Brasil
Cobertura de R$ 9 milhões é a nova “prisão” de Collor

O ex-presidente Fernando Collor de Mello, condenado a mais de oito anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, foi transferido nesta quinta-feira (2) para prisão domiciliar em uma cobertura de luxo na orla de Maceió (AL). A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na condição de saúde do ex-mandatário e sua idade avançada.
A nova “residência prisional” de Collor é um apartamento de 600 metros quadrados com vista para a praia de Ponta Verde, avaliado pela Justiça do Trabalho em R$ 9 milhões. Em 2018, no entanto, o ex-presidente declarou o imóvel à Justiça Eleitoral como sendo de apenas R$ 1,8 milhão. Já em 2022, quando disputou o governo de Alagoas, o imóvel sequer apareceu em sua declaração de bens. A cobertura chegou a ser alvo de penhora judicial para quitar uma dívida trabalhista de R$ 264 mil com um ex-funcionário de uma empresa da qual Collor é sócio.

Edifício onde ex-presidente vai cumprir prisão domiciliar — Foto: Reprodução/Google
A decisão do STF atendeu a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que reconheceu a necessidade de tratamento domiciliar humanitário. Collor, de 75 anos, sofre de doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Ele deverá cumprir a pena usando tornozeleira eletrônica, com passaporte suspenso e visitas restritas apenas a advogados, familiares, médicos e pessoas previamente autorizadas pela Justiça.
Apesar da pena ser de 8 anos e 10 meses em regime fechado, a gravidade das condições de saúde pesou na concessão da prisão domiciliar. “A grave situação de saúde, amplamente comprovada nos autos, sua idade e a necessidade de tratamento específico admitem a concessão de prisão domiciliar humanitária”, afirmou Moraes na decisão.
Collor foi condenado em 2023 por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora, braço da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato. A pena foi mantida após recurso da defesa ser rejeitado em novembro do ano passado. Outro recurso apresentado recentemente foi classificado como “protelatório” pelo STF, o que levou à ordem de início do cumprimento da pena.
Brasil
Justiça libera obra de prédio de luxo em SP
Decisão liminar autoriza retomada da construção e venda de apartamentos após três anos de embargo no Itaim Bibi

A Justiça de São Paulo concedeu uma decisão liminar que autoriza a retomada das obras e a comercialização de apartamentos do edifício de alto padrão St. Barths, localizado no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista. A medida encerra, de forma provisória, um embargo que perdurava há cerca de três anos.
O empreendimento, desenvolvido pela incorporadora São José, havia sido embargado em fevereiro de 2023 após fiscalização identificar a ausência de alvará de construção. Na ocasião, também foi aplicada uma multa administrativa de R$ 2,5 milhões, em razão das irregularidades apontadas durante o processo.
Com a nova decisão judicial, a obra poderá ser retomada enquanto o mérito da ação segue em análise, permitindo também a continuidade da comercialização das unidades residenciais do edifício.
O St. Barths é um empreendimento de alto padrão situado na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, uma das áreas mais valorizadas do Itaim Bibi. O projeto prevê 23 pavimentos e 20 apartamentos, com metragens que variam entre 382 m² e 739 m², além de opções com cinco a oito vagas de garagem, voltadas ao mercado imobiliário de luxo.
A decisão tem caráter provisório e poderá ser reavaliada ao longo da tramitação do processo judicial, conforme o andamento das análises sobre a regularização do empreendimento. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades competentes e pelas partes envolvidas.
A retomada da obra reacende o debate sobre licenciamento urbano, fiscalização de grandes empreendimentos e segurança jurídica no setor da construção civil. Enquanto o processo segue em curso, o edifício poderá avançar em sua execução e comercialização conforme os termos estabelecidos pela decisão liminar.
Brasil
Fabi Diniz faz história no Ministério Público
Professora e advogada se torna a primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no Ministério Público brasileiro

A professora e advogada Fabi Diniz de Queiroz Pilate entrou para a história ao tomar posse, na última sexta-feira (31), como promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Ela se tornou a primeira mulher trans a assumir o cargo de promotora de Justiça no Ministério Público brasileiro, marco considerado histórico para a representatividade e a diversidade nas instituições públicas.
A cerimônia de posse foi realizada na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus, reunindo membros da instituição, autoridades e convidados para oficializar a entrada dos novos integrantes da carreira ministerial.
Além de Fabi Diniz, outros quatro candidatos aprovados no concurso público também foram empossados como promotores de Justiça durante a solenidade. A posse marca o início da atuação dos novos membros do Ministério Público do Amazonas, responsáveis por exercer funções ligadas à defesa da ordem jurídica, dos direitos da sociedade e do interesse público.
A chegada de Fabi ao Ministério Público representa um importante avanço em relação à inclusão e à diversidade no serviço público. Sua trajetória simboliza a ampliação da representatividade em espaços de decisão e reforça a importância da igualdade de oportunidades no acesso às carreiras jurídicas.
O momento foi celebrado por diferentes setores da sociedade como um passo significativo para o fortalecimento da diversidade nas instituições brasileiras. A posse de Fabi Diniz evidencia o reconhecimento do mérito por meio do concurso público e reafirma o compromisso com uma administração pública cada vez mais plural e representativa.
Brasil
Ações do Santander Brasil disparam após oferta
Banco espanhol anuncia proposta para adquirir participação restante da subsidiária brasileira e impulsiona papéis no mercado

As ações do Santander Brasil (SANB11) registraram forte valorização nesta sexta-feira, avançando mais de 13% após o grupo espanhol anunciar uma proposta para adquirir a participação de aproximadamente 10% da subsidiária brasileira que ainda permanece em circulação no mercado. O movimento foi recebido de forma positiva pelos investidores e refletiu imediatamente no desempenho dos papéis.
Segundo o comunicado da instituição financeira, o Santander pretende investir até 1,9 bilhão de euros na operação, reforçando sua posição como controlador da unidade brasileira. Apesar da iniciativa, o banco destacou que a oferta não tem como objetivo promover o fechamento de capital do Santander Brasil, mantendo a estrutura operacional da instituição no país.
A operação, no entanto, poderá provocar mudanças na negociação internacional dos ativos. Dependendo da adesão dos acionistas à oferta, os papéis do Santander Brasil poderão deixar de ser negociados na Bolsa de Valores de Nova York, enquanto a instituição continuará avaliando os desdobramentos da proposta.
A reação positiva do mercado também foi impulsionada pelo prêmio oferecido aos investidores. A proposta representa um valor cerca de 15% superior ao preço de referência das ações, tornando a oferta mais atrativa para os acionistas e fortalecendo a confiança do mercado na estratégia do grupo espanhol.
Analistas avaliam que a iniciativa faz parte da estratégia do Santander de ampliar sua participação na operação brasileira, considerada uma das mais relevantes para os resultados globais da instituição. O desempenho das ações nesta sexta-feira reforça a expectativa dos investidores em relação aos próximos passos da operação e ao impacto da proposta sobre o mercado financeiro.
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