Política
PF: Elmar Nascimento integra esquema de fraude a licitações e desvio de dinheiro público
Investigação da Operação Overclean revela indícios de participação do deputado baiano em fraudes milionárias ligadas a contratos de pavimentação e limpeza urbana.

A Polícia Federal apontou indícios de participação do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) em um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público, investigado pela Operação Overclean. O inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a identificação de elementos que conectariam o parlamentar a contratos de pavimentação e limpeza urbana em municípios da Bahia.
Na última fase da operação, em julho, o ministro Nunes Marques, do STF, negou o pedido da PF para realizar busca e apreensão, bloqueio de bens e afastamento do deputado e de seu irmão, Elmo Nascimento (União), prefeito de Campo Formoso. No entanto, autorizou medidas contra os demais investigados. A defesa de Elmar nega qualquer beneficiamento e afirma que as suspeitas se baseiam apenas em contatos comuns à rotina parlamentar.
De acordo com a PF, a empresa Allpha Pavimentações, dos empresários Alex e Fábio Parente, venceu duas licitações em Campo Formoso, no valor de R$ 51 milhões, com recursos de emendas parlamentares enviadas por Elmar. Conversas obtidas pelos investigadores indicam que familiares e aliados políticos do deputado manipularam os certames em benefício da Allpha.
Entre os indícios, estão:
- Uma planilha apreendida que registra repasses de R$ 493 mil a um assessor e primo do parlamentar, Amaury Albuquerque Nascimento;
- A compra de um apartamento por Elmar da filha do empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, por valor abaixo do mercado;
- Mensagens de celular que citam reunião de Elmar com empresários investigados em Brasília, em novembro de 2022, semanas antes da liberação de emendas para obras em Campo Formoso.
A PF também destacou movimentações financeiras suspeitas atribuídas a Amaury Nascimento, que teria feito transações incompatíveis com sua renda. Relatórios do Coaf apontam negócios imobiliários sem origem lícita aparente, o que levantou suspeita de repasse indireto de valores ao deputado por meio de terceiros.
A defesa de Elmar Nascimento, no entanto, considera os indícios frágeis e lembra que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra medidas mais duras. Em nota, a equipe jurídica do deputado classificou as suspeitas como “vazamentos seletivos” e afirmou que os contratos e negociações apontados foram regulares, registrados em cartório e dentro da legalidade.
A Codevasf, estatal citada na investigação por repasses de verbas, declarou que mantém compromisso com a elucidação dos fatos e seguirá colaborando com as autoridades. A Prefeitura de Campo Formoso, a defesa da empresa Lumax e o vereador Francisco Nascimento, também mencionados no inquérito, não responderam até a publicação desta matéria.
A Operação Overclean segue em andamento, investigando possíveis esquemas de superfaturamento, corrupção e desvio de recursos públicos em obras de infraestrutura financiadas com verbas federais na Bahia.
Política
Hugo Motta nega disputa por protagonismo com governo Lula
Presidente da Câmara afirma que debate sobre o fim da escala 6×1 não envolve rivalidade política

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), afirmou nesta quinta-feira (26) que não existe qualquer “briga de ego” entre o Legislativo e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao debate sobre o fim da escala 6×1. A declaração ocorre em meio ao avanço das discussões sobre mudanças na jornada de trabalho, tema que mobiliza parlamentares, centrais sindicais e setores empresariais.
Segundo Motta, a Câmara tem atuado de forma institucional e responsável, buscando construir um texto equilibrado e que considere os impactos econômicos e sociais da proposta. Ele destacou que o diálogo com o Executivo permanece aberto e que não há disputa por protagonismo, mas sim a intenção de garantir segurança jurídica e previsibilidade para trabalhadores e empregadores.
O presidente da Câmara também reforçou que o tema exige maturidade política e análise técnica, já que envolve mudanças estruturais nas relações de trabalho. Motta afirmou que o Parlamento seguirá conduzindo o debate com transparência e ouvindo todos os setores envolvidos.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve continuar nas próximas semanas, com expectativa de novas audiências e articulações entre líderes partidários.
Política
Margareth Menezes defende Lei Rouanet e lança programa para interiorizar recursos
Ministra rebate críticas e anuncia iniciativa que amplia acesso de produtores culturais do interior à principal lei de incentivo do país

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, se posicionou nesta quinta-feira (26) sobre as críticas envolvendo o uso da Lei Rouanet em apresentações artísticas. A manifestação ocorreu durante o lançamento do programa “Rouanet no Interior”, em Salvador, iniciativa que busca ampliar o acesso de produtores culturais de cidades do interior aos recursos de incentivo federal.
Durante o evento, Margareth destacou que a Lei Rouanet é um dos principais instrumentos de fomento à cultura no Brasil e que tem sido alvo de interpretações equivocadas. Segundo ela, o mecanismo é fundamental para garantir a circulação de espetáculos, a formação de público e a sustentabilidade econômica de artistas e grupos culturais.
A ministra ressaltou que o novo programa tem como objetivo descentralizar investimentos, permitindo que municípios fora dos grandes centros também tenham condições de desenvolver projetos culturais. A proposta inclui ações de capacitação, orientação técnica e apoio à elaboração de projetos, fortalecendo a cadeia produtiva da cultura no interior do país.
Margareth também enfatizou que o Ministério da Cultura vem adotando medidas para aperfeiçoar a transparência e a fiscalização dos projetos aprovados, assegurando que os recursos sejam aplicados de forma responsável e com impacto social.
O lançamento do “Rouanet no Interior” marca mais um passo na estratégia do governo federal de democratizar o acesso às políticas culturais e reduzir desigualdades regionais no setor.
Política
Jerônimo diz que chapa governista ainda não está definida
Governador afirma que composição eleitoral será fechada até março e que conversas continuam em andamento

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta quinta-feira (26) que a chapa governista para as eleições deste ano ainda não está definida. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio A TARDE FM, onde o chefe do Executivo destacou que o grupo político segue em fase de construção e alinhamento interno.
Segundo Jerônimo, as articulações envolvem partidos aliados, lideranças regionais e representantes de diferentes setores da base. Ele reforçou que o processo está sendo conduzido com cautela e diálogo, e que a expectativa é de que tudo esteja concluído até março, prazo considerado estratégico para o planejamento eleitoral.
O governador também ressaltou que a definição da chapa deve refletir equilíbrio político, representatividade e compromisso com o projeto de continuidade da gestão estadual. Nos bastidores, nomes cotados seguem sendo avaliados, mas Jerônimo evitou antecipar decisões ou confirmar indicações.
A indefinição mantém o cenário aberto dentro da base governista, que trabalha para consolidar alianças e fortalecer a estratégia para o pleito deste ano.
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