Brasil
Efeito Trump: carnes, café e pescados denunciam colapso
Sobretaxa de 50% dos EUA trava exportações e acende alerta no agro brasileiro

A sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já provoca efeitos devastadores em setores-chave do agronegócio, como as indústrias de carnes, café e pescados. Com queda abrupta nas exportações, paralisações de produção e ameaças de demissões em massa, lideranças do setor pressionam o governo brasileiro por negociações imediatas e linhas de crédito emergenciais.
A medida do presidente Donald Trump entra em vigor a partir do dia 6 de agosto, mas os impactos já começaram a ser sentidos. No setor de café, o Brasil é responsável por 34% do mercado americano. Segundo Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, os EUA não têm como substituir o produto nacional a curto prazo. “Não há suspensão de embarques ainda, mas a falta de ação dos dois governos preocupa”, alerta.
Atualmente, o café brasileiro era taxado em 10%, e agora passará a 50%, o que, segundo Heron, poderá elevar os preços ao consumidor americano e gerar pressão inflacionária interna nos EUA.
Já o setor de carnes bovinas enfrenta paralisia. A Marfrig, uma das maiores exportadoras do mundo, suspendeu a produção em seu complexo de Várzea Grande (MT) destinada ao mercado americano. Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec, a expectativa de exportar 400 mil toneladas em 2025 está comprometida. “Essa taxação inviabiliza as vendas para os Estados Unidos. As fábricas já pararam de produzir as remessas”, afirmou.
Em junho, as exportações de carne para os EUA caíram 80% em relação a abril, enquanto o preço médio por tonelada subiu 12%. O setor teme agora medidas de reciprocidade, o que poderia encerrar qualquer espaço para diálogo diplomático.
O setor de pescados, com forte presença no Nordeste e alto índice de exportação para os EUA, também está em alerta. Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, revelou que a paralisação dos negócios já começou. “Ou o governo cria uma linha de crédito agora, ou vamos ter fechamento em massa de empresas e demissões em 15 dias”, declarou. A associação solicitou R$ 900 milhões em crédito emergencial, mas ainda não obteve resposta oficial.
Além dos prejuízos diretos às empresas, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) alertou para reflexos econômicos em cadeia, como impacto no câmbio, aumento no custo dos insumos importados e queda na competitividade do Brasil no comércio global.
O que está em jogo não é apenas o faturamento de grandes empresas, mas o futuro de milhares de trabalhadores, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, e a posição do Brasil nos mercados internacionais. O governo Lula, até o momento, adota postura considerada passiva pelo setor produtivo, que exige uma resposta diplomática e econômica à altura da crise.
Brasil
Moraes pede manifestação da PGR sobre Smart TV, pastor e livros para Bolsonaro
Defesa solicita Smart TV, remição de pena por leitura e assistência religiosa ao ex-presidente

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 9, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre três solicitações apresentadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os pedidos envolvem o acesso a uma Smart TV, a participação no programa de remição de pena por leitura e a autorização para receber assistência religiosa durante o período em que permanece preso.
Segundo a defesa, a disponibilização de uma Smart TV permitiria que Bolsonaro acompanhasse conteúdos jornalísticos e informativos, considerados essenciais para manter o vínculo com a atualidade política e social do país. O equipamento seria fornecido pela própria família do ex-presidente.
Outro ponto destacado é a inclusão de Bolsonaro no programa de remição de pena por leitura, previsto na Lei de Execução Penal. A iniciativa possibilita a redução de dias da pena mediante a leitura de obras literárias e a entrega de relatórios avaliativos, prática já adotada em diversas unidades prisionais do país.
Além disso, os advogados solicitaram autorização para que Bolsonaro receba acompanhamento espiritual regular, indicando nomes de líderes religiosos responsáveis pelo atendimento. A defesa argumenta que o direito à liberdade religiosa deve ser plenamente assegurado, mesmo em contexto de custódia.
A decisão de Moraes reforça a necessidade de manifestação formal da PGR antes de qualquer deliberação sobre os pedidos, que têm gerado ampla repercussão política e jurídica.
Brasil
Moraes mantém prisão preventiva de Domingos Brazão, acusado de mandar matar Marielle
Decisão de Alexandre de Moraes reforça investigação sobre mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira, 8, manter a prisão preventiva do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão. Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime que completou seis anos e segue mobilizando autoridades e a sociedade civil.
Na decisão, Moraes destacou a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de preservar a integridade das apurações, considerando o risco de interferência no processo caso Brazão fosse solto. O ministro também ressaltou que a manutenção da prisão é fundamental para garantir a segurança de testemunhas e o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Domingos Brazão está afastado do TCE-RJ desde que seu nome passou a figurar entre os principais suspeitos de envolvimento no planejamento do crime. As investigações apontam para uma possível estrutura organizada por trás do atentado, o que reforça a importância de medidas cautelares rigorosas.
A decisão do STF representa mais um capítulo na busca por responsabilização completa dos envolvidos no assassinato que chocou o país e ganhou repercussão internacional. O caso segue em andamento, com novas diligências previstas para os próximos meses.
Brasil
URGENTE: Lula veta PL da Dosimetria de forma integral
Decisão foi anunciada em cerimônia que marcou três anos dos ataques aos Três Poderes; Congresso analisará manutenção ou derrubada do veto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na manhã desta quinta‑feira (8), o veto integral ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que previa a redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A assinatura do veto ocorreu durante uma cerimônia oficial organizada pelo governo para marcar os três anos dos ataques que resultaram na invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes, em Brasília. Segundo o governo, a decisão reforça o compromisso com a responsabilização dos envolvidos e com a defesa da ordem democrática.
Com o veto, o texto retorna ao Congresso Nacional, que terá a prerrogativa de manter ou derrubar a decisão presidencial. A análise será feita em sessão conjunta entre Senado e Câmara, em data ainda a ser definida. Parlamentares de diferentes bancadas já sinalizam articulações tanto para sustentar quanto para rejeitar o veto.
A medida reacende o debate político sobre os desdobramentos jurídicos dos atos de 8 de janeiro e sobre o papel do Legislativo na revisão de decisões que envolvem crimes contra o Estado democrático de direito.
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