlamentares e integrantes do meio político, uma vez que a eventual instalação da CPI pode ter impacto relevante no cenário institucional e nas discussões sobre fiscalização e investigação no âmbito do Congresso Nacional.
Política
Lula sinaliza reavaliação de dragagem no Rio Tapajós após reunião com indígenas
Encontro no Palácio do Planalto reforça diálogo entre governo e lideranças indígenas, que contestam projeto de dragagem por possíveis impactos ambientais e sociais.

Uma reunião realizada no Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças indígenas da região do Tapajós abriu caminho para uma possível reavaliação do plano de dragagem emergencial previsto para o Rio Tapajós, no Pará. Após mais de quatro horas de diálogo, representantes indígenas afirmaram ter recebido a sinalização de que o governo federal poderá recuar da proposta.
A discussão ocorre após o projeto ganhar destaque nacional por prever uma intervenção considerada emergencial para minimizar os impactos de uma possível estiagem associada ao fenômeno El Niño. A proposta contempla a retirada de sedimentos em diferentes trechos do rio para garantir a navegabilidade durante períodos de baixa no nível das águas.
No entanto, as lideranças indígenas questionam a justificativa de emergência e sustentam que a iniciativa atenderia, principalmente, aos interesses do setor do agronegócio, que utiliza o Tapajós como corredor logístico para o transporte de grãos, como soja e milho.
Durante o encontro, representantes indígenas apresentaram estudos técnicos elaborados por pesquisadores do GT Infra, indicando que a dimensão da obra ultrapassaria uma simples manutenção da hidrovia. Segundo os dados apresentados, o projeto prevê a retirada de aproximadamente 1,05 milhão de metros cúbicos de sedimentos, enquanto a sedimentação natural anual estimada para os sete trechos contemplados seria de cerca de 47 mil metros cúbicos.
Outro ponto destacado pelas lideranças é que quatro das áreas incluídas no projeto nunca passaram por processos de dragagem, o que, segundo a análise técnica, poderia caracterizar não apenas a manutenção do canal, mas também seu aprofundamento e alargamento, ampliando os impactos ambientais na região.
O debate evidencia a complexidade da questão, que envolve preservação ambiental, direitos dos povos indígenas, infraestrutura logística e desenvolvimento econômico. A expectativa é de que o governo federal avalie os argumentos apresentados antes de definir os próximos passos sobre a execução do projeto no Rio Tapajós.
Política
Disputa pelo orçamento volta ao centro do debate no STF
Quatro anos após o início dos embates sobre o orçamento secreto, Supremo Tribunal Federal retoma discussão sobre os limites entre os poderes Executivo e Legislativo.

A discussão sobre quem controla a execução do orçamento público brasileiro volta a ganhar destaque no cenário político e jurídico nacional. Quatro anos após os primeiros confrontos envolvendo o chamado orçamento secreto, o Supremo Tribunal Federal (STF) retorna ao centro do debate, atuando novamente como árbitro na disputa entre os poderes Executivo e Legislativo.
O tema envolve o equilíbrio institucional na definição e fiscalização dos recursos públicos, especialmente no que diz respeito às emendas parlamentares. Ao longo dos últimos anos, o STF passou a desempenhar um papel decisivo na mediação desse conflito, estabelecendo parâmetros voltados à legalidade, à transparência e ao controle dos gastos públicos.
O embate começou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando a então ministra Rosa Weber concedeu uma liminar que suspendeu a execução do chamado orçamento secreto, mecanismo que vinha sendo alvo de críticas por permitir a destinação de recursos sem ampla publicidade sobre seus autores e beneficiários.
Na ocasião, a principal preocupação levantada era a falta de transparência na distribuição das emendas parlamentares, dificultando a identificação dos responsáveis pela indicação dos recursos e comprometendo a fiscalização da aplicação do dinheiro público. A ausência de informações detalhadas também limitava o acompanhamento por órgãos de controle e pela sociedade.
Com o avanço das discussões, o Supremo passou a exigir maior rastreabilidade, publicidade e mecanismos de controle sobre as emendas parlamentares, reforçando princípios constitucionais relacionados à transparência e à responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
Agora, o tema retorna à pauta do STF em um novo momento político, reacendendo o debate sobre os limites da atuação dos Poderes da República na definição do orçamento federal. A expectativa é que as próximas decisões da Corte tenham impacto direto na relação entre Executivo e Legislativo e na forma como os recursos públicos serão distribuídos e fiscalizados nos próximos anos.
Política
OAB de Itabuna destaca projeto do TJBA no Sul da Bahia
Presidente da subseção elogia transferência temporária da sede do Tribunal e reforça necessidade de avanços na estrutura do Judiciário regional

O presidente da subseção da OAB de Itabuna, Thiago Cruz, elogiou a iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) de transferir temporariamente a sede da Corte para o Sul do estado por meio do projeto Justiça em Território – Presença que Transforma. A ação busca aproximar o Judiciário da população e fortalecer o diálogo com operadores do Direito e representantes da sociedade civil.
Durante entrevista, o advogado destacou a importância da iniciativa para ampliar a presença institucional do Tribunal nas diversas regiões da Bahia. Segundo ele, a aproximação entre o TJBA, a advocacia e os jurisdicionados contribui para identificar demandas locais e promover melhorias na prestação dos serviços judiciais.
Ao comentar a realidade enfrentada pela advocacia regional, Thiago Cruz chamou atenção para desafios como a falta de juízes titulares em algumas comarcas e a morosidade na tramitação dos processos. De acordo com o presidente da OAB de Itabuna, essas dificuldades impactam diretamente o acesso à Justiça e aumentam a necessidade de investimentos na estrutura do Poder Judiciário.
O representante da advocacia também ressaltou que iniciativas como o Justiça em Território – Presença que Transforma podem fortalecer a integração entre magistrados, advogados e cidadãos, permitindo que problemas estruturais sejam discutidos de forma mais próxima da realidade vivida pelos municípios do interior.
A expectativa é que a presença temporária da sede do TJBA no Sul da Bahia contribua para ampliar o diálogo institucional e impulsionar medidas voltadas à maior celeridade processual e ao fortalecimento da estrutura das comarcas da região, beneficiando profissionais do Direito e a população que depende dos serviços do Judiciário.
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