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Lula publica nas quadrinhos falando de imposto após Congresso derrubar IOF

Publicação nas redes sociais reforça narrativa do Planalto de que cobrança maior aos ricos é prioridade; desgaste com Câmara se aprofunda após votação inesperada

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, nesta quinta-feira (26), uma história em quadrinhos em suas redes sociais para defender a política econômica do governo e rebater críticas sobre aumento de impostos. A publicação ocorre um dia após o Congresso Nacional derrubar o decreto que elevava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), em uma votação surpresa articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na peça divulgada por Lula — e também compartilhada pela primeira-dama Janja — o governo se posiciona contra o que chama de “tititi na internet falando em imposto” e sustenta que não se trata de aumento da carga tributária, mas sim de “justiça tributária”. A proposta central do discurso é cobrar mais de quem ganha mais.

“O governo quer que quem tem mais pague mais. Isso é justiça tributária”, diz um dos personagens da história, que também destaca medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a criação de cashback no ICMS para pessoas de baixa renda, e o fim de isenções em investimentos de alto padrão.

O material visa reforçar o compromisso do Planalto com a correção de distorções históricas no sistema tributário brasileiro. “Antes, quem ganhava pouco era quem mais bancava. Agora, estamos colocando quem ganha mais para dividir a conta”, afirma o conteúdo.

A iniciativa de comunicação, no entanto, caiu mal entre parlamentares da base e aprofundou a crise com setores do Congresso. Deputados aliados de Hugo Motta consideraram que o governo tem insistido em uma retórica que antagoniza ricos e pobres, colocando o Parlamento no papel de protetor dos mais ricos — o que contribuiu para o desgaste na relação entre Legislativo e Executivo.

Apesar das tensões, o Planalto reafirma que manterá o tom da campanha e da narrativa adotada até aqui. Interlocutores próximos a Lula argumentam que a comunicação é parte do programa eleito em 2022 e que recuar seria abrir mão de uma das principais bandeiras do governo.

No horizonte imediato, o governo ainda precisa articular a aprovação de medidas essenciais. A principal delas é o projeto que isenta o IR para quem ganha até R$ 5 mil, com objetivo de entrar em vigor em 2026. Além disso, o Executivo tenta aprovar uma medida provisória com ações de compensação fiscal, incluindo a taxação de apostas online, tributação de criptoativos, o fim da isenção sobre juros sobre capital próprio e a unificação da alíquota do Imposto de Renda sobre investimentos.

A expectativa da equipe econômica é arrecadar cerca de R$ 10 bilhões com a MP. No entanto, caso também seja rejeitada, o Ministério da Fazenda já sinalizou que será necessário ampliar o bloqueio no Orçamento de 2025, impactando diretamente a execução de políticas públicas.

Redação Saiba+

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