Política
Câmara aprova PEC da Blindagem e restringe atuação do STF contra parlamentares
Proposta pode afetar 36 inquéritos que envolvem 108 deputados e senadores, incluindo casos de emendas e milícias digitais

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16) a chamada PEC da Blindagem, que pode impactar diretamente 36 inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo 108 parlamentares. O texto, articulado pelo Centrão, foi aprovado por 344 votos a 133 e segue agora para análise no Senado.
Pela redação atual, nenhum processo criminal contra deputados e senadores poderá avançar sem o aval do Congresso. Na prática, o STF terá de solicitar autorização da Casa em que o parlamentar exerce o mandato para dar continuidade às ações penais.
A proposta beneficia diretamente Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e alcança tanto aliados do governo quanto opositores, sobretudo em investigações sobre desvios de emendas parlamentares.
Quem pode ser beneficiado pela PEC
Entre os investigados estão nomes da oposição, como Zé Trovão, Bia Kicis, Carla Zambelli, Filipe Barros, Cabo Junio Amaral, Luiz Philippe de Orleans e Bragança e Gil Diniz — todos citados nos inquéritos das milícias digitais e fake news, sob relatoria de Alexandre de Moraes.
Também aparece na lista o deputado Eduardo Bolsonaro, acusado de articular, ao lado do pai, Jair Bolsonaro, pressões junto a autoridades americanas para tentar reverter a ação penal do golpe, na qual o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão.
Outra frente de apuração envolve desvios de emendas do orçamento secreto, atingindo nomes como Elmar Nascimento (União-BA), Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e José Guimarães (PT-CE), além de outros parlamentares investigados em diferentes operações.
Críticas de especialistas e juristas
Para a pesquisadora da USP e professora da ESPM Ana Laura Barbosa, a PEC representa um “grande retrocesso”, pois retoma regras em vigor até 2001, quando nenhum parlamentar chegou a ser processado criminalmente.
O criminalista Renato Vieira, ex-presidente do IBCCRIM, classifica a medida como um “movimento de blindagem parlamentar” em desacordo com princípios democráticos. Já o procurador de Justiça Roberto Livianu, presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, afirma que a aprovação transmite a mensagem de que “o crime organizado é muito bem-vindo aqui”.
No Congresso, parlamentares da oposição também criticaram a PEC. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) declarou que a proposta amplia o foro privilegiado e serve apenas para “blindar malfeitores”, reforçando a percepção de autoproteção no Legislativo.
Política
Reginaldo Lopes destaca aproximação entre Lula e Hugo Motta
Líder do PT na Câmara afirma que diálogo com o presidente da Casa pode ampliar a governabilidade em um eventual novo mandato de Lula

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados e autor da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, destacou a aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Para o parlamentar, o diálogo entre as duas lideranças representa um movimento importante para a articulação política em Brasília e pode contribuir para a construção de uma relação mais próxima entre o Executivo e o Legislativo.
Aliança é vista como estratégica
Reginaldo Lopes afirmou que a aproximação com Hugo Motta é especialmente relevante porque o deputado paraibano ocupa a presidência da Câmara e exerce papel central na condução das pautas do Congresso Nacional.
“É extremamente importante, porque o presidente Hugo Motta hoje lidera o Parlamento brasileiro”, afirmou o deputado.
Na avaliação de Lopes, a construção de uma relação institucional também com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, será importante para garantir maior espaço de negociação e aprovação de projetos de interesse do governo.
“E, de fato, essa aliança — tanto com o presidente Motta quanto com Davi Alcolumbre — é fundamental na perspectiva da gente dar maior governabilidade ao Lula 4”, declarou.
Relação com o Congresso ganha destaque
A aproximação entre Lula e os presidentes das duas Casas legislativas é apontada como um dos fatores que podem influenciar a capacidade do governo de avançar com sua agenda no Congresso.
Para Reginaldo Lopes, a articulação entre Executivo, Câmara e Senado será fundamental para ampliar a governabilidade e construir acordos em torno de propostas consideradas prioritárias.
O deputado também ocupa posição de destaque nas discussões sobre mudanças na legislação trabalhista. Ele é autor da PEC que prevê o fim da escala 6×1, tema que vem ganhando espaço no debate nacional e mobilizando parlamentares, trabalhadores e setores produtivos.
PEC do fim da escala 6×1
A proposta defendida por Lopes prevê mudanças no modelo tradicional de jornada em que o trabalhador exerce atividades durante seis dias e tem apenas um dia de descanso.
O tema se tornou uma das principais pautas relacionadas às condições de trabalho e tem provocado debates sobre produtividade, qualidade de vida e impactos econômicos.
Como líder da bancada do PT na Câmara, Reginaldo Lopes participa diretamente das articulações políticas envolvendo a tramitação de propostas e a definição das prioridades do partido no Legislativo.
Cenário político
A declaração ocorre em meio à intensificação das articulações políticas para o próximo período eleitoral e para a formação de uma base capaz de sustentar uma eventual nova administração de Lula.
Nesse cenário, a relação entre o Palácio do Planalto e o comando do Congresso poderá ter peso decisivo na aprovação de projetos e na condução da agenda política nacional.
A avaliação de Reginaldo Lopes reforça a importância atribuída pelo PT ao diálogo institucional com as principais lideranças do Legislativo, especialmente em um eventual quarto mandato de Lula.
Política
Lula troca Porto Alegre por Salvador
Presidente cancela agenda no Rio Grande do Sul devido à previsão de mau tempo e prepara caminhada na capital baiana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cancelou a viagem que faria a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e decidiu incluir Salvador na agenda da próxima sexta-feira (28/8). A mudança ocorre em meio à programação de campanha do petista para as eleições de 2026.
Segundo informações sobre a agenda presidencial, a visita ao Sul foi adiada por causa da previsão de mau tempo. A alteração levou a equipe de Lula a concentrar esforços na organização de uma atividade política em Salvador, onde o presidente pretende participar de uma caminhada com apoiadores.
A presença de Lula na Bahia reforça a importância do estado na estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores. A Bahia é considerada uma das principais bases eleitorais do presidente e historicamente registra forte votação do petista em disputas nacionais.
Três locais estão sendo avaliados
O local exato da caminhada ainda não foi definido pela organização. Entre as alternativas consideradas estão Ondina, Campo Grande e a região da tradicional Igreja do Bonfim.
A escolha deverá levar em conta questões de logística, segurança, mobilidade e estrutura para receber os participantes. A definição também será importante para estabelecer o trajeto da caminhada e os pontos de concentração dos apoiadores.
A Igreja do Bonfim aparece entre as possibilidades por ter uma relação histórica com as agendas políticas de Lula na Bahia. O local costuma ser visitado pelo presidente durante períodos de campanha eleitoral e também integra roteiros de autoridades que passam pela capital baiana.
Agenda no estado ganha destaque
A mudança na programação ocorre em um momento de intensificação das atividades eleitorais. Com a aproximação de novas etapas da disputa presidencial, os principais candidatos ampliam a presença em estados considerados estratégicos para a formação de alianças e mobilização de eleitores.
A expectativa é que a passagem de Lula por Salvador também seja marcada pela presença de lideranças políticas locais e integrantes da campanha. O formato definitivo do ato, assim como o horário e o endereço da concentração, ainda dependem da confirmação da equipe responsável pela agenda.
Enquanto a programação em Porto Alegre foi adiada, a equipe presidencial deverá manter o planejamento de outras atividades previstas para o período. A nova agenda em Salvador deverá ser detalhada nos próximos dias.
A presença do presidente na capital baiana também deve movimentar o cenário político estadual, especialmente pela possibilidade de participação de aliados e lideranças do PT e de partidos da base governista.
Política
Advogados do milionário Fauci criam fundo para pagar defesa dele
Iniciativa busca financiar a defesa do médico diante de investigações e denúncias relacionadas à atuação durante a pandemia de Covid-19

Os advogados do médico Anthony Fauci, que coordenou a resposta nacional dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19, criaram um fundo para arrecadar dinheiro para custear a defesa dele, em meio a uma série de denúncias e investigações contra o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês).
A iniciativa possui um site, por meio do qual apoiadores de Fauci podem fazer doações. Eventuais excedentes após a conclusão de todas as investigações serão doados para instituições de caridade, afirmaram os advogados.
“Fauci enfrenta uma ofensiva jurídica sem precedentes para um servidor público aposentado, e ele merece uma defesa sólida contra essas ações infundadas e temerárias”, disse David Schertler, um dos advogados de Fauci, à agência Reuters.
“O doutor Fauci não fez nada de errado, e estamos preparados para combater esse assédio vergonhoso contra um homem honrado que dedicou sua carreira a salvar vidas”, acrescentou.
Segundo a emissora Fox News, antes de se aposentar, Fauci era o servidor mais bem pago do governo federal dos EUA, com remuneração de quase US$ 500 mil por ano, e atualmente recebe uma pensão federal que se equipara ao salário de presidente. Ele e sua esposa declararam um patrimônio líquido conjunto de US$ 12,6 milhões em 2021.
Diretor do Niaid entre 1984 e 2022, Fauci é acusado pelos republicanos de ter escondido informações sobre a origem da Covid-19 e ter errado na condução da resposta à pandemia.
No final da sua gestão, o presidente democrata Joe Biden (2021-2025) concedeu um perdão presidencial preventivo a Fauci contra eventuais acusações federais por questões relativas à pandemia, mas ele ainda pode ser alvo de processos judiciais nos estados.
Os procuradores-gerais da Flórida, da Virgínia Ocidental e da Louisiana anunciaram recentemente investigações para apurar se Fauci se beneficiou irregularmente da exposição na mídia que obteve durante a pandemia.
Além disso, depois dele ter se recusado a responder a perguntas de senadores americanos em audiência no final de julho, um comitê do Senado declarou Fauci em desacato e encaminhou o caso para o Departamento de Justiça (DOJ).
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