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Saúde

Covid longa expõe lições cruciais para enfrentar futuras pandemias

Pesquisadores alertam que o risco de novas pandemias é crescente — e que os efeitos de longo prazo da Covid-19 podem ser o sinal de alerta que o mundo ainda não aprendeu a escutar.

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A cientista Janna Moen em pesquisa sobre a Covid longa na Faculdade de Medicina de Yale, em New Haven, Connecticut (EUA) - Jackie Molloy/The Washington Post

Cinco anos após o início da pandemia, cientistas e médicos seguem desvendando os impactos da Covid longa — condição marcada por sintomas persistentes e debilitantes. Embora ainda envolta em incertezas, essa síndrome trouxe à tona um alerta inescapável: novas pandemias são inevitáveis, e seus efeitos vão muito além da fase aguda da infecção.

“A realidade é que as pandemias vão acontecer novamente. Não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’”, afirma o epidemiologista Ziyad Al-Aly, da Universidade Washington em St. Louis. Para ele, a Covid longa deve servir como ponto de partida para preparar não só o sistema de saúde, mas também a sociedade, para os desafios crônicos que surgem após grandes surtos virais.

Estima-se que mais de 20 milhões de americanos estejam lidando com sintomas prolongados da Covid. Mas essas sequelas não são exclusivas da pandemia atual: registros semelhantes foram identificados após a gripe de 1918, o SARS-CoV-1, o MERS e até ebola e dengue. Especialistas agora veem um padrão claro — doenças pós-virais crônicas são parte do legado de grandes pandemias.

Com sintomas como fadiga extrema, confusão mental e dores persistentes, a Covid longa guarda semelhanças com a síndrome da fadiga crônica (EM/SFC), o que tem ajudado a lançar nova luz sobre condições até então pouco compreendidas.

Contudo, mesmo diante desse avanço, pesquisadores alertam que a estrutura de resposta está em risco. Nos Estados Unidos, cortes orçamentários afetaram diretamente programas voltados à pesquisa da Covid longa. O Escritório de Pesquisa da Covid Longa e o Comitê Consultivo do Departamento de Saúde foram extintos antes de realizarem suas primeiras ações efetivas.

“Estamos menos preparados hoje do que estávamos antes da Covid-19”, alerta Al-Aly. Além da perda de recursos, há também um esvaziamento da memória coletiva sobre os perigos vividos. “Pagamos um preço alto por esse conhecimento. Mais de 1,1 milhão de vidas foram perdidas. Precisamos agir antes que seja tarde novamente”, diz.

Apesar dos retrocessos, iniciativas como o programa Recover Covid conseguiram estabelecer uma base de dados inédita e multicêntrica sobre a síndrome, com quase 15 mil participantes em 83 centros de pesquisa nos EUA. Esses dados podem ser fundamentais para desenvolver protocolos mais rápidos e eficazes nas próximas emergências sanitárias.

A mensagem dos especialistas é clara: a próxima pandemia virá, e a experiência com a Covid longa precisa moldar nossa resposta futura, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral — inclusive nos anos que seguem após o fim do surto.

Redação Saiba+

Saúde

Ministério da Saúde amplia vacinação contra o sarampo em cidades paulistas

Nova recomendação contempla moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, mesmo aqueles que já receberam a vacina tríplice viral, diante do surto registrado em 2026.

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O Ministério da Saúde emitiu uma nova recomendação para reforçar a vacinação contra o sarampo em moradores dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, mesmo para pessoas que já tenham recebido anteriormente a vacina tríplice viral. A medida foi adotada após a identificação de uma cadeia de transmissão associada à importação do vírus de outros países, elevando o nível de atenção das autoridades sanitárias.

De acordo com o balanço mais recente, o estado de São Paulo confirmou 16 casos de sarampo em 2026. O cenário atual inclui um surto ativo com 13 casos na capital paulista, além de dois registros em São Bernardo do Campo e um caso em Guarulhos, o que motivou a intensificação das ações de prevenção.

A estratégia faz parte da Campanha de Multivacinação, realizada entre os dias 3 de agosto e 1º de setembro, período em que o público-alvo poderá atualizar sua situação vacinal. A mobilização contempla crianças a partir de 6 meses de idade, adolescentes e adultos de até 59 anos, conforme orientação das autoridades de saúde.

O reforço da imunização tem como principal objetivo interromper a circulação do vírus e evitar o avanço do surto, protegendo especialmente pessoas mais vulneráveis à doença. O Ministério da Saúde destaca que a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção contra o sarampo, enfermidade altamente contagiosa e que pode provocar complicações graves.

As equipes de saúde orientam que a população procure as unidades de vacinação durante a campanha para verificar a situação da carteira de imunização e, quando indicado, receber a dose recomendada. A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da cobertura vacinal e ao controle da circulação do vírus no estado.

Redação Saiba+

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Saúde

Estudo aponta início antecipado de surto de Ebola no Congo

Investigação financiada pela OMS indica que transmissão pode ter começado meses antes da identificação oficial dos primeiros casos

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Uma investigação conduzida por cientistas internacionais revelou novos indícios sobre o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC). De acordo com o estudo, financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a circulação do vírus pode ter começado em janeiro, cerca de quatro meses antes da detecção oficial dos primeiros casos pelas autoridades de saúde.

O levantamento foi realizado por três pesquisadores internacionais que atuaram diretamente no país africano e analisaram dados epidemiológicos relacionados ao avanço da doença. As conclusões sugerem que o vírus já estava em circulação por um período significativo antes da confirmação do surto.

Considerado o segundo maior surto de Ebola já registrado na República Democrática do Congo, o episódio continua em expansão e mantém autoridades sanitárias em alerta diante do risco de novos casos e da necessidade de intensificar as medidas de vigilância epidemiológica.

Segundo os pesquisadores, a identificação tardia da transmissão pode ter contribuído para a disseminação da doença, dificultando as estratégias iniciais de contenção. O diagnóstico precoce e o monitoramento contínuo são considerados fundamentais para reduzir a propagação do vírus e proteger as populações mais vulneráveis.

A investigação reforça a importância de investimentos em sistemas de vigilância, capacidade laboratorial e resposta rápida a surtos de doenças infecciosas, especialmente em regiões onde o acesso aos serviços de saúde enfrenta desafios estruturais.

Enquanto as autoridades seguem monitorando a evolução do cenário, a comunidade científica destaca que novos estudos serão essenciais para compreender a origem da transmissão, aperfeiçoar as ações de controle e fortalecer a preparação para futuras emergências sanitárias.

Redação Saiba+

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Saúde

Estudo aponta novo mecanismo ligado ao Alzheimer

Pesquisa identifica disfunção nas mitocôndrias como possível fator no desenvolvimento da doença e abre caminho para novas estratégias terapêuticas

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Uma nova pesquisa científica trouxe avanços importantes para a compreensão do Alzheimer, doença que afeta mais de 2 milhões de brasileiros, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil de 2023. O estudo identificou um novo mecanismo biológico associado aos estágios iniciais da enfermidade, reforçando a busca por tratamentos mais eficazes e diagnósticos precoces.

Os resultados, publicados na revista científica Nature Neuroscience, revelam que pessoas com Alzheimer apresentam uma disfunção nas mitocôndrias, estruturas celulares responsáveis pela produção de energia. Segundo os pesquisadores, esse comprometimento pode desempenhar um papel decisivo na progressão da doença.

A investigação aponta que, logo nas fases iniciais do Alzheimer, ocorre o acúmulo de placas mitocondriais no cérebro, indicando que o organismo perde a capacidade de reciclar adequadamente as mitocôndrias danificadas. Esse processo compromete o funcionamento das células cerebrais e pode contribuir para o avanço da degeneração neurológica.

A descoberta representa um importante avanço na compreensão dos mecanismos envolvidos na doença, uma vez que as causas exatas do Alzheimer ainda são alvo de estudos em todo o mundo. Os cientistas acreditam que a identificação desse processo pode favorecer o desenvolvimento de terapias direcionadas à preservação da função mitocondrial e à redução dos danos causados ao cérebro.

Além de ampliar o conhecimento sobre a doença, o estudo fortalece a perspectiva de que intervenções precoces possam retardar a evolução do Alzheimer, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.

Especialistas ressaltam que, embora os resultados sejam promissores, novas pesquisas serão necessárias para confirmar os achados e transformar o conhecimento em tratamentos clínicos. O avanço, no entanto, representa um passo significativo na luta contra uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras da atualidade.

Redação Saiba+

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