Mundo
Argentina sob Marel Milei: avanços fiscais e crescente insatisfação social
Após dois anos no governo, as reformas liberais de Javier Milei mostram progresso macroeconômico, mas criam tensões profundas na indústria, emprego e dissonância social

Após dois anos no poder, o presidente Javier Milei transformou a Argentina em um grande laboratório econômico. Suas medidas de ajuste fiscal e reformas liberais provocaram forte impacto na economia, gerando redução da inflação e superávit nas contas públicas, mas também aprofundando tensões sociais e trabalhistas em diversas regiões do país.
A agenda de Milei conseguiu restaurar parte da confiança dos investidores e estabilizar o câmbio, resultados celebrados pelo governo como prova de eficiência da política econômica. No entanto, os custos sociais da transformação são altos: o desemprego aumentou, o setor industrial perdeu fôlego, e os índices de pobreza cresceram, especialmente entre trabalhadores informais e famílias de baixa renda.
A rápida abertura comercial e o corte de subsídios afetaram a indústria nacional, que enfrenta queda na produção e fechamento de fábricas. Muitos empresários alertam para um processo de desindustrialização precoce, que ameaça empregos e compromete a recuperação de longo prazo.
No campo social, as manifestações contra as medidas de austeridade se multiplicam. Sindicatos e movimentos populares denunciam reduções em programas sociais, aumento do custo de vida e concentração de renda. Mesmo assim, Milei mantém apoio de parte da população que acredita na necessidade de “sacrifícios” para reconstruir o país.
Com a economia ajustada, mas o tecido social em tensão, a Argentina entra em uma nova fase de desafios: reconquistar o crescimento com inclusão, estabilizar o emprego e preservar o apoio político para consolidar as reformas. O futuro do governo Milei dependerá da capacidade de equilibrar resultados econômicos com justiça social — e de provar que seu projeto libertário pode ser sustentável.
Mundo
Trump perdoa condenados por ataque ao Capitólio
Ex-presidente concede clemência a réus envolvidos no motim de 6 de janeiro e a uma mulher condenada por ameaçar o FBI, reacendendo críticas sobre impunidade.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a protagonizar uma polêmica ao conceder perdão presidencial a pessoas condenadas por envolvimento no ataque ao Capitólio, ocorrido em 6 de janeiro de 2021. A medida gerou reação intensa de opositores, que veem no ato uma tentativa de encobrir a responsabilidade pelos atos antidemocráticos.
Dentre os beneficiados está uma mulher que havia sido condenada por ameaçar agentes do FBI, constituindo uma das concessões mais controversas. A ação reforça a imagem de Trump como líder disposto a usar sua autoridade para favorecer aliados ou simpatizantes, mesmo após deixar o cargo.
A decisão de perdoar os envolvidos no motim reacende questões sobre a accountability nos Estados Unidos e o limite do poder presidencial em casos ligados à insurreição. Para críticos, os perdões podem minar a confiança nas instituições democráticas e sugerem uma normalização de condutas que atentam contra a ordem constitucional.
Partidários de Trump, por outro lado, justificam a medida como parte de uma agenda de reabilitação de figuras que sofreram punições consideradas excessivas ou motivadas politicamente. Eles argumentam que alguns réus foram julgados de forma severa por sua associação ao ex-presidente e que o perdão representa um ajuste de justiça.
Analistas apontam que o gesto pode ter impacto eleitoral: ao demonstrar fidelidade a seus apoiadores mais radicais, Trump reforça laços com uma base disposta a considerar sua postura como resistência institucional. Ao mesmo tempo, a medida arrisca consolidar um precedente perigoso, em que o uso de perdões presidenciais se torna ferramenta para proteger aliados de investigações e condenações graves.
Com esse movimento, Trump reacende debates sobre a responsabilidade presidencial, os limites do perdão executivo e os mecanismos de freio e contrapeso no sistema americano. A concessão de clemência a condenados por atos antidemocráticos levanta dúvidas sobre onde está o limite entre perdão e impunidade.
Mundo
“Safari humano” em Sarajevo: turistas teriam pago para atirar em civis durante a guerra da Bósnia
Investigações revelam que estrangeiros participaram de assassinatos por diversão no cerco a Sarajevo, em um dos episódios mais brutais dos anos 1990

Uma investigação internacional trouxe à tona um dos relatos mais perturbadores da guerra da Bósnia (1992–1996). Autoridades apuram a denúncia de que turistas estrangeiros pagavam para atirar em civis desarmados durante o cerco a Sarajevo, transformando o conflito em um verdadeiro “safari humano”.
De acordo com informações apuradas por promotores europeus, cidadãos de vários países teriam desembolsado quantias equivalentes a até €100 mil para participar de “viagens de caça” nas colinas que cercavam a capital bósnia. As vítimas — muitas delas crianças e mulheres — eram escolhidas aleatoriamente, e o “passeio” incluía o uso de rifles e acesso a posições de franco-atiradores mantidas por forças locais.
Os investigadores acreditam que grupos militares da região forneciam apoio logístico aos estrangeiros, permitindo que o massacre fosse tratado como uma “experiência de guerra”. O episódio reforça o debate sobre crimes de guerra, turismo da violência e a banalização da vida humana em zonas de conflito.
Especialistas em direitos humanos classificam o caso como um exemplo extremo de comercialização da barbárie, mostrando como a guerra foi transformada em espetáculo e entretenimento para elites estrangeiras. Se comprovadas as acusações, os envolvidos podem responder por homicídio qualificado e crimes contra a humanidade.
O caso reacende a necessidade de responsabilização internacional e de preservação da memória histórica da guerra dos Balcãs, considerada uma das mais sangrentas da Europa moderna.
Mundo
Harari alerta: “Trump, Netanyahu e o Vale do Silício estão fazendo o oposto do que digo”
O historiador Yuval Noah Harari critica lideranças globais e setores tecnológicos por ignorarem os sinais dos novos desafios civis e éticos da era digital

O historiador Yuval Noah Harari ressaltou que figuras como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, bem como o complexo tecnológico do Vale do Silício, estão adotando estratégias que vão na contramão dos alertas que ele elabora sobre o futuro da humanidade. Para ele, enquanto pesquisadores e pensadores do século XXI pedem atenção à intersecção entre tecnologia, ética e poder, esses atores parecem reforçar lógicas de controle, divisão e crescimento acelerado, sem o devido enfoque em valores humanos.
Harari argumenta que a conjunção entre regimes autoritários e plataformas tecnológicas cria um risco elevado à democracia, à liberdade individual e à equidade social. Ele aponta que o Vale do Silício, muitas vezes visto como símbolo de inovação, também participa de dinâmicas de monitoramento em massa, manipulação de dados e supressão de transparência — caminhos que “fizeram o oposto” do que ele aconselha.
Para ele, o desafio maior não é simplesmente avançar com tecnologia ou poder de Estado, mas reconectar ambos ao propósito humano: proteger a autonomia, fomentar o debate ético e garantir que o progresso real seja medido não apenas por riqueza, mas por dignidade, justiça e sustentabilidade. Ele adverte que, se as potências e empresas privilegiadas continuarem ignorando esses fundamentos, podemo-se caminhar para uma “era de vulnerabilidade sistêmica” em que o indivíduo perde os instrumentos de reflexão e resistência.
Harari conclui que a mudança requer uma reforma de mentalidade global: governos e corporações devem enquadrar a tecnologia como ferramenta a serviço das pessoas, e não o contrário. A cena atual — com lideranças políticas e tecnológicas ignorando os sinais — representa, para ele, uma “fenda no contrato social” que pode definir o século XXI.
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