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Cimed é acusada de copiar fórmulas de produtos bucais

Ação judicial da fabricante Suavetex aponta suposta fraude industrial e concorrência desleal; processo também cita Luciano Huck e Roberto Marinho Neto como testemunhas de uma negociação que poderia chegar a R$ 120 milhões.

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Uma disputa judicial envolvendo a farmacêutica Cimed e a fabricante mineira Suavetex ganhou repercussão após acusações de fraude industrial e concorrência desleal contra o presidente da empresa, João Adibe, e outros seis executivos. A denúncia envolve a suposta utilização indevida de fórmulas de seis produtos de higiene bucal e uma negociação comercial que, segundo a fabricante, poderia alcançar R$ 120 milhões.

O caso também envolve nomes conhecidos do meio empresarial e da televisão. Luciano Huck e Roberto Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, braço de investimentos da Globo, foram incluídos no processo como testemunhas para prestar esclarecimentos sobre a sociedade mantida com a Cimed e as relações comerciais entre as empresas.

A queixa-crime foi apresentada pela Suavetex à Justiça de São Paulo na terça-feira (3). Segundo o empresário Ronaldo Alves Andrello, proprietário da fabricante, a farmacêutica teria tido acesso a informações estratégicas e fórmulas desenvolvidas pela empresa durante tratativas que envolviam uma possível aquisição do negócio.

Cimed teria recebido fórmulas de seis produtos

De acordo com a denúncia, a Cimed procurou a Suavetex em abril de 2025 para desenvolver uma linha com seis produtos de higiene bucal, com promessa de ação por até 12 horas, contendo zinco e sem parabenos. O projeto previa a fabricação de três géis dentais e três enxaguantes bucais.

Durante o processo de desenvolvimento, a fabricante compartilhou informações técnicas detalhadas, incluindo as fórmulas completas e os percentuais dos componentes utilizados nos produtos. Os documentos teriam sido encaminhados nos dias 18 e 25 de julho de 2025.

Em 31 de julho daquele ano, os seis produtos foram notificados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob a marca Carmed, tendo a própria Suavetex como fabricante.

Segundo o relato apresentado no processo, a situação teria mudado poucos dias depois. Em 5 de agosto de 2025, João Adibe comunicou a Ronaldo Andrello que a marca Carmed seria substituída por outra identidade comercial.

A partir desses acontecimentos, a Suavetex passou a questionar a conduta da farmacêutica e sustenta que informações confidenciais compartilhadas durante o desenvolvimento dos produtos teriam sido utilizadas indevidamente.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e a apresentação da queixa-crime não representa, por si só, uma comprovação de responsabilidade dos envolvidos. O caso coloca em discussão a proteção de fórmulas industriais, o uso de informações estratégicas em negociações empresariais e os limites da concorrência no setor farmacêutico.

Redação Saiba+

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