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Agronegócio baiano cobra investimentos para superar desafios históricos

Presidente da Faeb alerta para insegurança jurídica, seca e falta de infraestrutura que travam o crescimento do setor na Bahia

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Infraestrutura, insegurança e seca: Desafios do agronegócio na Bahia; CNA/ Wenderson Araujo/Trilux

O agronegócio baiano, responsável por 14,3% do PIB do estado no primeiro trimestre de 2025, enfrenta uma série de gargalos que comprometem sua competitividade e seu crescimento sustentável. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Dr. Humberto Miranda, que apontou como principais entraves a seca, a falta de infraestrutura logística e a insegurança no campo.

Insegurança jurídica e violência no campo

Segundo Miranda, um dos maiores problemas é a insegurança jurídica. Muitos produtores, mesmo após cumprirem todos os trâmites legais na aquisição de terras, acabam enfrentando disputas judiciais anos depois, em razão de falhas documentais.
Não há confiança para investir quando o produtor faz tudo dentro da lei e ainda assim vê sua terra questionada judicialmente anos depois”, alertou.

Outro fator preocupante é a violência no campo, que tem dificultado a contratação de mão de obra. “Hoje, não conseguimos encontrar um vaqueiro que aceite morar na fazenda pela sensação de insegurança. Isso compromete o ciclo produtivo e afasta famílias do interior”, completou.

Estradas precárias, ferrovias paradas e portos caros

A infraestrutura também é um dos principais gargalos. As estradas estaduais estão sobrecarregadas e mal conservadas, enquanto as ferrovias permanecem sucateadas. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), considerada estratégica para o escoamento da produção, segue inacabada.

O Trecho 1 da Fiol teve suas obras suspensas após o rompimento do contrato entre a Bahia Mineração (Bamin) e a construtora Prumo Engenharia. A paralisação ocorreu em abril de 2025, com 75% do projeto concluído e R$ 784 milhões já investidos. O governo federal anunciou expectativa de conclusão até 2026, após cobrança direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Precisamos de investimentos sérios em ferrovias, porque esse é o caminho mais barato para escoar a produção. Enquanto isso, nossas rodovias não são duplicadas e Salvador segue com apenas uma via de entrada e saída”, destacou Miranda.

Além disso, os altos custos nos portos baianos reduzem a competitividade frente a outros estados e ao mercado internacional.

Seca e atraso na construção de barragens

A estiagem prolongada segue como um dos maiores obstáculos. A Bahia acumula 20 anos de atraso na construção de barragens, fundamentais para o enfrentamento da seca.
A seca não é causa, é desculpa. Sempre foi usada politicamente no Nordeste. Não se combate seca com carro-pipa, mas com políticas de convivência e investimentos em infraestrutura”, criticou Miranda, lembrando que 92 municípios baianos já estavam em situação de emergência em abril.

Energia, conectividade e educação no campo

Os pequenos produtores também sofrem com a falta de apoio estrutural. Segundo Miranda, muitos ainda dependem do programa Luz para Todos, criado em 2004 pelo presidente Lula, mas que fornece apenas o básico para residências. Na Bahia, mais de 70 mil famílias ainda vivem sem acesso à energia elétrica.

A falta de internet no campo também foi destacada como um entrave. “Hoje, acesso à internet é tão essencial quanto energia. É por meio dela que o agricultor acessa crédito, assistência técnica e vende sua produção. Sem isso, o campo fica isolado”, afirmou.

Outro ponto crítico é a educação rural. “Não dá mais para trabalhar na agricultura sem qualificação técnica. Mas a fragilidade da educação baiana dificulta a formação de mão de obra especializada”, disse.

Planejamento de longo prazo

Miranda alertou que, sem planejamento consistente, a Bahia seguirá perdendo espaço para outros estados e até para países que convivem com condições climáticas severas, como Israel, Argentina e Estados Unidos.

Não faltam exemplos de superação no agronegócio baiano, como o Vale do São Francisco. Mas precisamos que o Estado cumpra seu papel para que o campo seja de fato o motor do desenvolvimento da Bahia”, concluiu.

Redação Saiba+

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Lula celebra indicação de Wagner Moura ao Oscar 2026

Presidente destaca talento do ator baiano após anúncio oficial dos indicados à premiação internacional

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Os indicados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (22) | Bnews - Divulgação Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou publicamente a indicação do ator baiano Wagner Moura ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Ator, reconhecimento conquistado por sua atuação no filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. A manifestação foi feita nas redes sociais, onde Lula exaltou o talento do artista e afirmou que “o baiano tem o molho”, em referência ao destaque internacional alcançado por Moura.

A lista oficial dos indicados foi divulgada na manhã desta quinta-feira (22), movimentando o cenário cultural brasileiro e reforçando a presença do país na maior premiação do cinema mundial. A performance de Wagner Moura no longa tem sido amplamente elogiada pela crítica especializada, consolidando o ator como um dos nomes mais expressivos do audiovisual contemporâneo.

A reação do presidente também repercutiu entre artistas, produtores e admiradores do cinema nacional, que celebraram a conquista como um marco para a indústria brasileira. A indicação fortalece a visibilidade do trabalho de Kleber Mendonça Filho, diretor reconhecido por sua linguagem autoral e por obras que dialogam com questões sociais e culturais do país.

Com a nomeação, Wagner Moura entra oficialmente na disputa pela estatueta, ampliando as expectativas do público brasileiro para a cerimônia de 2026 e reafirmando o potencial do cinema nacional no cenário internacional.

Redação Saiba+

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Zé Eduardo critica caminhada de Nikolas Ferreira rumo a Brasília

Apresentador chama ato simbólico de “hipocrisia barata” e questiona motivação do deputado

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Apresentador questionou as prioridades do deputado | Bnews - Divulgação Reprodução

O apresentador Zé Eduardo fez duras críticas, nesta quarta-feira (21), à caminhada realizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de Minas Gerais até Brasília. O ato simbólico foi promovido pelo parlamentar como forma de protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por envolvimento em uma suposta trama golpista.

Durante o programa Giro Baiana, transmitido pela rádio Baiana FM (89,3), Zé Eduardo classificou a iniciativa como “uma hipocrisia barata”, destacando que, em sua avaliação, o deputado demonstra preocupação exclusiva com “um único personagem político”.

O comunicador também questionou a real efetividade do gesto, afirmando que manifestações desse tipo pouco contribuem para o debate público e acabam servindo mais como estratégia de visibilidade do que como defesa de princípios democráticos.

A declaração repercutiu entre ouvintes e nas redes sociais, ampliando a discussão sobre o papel de figuras públicas em atos políticos e sobre os limites entre engajamento e autopromoção.

Redação Saiba+

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Boulos prevê votação do fim da escala 6×1 ainda neste semestre

Ministro afirma que articulação com Câmara avança e que mudança na jornada de trabalho ganha força no Congresso

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Mudança na lei trabalhista deve ser uma das apostas da campanha à reeleição de Lula | Bnews - Divulgação Freepik

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, revelou que o governo intensificou as articulações para alterar o modelo atual de jornada de trabalho no país. Segundo ele, uma conversa recente com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), abriu caminho para que o tema avance no Legislativo.

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Boulos afirmou que a expectativa é de que o Congresso Nacional vote o fim da escala 6×1 ainda neste semestre, sinalizando que a proposta tem ganhado apoio entre parlamentares e setores do governo.

O ministro destacou que a mudança busca modernizar as relações trabalhistas e garantir melhores condições aos trabalhadores, reforçando que o debate está sendo conduzido com responsabilidade e diálogo entre Executivo e Legislativo.

A possível revisão da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um — é vista como um passo importante para equilibrar produtividade e qualidade de vida, tema que vem ganhando relevância nas discussões sobre direitos trabalhistas no Brasil.

Redação Saiba+

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