Política
Moraes pressiona Bolsonaro e antecipa campanha: reação pode virar contra Lula
Decisão do STF provoca escalada política, trava o Congresso e abre janela para reorganização da oposição

O segundo semestre de 2025 começou com o termômetro político acima da média. A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, aliada à imposição de tornozeleira eletrônica, provocou uma reação explosiva da base bolsonarista no Congresso Nacional e nas ruas. Os atos do último domingo (3), com presença significativa dos “camisas amarelas” em várias capitais, são apenas o prenúncio de um cenário de confronto permanente que deve marcar o restante do ano.
Tudo indica que, em menos de dois meses, o Supremo Tribunal Federal condenará Bolsonaro por participação na suposta tentativa de golpe. Enquanto isso, a base aliada do ex-presidente promete endurecer ainda mais sua atuação no Parlamento, usando os mecanismos do regimento para obstruir votações e paralisar a agenda legislativa do governo Lula.
Esse cenário provoca um efeito colateral de grandes proporções: a antecipação da campanha eleitoral. Se normalmente o terceiro ano de mandato é o último com possibilidade real de tramitação de projetos relevantes, em 2025 essa janela já está praticamente fechada.
O governo Lula é quem mais perde com esse encurtamento do calendário político. Projetos estratégicos da base governista, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, um novo auxílio-gás ampliado, benefícios para entregadores por aplicativo e o fim da escala 6×1, enfrentam ainda mais resistência diante do clima conflagrado.
A ação de Moraes, pensada para isolar Bolsonaro, pode ter efeito contrário: fortalecer a militância conservadora e abrir espaço para reorganização da direita. O próprio ex-presidente, isolado e debilitado, já é visto por aliados como incapaz de sustentar sua candidatura. Porém, isso o obriga a decidir se apoiará Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou outro nome, como seus filhos ou os governadores Ratinho Jr., Caiado ou Zema.
O embate jurídico e político deve se intensificar até setembro, quando é esperado o julgamento de Bolsonaro. Até lá, novas manifestações estão previstas e podem servir de gatilho para novas decisões de Moraes, alimentando um ciclo de reação e repressão com efeitos imprevisíveis.
A antecipação do clima de campanha traz um risco e uma oportunidade para os dois lados. Lula já consolidou sua pré-candidatura. A oposição, por sua vez, precisa definir seus rumos e nomes, o que pode diminuir a fragmentação e fortalecer o polo conservador.
Se nada mudar, 2025 será lembrado como o ano em que a campanha presidencial começou com um ano de antecedência — e com o Judiciário como protagonista indesejado dessa disputa.
Política
Derrota de Elmar no TCU repercute na Bahia
Votação expressiva no Congresso gera reações de Bruno Reis e Jerônimo durante evento em Salvador

A derrota do deputado federal baiano Elmar Nascimento (União Brasil) na disputa por uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas da União (TCU) repercutiu entre importantes lideranças políticas da Bahia. O tema foi comentado durante a abertura da Bienal do Livro 2026, evento que reuniu autoridades e representantes políticos em Salvador.
Entre os presentes estavam o prefeito da capital baiana, Bruno Reis (União Brasil), e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que acompanharam de perto os desdobramentos da votação. O resultado foi interpretado como um movimento político relevante no cenário nacional, com impactos diretos nas articulações partidárias.
Na votação secreta realizada na noite de terça-feira (14), Elmar Nascimento foi derrotado por ampla margem. O parlamentar recebeu 96 votos, contra 303 votos conquistados por Odair Cunha (PT-MG), consolidando uma vitória expressiva no Congresso Nacional.
A disputa pela vaga no TCU mobilizou diferentes forças políticas e evidenciou a correlação de forças no Legislativo. A diferença significativa de votos reforça o peso das alianças partidárias e da articulação política em decisões estratégicas no Congresso.
Nos bastidores, a derrota de Elmar é vista como um revés importante para seu grupo político, enquanto a vitória de Odair Cunha fortalece o campo governista em âmbito federal. O episódio também deve influenciar futuras negociações e alinhamentos entre partidos, especialmente em um contexto pré-eleitoral.
Política
Jerônimo articula estratégia para reeleição
Governador reúne base aliada no Palácio de Ondina para alinhar comunicação e fortalecer projeto político

Dias após anunciar a composição da chapa majoritária, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), deu mais um passo estratégico rumo à consolidação de sua base política. O chefe do Executivo estadual reuniu, na noite da última segunda-feira (13), o conselho político e lideranças dos partidos aliados para discutir os próximos movimentos eleitorais e de comunicação.
O encontro ocorreu a portas fechadas no Palácio de Ondina, residência oficial do governador, e teve como foco principal o alinhamento de discurso e a definição de estratégias visando a manutenção do grupo governista no poder.
Segundo informações de bastidores, a reunião serviu para fortalecer a coesão entre os partidos da base e ajustar pontos considerados fundamentais para a campanha, incluindo posicionamento político, narrativa pública e atuação nas redes sociais. A antecipação dessas articulações demonstra a intenção do governo em estruturar uma campanha sólida e competitiva.
A movimentação de Jerônimo Rodrigues ocorre em um cenário de intensa disputa política no estado, onde alianças e estratégias de comunicação têm papel decisivo. O objetivo central é garantir unidade entre os aliados e ampliar o alcance das ações do governo junto à população, reforçando a imagem da gestão e seus resultados.
Com a base mobilizada e o planejamento em andamento, a expectativa é de que novas reuniões e agendas políticas sejam realizadas nas próximas semanas, consolidando o projeto de reeleição e ampliando o diálogo com diferentes setores da sociedade baiana.
Política
Governo reduz jornada de terceirizados federais
Decreto assinado por Lula diminui carga horária para 40 horas semanais sem corte de salários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta segunda-feira (13), um decreto que reduz a jornada de trabalho de profissionais terceirizados da administração pública federal. A medida estabelece a diminuição da carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial, beneficiando milhares de trabalhadores em todo o país.
A iniciativa amplia uma política que já vinha sendo implementada desde 2024 e agora passa a abranger todas as categorias de serviços com dedicação exclusiva ao setor público. Com a nova etapa, cerca de 40 mil trabalhadores serão contemplados, somando-se a outros quase 20 mil já beneficiados anteriormente.
O decreto tem como objetivo promover melhores condições de trabalho, equilibrando a carga horária com a qualidade de vida dos profissionais. A manutenção dos salários mesmo com a redução da jornada é um dos pontos mais relevantes da medida, garantindo estabilidade financeira aos trabalhadores.
Além disso, a decisão reforça uma tendência global de revisão das jornadas tradicionais, com foco em produtividade e bem-estar. No contexto da administração pública, a mudança também busca padronizar contratos e adequar práticas às novas diretrizes trabalhistas adotadas pelo governo federal.
Especialistas avaliam que a ampliação da política pode gerar impactos positivos tanto no ambiente de trabalho quanto na eficiência dos serviços prestados. A expectativa é de que a medida contribua para maior satisfação dos trabalhadores e melhor desempenho das atividades no setor público.
Com a assinatura do decreto, o governo federal dá mais um passo na reformulação das condições de trabalho de terceirizados, consolidando uma política que deve continuar em expansão nos próximos anos.
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