Política
Lula aciona advogados nos EUA para barrar sanções de Trump
Governo brasileiro aposta em escritório norte-americano para reverter tarifas de 50% e punições contra ministros do STF baseadas na Lei Magnitsky.

A Advocacia-Geral da União (AGU) está em fase final de contratação de um escritório de advocacia nos Estados Unidos. O objetivo é reverter as sanções impostas pelo governo de Donald Trump, que incluem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e restrições a autoridades, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky.
De acordo com a AGU, os advogados atuarão “administrativa e judicialmente em defesa do Estado brasileiro”, tanto em tribunais norte-americanos quanto em negociações extrajudiciais junto ao governo e órgãos federais dos EUA. A medida é vista como estratégica para enfrentar o lobby de Eduardo Bolsonaro, que tem influenciado a Casa Branca e congressistas a manterem as punições em razão do processo contra Jair Bolsonaro, acusado de planejar um golpe de Estado.
A contratação recebeu apoio de empresários brasileiros, preocupados com o impacto das tarifas no comércio bilateral. Desde julho, a AGU publicou portaria no Diário Oficial da União que estabelece regras para contratação de advogados no exterior, em caráter de dispensa de licitação.
As sanções vão além das barreiras comerciais: autoridades brasileiras foram proibidas de entrar nos EUA e o ministro Alexandre de Moraes sofreu bloqueio financeiro em território americano. Embora Moraes tenha declarado que não pretende recorrer da decisão, a AGU confirmou que, caso mude de ideia, ele poderá contar com a representação contratada.
O processo será conduzido pela Comissão de Seleção de Advogado ou Especialista para Defesa da República no Exterior (Cadex), que avalia escritórios de notória especialização. O valor dos honorários será definido caso a caso e poderá ser custeado por outros órgãos públicos, caso o orçamento da AGU não seja suficiente.
A expectativa é que o anúncio oficial seja feito nos próximos dias, marcando uma nova etapa na relação entre Brasil e Estados Unidos em meio à crise diplomática e econômica.
Política
Haddad define Márcio França como vice em chapa em SP
Em reunião no Palácio da Alvorada, composição da aliança petista em São Paulo é ajustada com participação de Lula e lideranças políticas.

Em reunião realizada na quarta-feira no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), definiu a composição de sua chapa para a disputa eleitoral de outubro. Ficou acertado que o ex-governador e atual vice-presidente da República, Márcio França (PSB), será o candidato a vice na composição.
O encontro ocorreu pouco antes da partida entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo e contou com a presença de diversas lideranças políticas. Segundo informações divulgadas após a reunião, Haddad também afirmou que as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) disputarão vagas ao Senado na mesma aliança.
Após a conversa, o pré-candidato afirmou em suas redes sociais que os nomes colocados no encontro se colocaram à disposição para compor a chapa e que a decisão final seria formalizada no dia seguinte, reforçando o alinhamento interno do grupo político.
Além de Lula, Haddad e França, participaram da reunião o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o presidente do PSB, João Campos. O encontro foi marcado por registros fotográficos em que os participantes aparecem vestindo camisas da Seleção Brasileira, em clima de descontração durante a articulação política.
A definição reforça a estratégia de consolidação de alianças entre PT, PSB e Rede, mirando a formação de uma frente ampla para o pleito estadual em São Paulo.
Política
Auditoria aponta irregularidades em emendas Pix na Bahia
Levantamento do TCE-BA revela falhas em mais de 90% das transferências e distribuição de quase R$ 1 bilhão entre municípios baianos.

Uma auditoria nacional realizada em conjunto com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) identificou irregularidades em mais de 90% das chamadas emendas Pix, modalidade de transferência direta de recursos parlamentares para estados e municípios. O levantamento chama atenção para a forma como os recursos vêm sendo aplicados e a necessidade de maior transparência na execução dos valores.
Segundo o relatório, municípios baianos receberam aproximadamente R$ 990,9 milhões entre 2023 e 2024 por meio dessas transferências. O estudo analisou a destinação dos recursos e apontou inconsistências na aplicação e na prestação de contas em grande parte das cidades beneficiadas.
Entre os destaques da auditoria está o município de Caetité, que possui cerca de 54 mil habitantes e recebeu R$ 950 mil em emendas individuais no período analisado, durante a gestão do prefeito Valtécio Neves de Aguiar (PDT). O volume de recursos chamou atenção dos órgãos de controle pelo impacto proporcional na realidade local.
Outro caso citado no levantamento é o de Palmas de Monte Alto, com aproximadamente 22 mil habitantes. O município recebeu R$ 1,75 milhão em 2023, sob a administração do prefeito Manoel Rubens Vicente da Cruz (PSD), também dentro do conjunto de transferências analisadas.
O relatório também destaca os municípios que mais receberam recursos no estado durante o biênio. Camaçari lidera o ranking com R$ 45,3 milhões, seguido por Coração de Maria, com R$ 37,5 milhões, e Sítio do Mato, com R$ 28,4 milhões. Os valores refletem a concentração significativa de repasses em determinadas cidades baianas.
A auditoria levanta questionamentos sobre a eficiência, fiscalização e transparência das emendas Pix, mecanismo criado para agilizar o repasse de verbas públicas, mas que agora passa a ser alvo de maior escrutínio por órgãos de controle.
O TCE-BA deve aprofundar a análise dos dados e encaminhar recomendações para ajustes nos processos de controle e prestação de contas. A expectativa é de que novos desdobramentos possam surgir a partir da consolidação das informações levantadas pela auditoria.
O caso reforça o debate nacional sobre o uso das emendas parlamentares e a necessidade de mecanismos mais rigorosos de fiscalização para garantir a correta aplicação dos recursos públicos.
Política
PF mira deputado em nova operação sobre emendas
Josimar Maranhãozinho foi alvo de mandado de busca e apreensão em ação autorizada pelo ministro Flávio Dino, que apura suspeitas de desvios de recursos públicos.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), uma nova operação para investigar supostos desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos da ação está o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação foi determinada pelo ministro Flávio Dino, responsável pela autorização das medidas cautelares no âmbito da investigação. Os agentes federais cumpriram diligências para coletar documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das apurações.
O caso envolve suspeitas relacionadas à destinação e utilização de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, mecanismo utilizado por deputados e senadores para direcionar verbas federais a estados e municípios.
A nova ofensiva da Polícia Federal ocorre poucos meses após Josimar Maranhãozinho ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal em um processo também relacionado a supostas irregularidades envolvendo emendas. Na ocasião, o parlamentar negou qualquer prática ilícita e reafirmou sua inocência.
Segundo informações ligadas à investigação, os elementos recolhidos durante a operação serão analisados para verificar possíveis conexões entre pessoas, contratos e movimentações financeiras sob suspeita. O objetivo é esclarecer se houve irregularidades na aplicação dos recursos destinados por meio das emendas.
A operação reforça o trabalho dos órgãos de controle e fiscalização no acompanhamento da execução de verbas públicas, tema que tem ganhado destaque nacional nos últimos anos diante do aumento das discussões sobre transparência e responsabilidade na gestão dos recursos federais.
A defesa do parlamentar tem sustentado que não houve irregularidades e que os fatos serão devidamente esclarecidos durante o andamento do processo. Enquanto isso, as investigações seguem sob supervisão do STF.
O caso permanece em apuração e novas etapas da investigação não estão descartadas pelas autoridades responsáveis.
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