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Brasil é destaque no Festival de Avignon com teatro de conto pornô

País é homenageado na mostra paralela “Off” com 11 espetáculos que misturam performance, erotismo, crítica social e ancestralidade

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Cena do espetáculo 'História do Olho: Um Conto de Fadas Pornô Noir', dirigido por Janaína Leite - Cacá Bernardes/Divulgação

A cidade de Avignon, no sul da França, voltou a se transformar no centro das artes cênicas mundiais com a abertura da 79ª edição do Festival de Avignon, um dos mais importantes do planeta. Com temperaturas que ultrapassam os 40 °C e ruas lotadas de turistas, a cidade medieval recebe por duas semanas uma programação intensa de espetáculos teatrais, performances e montagens multimídia. E este ano, o Brasil é o grande convidado de honra da mostra “Off”, o circuito paralelo do festival, com 11 companhias brasileiras selecionadas para representar a diversidade da cena nacional.

A homenagem integra a temporada cultural Brasil-França, parte da celebração dos 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países. “Quero mostrar um Brasil que vai além do eixo Rio-São Paulo”, afirma Emilio Kalil, curador da programação brasileira. Os espetáculos nacionais dialogam com o tema desta edição: “ensemble” (juntos), reforçando o papel coletivo da arte em tempos de crise.

Entre os destaques está “História do Olho: Um Conto de Fadas Pornô Noir”, da diretora Janaína Leite, que propõe uma investigação radical da pornografia como linguagem cênica contemporânea. Inspirada no livro de Georges Bataille, a peça mistura erotismo, performance extrema e autobiografias reais de atores — alguns deles, do universo pornô. Em cena, há desde suspensão corporal com ganchos até interações explícitas com o público, como a prática de “fisting”, tratada de forma estética e poética.

“A escolha do Brasil como convidado mostra como nosso teatro é potente, mesmo com toda a precariedade. Isso mobilizou toda a equipe”, afirma Janaína.

Além da montagem de Leite, também integram a Plataforma Brasil — curadoria da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo) — obras como “Bola de Fogo”, de Fábio Osório Monteiro, performance que mistura cultura afro-brasileira e memória pessoal, e “Azira’I – Um Musical de Memórias”, estrelado pela atriz indígena Zahy Tentehar, que venceu o Prêmio Shell em 2023. Há ainda a peça “Eles Fazem Dança Contemporânea”, de Leandro Souza, que tensiona a presença negra nas artes do corpo.

“Essas obras desmontam o olhar estrangeiro fetichista sobre o Brasil. Não falam do exótico, mas de suas vivências”, ressalta Antonio Araújo, curador da MITsp.

O festival principal, conhecido como “In”, traz 42 espetáculos e mais de 300 eventos, com enfoque na diversidade de linguagens e na presença da língua árabe, refletindo o desejo do curador Tiago Rodrigues de valorizar a pluralidade sem exigir discursos sobre guerras ou migrações. Ainda assim, peças como “Quand J’ai Vu La Mer”, do libanês Ali Chahrour, e “Os Persas”, dirigida pelo francês Gwenaël Morin, resgatam a urgência do debate político na arte.

Divulgação

A dança também ganha protagonismo, com montagens como “Brel”, da coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker, e o espetáculo de abertura “Nôt”, da cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas, inspirado nas Mil e Uma Noites.

O festival se encerra com uma recriação teatral do julgamento do caso Gisèle Pelicot, francesa vítima de estupros em massa durante anos. A peça, baseada em documentos reais, simboliza o poder do teatro como ferramenta de justiça simbólica e reparação histórica.

“Queremos seguir o exemplo de coragem de Gisèle. A vergonha é dos agressores, não da vítima”, declarou Tiago Rodrigues.

Com essa edição, Avignon reafirma seu papel como epicentro das transformações estéticas e políticas da cena global, e o teatro brasileiro mostra sua força ao ocupar o espaço com coragem, irreverência e experimentação.

Redação Saiba+

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Disputa tributária no Brasil faz Netflix perder bilhões em valor de mercado

Empresa calcula impacto de US$ 619 milhões por questão fiscal brasileira que reduziu lucro e causou queda das ações

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Questão tributária no Brasil fez ações da Netflix cair Foto: Rokas - stock.adobe.com

A Netflix divulgou que uma disputa tributária no Brasil está entre os fatores que contribuíram para uma queda expressiva de seu lucro e para a perda de cerca de US$ 33 bilhões em valor de mercado, após o anúncio dos resultados do terceiro trimestre de 2025.

Segundo a empresa, a questão envolve autuações relacionadas à contribuição Cide-Tecnologia, que afeta remessas ao exterior por transferência de tecnologia, e exigiu o reconhecimento de uma despesa extraordinária de US$ 619 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões). Esse impacto retomou o debate sobre a insegurança jurídica tributária para empresas estrangeiras no Brasil.

Em relatório ao mercado, a Netflix destacou que a margem operacional caiu para cerca de 28%, abaixo dos 31,5% esperados, em razão direta da incidência não prevista de tributos brasileiros sobre sua operação local. O mercado reagiu com queda nas ações da empresa em Nova York e questionamentos sobre a operação no Brasil.

Especialistas avaliam que o episódio não atinge apenas a Netflix, mas também sinaliza a vulnerabilidade de grandes corporações internacionais à legislação tributária brasileira e à mudança de entendimentos jurídicos que afetam contratos fechados anos antes. A combinação entre tributação retroativa e jurisprudência recente gera alerta para entrada, investimento e planejamento de empresas globais no país.

No plano interno, o caso reacende a necessidade de transparência e estabilidade tributária, além de reforçar o argumento de que reformas no setor digital e de tecnologia devem vir acompanhadas de ambiente regulatório previsível. A Netflix ressalta que continuará a operar no Brasil, mas o episódio pode comprometer novas expansões ou tornar o país menos atrativo para investimentos desse tipo.

Redação Saiba+

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Angelina Jolie relata divórcio “traumático” e fala sobre dificuldades financeiras

Atriz afirma ter deixado imóveis sob controle de Brad Pitt e revela que economias ficaram “presas” em bens

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Angelina Jolie e Brad Pitt, seu ex-marido, travam uma batalha judicial desde 2022

Em documentos recentes apresentados à Justiça, Angelina Jolie desabafou sobre o processo de divórcio com Brad Pitt, descrevendo-o como emocionalmente difícil e traumático. Ela relata que, ao entrar com o pedido de separação, cedeu o controle total das propriedades da família, incluindo residências em Los Angeles e a mansão em Miraval, na França, na esperança de acalmar a tensão entre o casal.

Jolie afirma que suas economias ficaram presas em Miraval e que, inicialmente, não solicitou apoio financeiro ou pensão. Ela também revelou que, por cerca de dois anos, optou por se afastar profissionalmente para focar na saúde e no bem-estar dos filhos — decisão que agravou as restrições financeiras enfrentadas após a separação.

No cerne da disputa está a venda de sua participação na vinícola francesa Château Miraval, realizada sem a ciência de Pitt, o que desencadeou disputa judicial. Jolie pede compensação por custos judiciais, estimados em US$ 33 mil, além do reembolso de honorários legais decorrentes do processo.

A atriz admite que a separação abalou não apenas suas finanças, mas também a estabilidade emocional da família. Ela afirma que até hoje ela e os filhos não retornaram a Miraval por causa das memórias dolorosas associadas ao local. A revelação fortalece o panorama de litígio prolongado sobre patrimônio, divisão de bens e responsabilidade parental.

Redação Saiba+

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Erro de balconista faz mulher faturar R$ 1,6 milhão na loteria

Bilhete trocado por engano vira prêmio inesperado nos EUA

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Mulher ganha R$1,6 milhão após erro de balconista em lotérica Crédito: Reprodução/Shutterstock

Uma aposta equivocada — mas com sorte — transformou o dia de uma moradora dos Estados Unidos. Por conta de um erro de um funcionário em lotérica, ela acabou recebendo o bilhete errado. Mesmo com a troca, a mulher decidiu manter o ticket inesperado e acabou sendo premiada com cerca de R$ 1,6 milhão no sorteio seguinte.

O episódio ocorreu no estado da Carolina do Sul, quando ela havia solicitado um jogo específico, mas foi entregue outro por engano. Ao perceber a troca, o balconista se ofereceu para corrigir, mas ela optou por seguir com o bilhete trocado e escolher números de forma espontânea. Para sua surpresa, esse bilhete trocado foi o vencedor.

O valor total do prêmio chegou a mais de US$ 303 mil, o equivalente à quantia em reais segundo cotação vigente. A ganhadora, que preferiu manter seu nome em sigilo, disse confiar no acaso: “Se o funcionário não tivesse cometido o erro, eu não teria ganhado”, afirmou.

Com o prêmio em mãos, ela planeja investir no próprio imóvel, realizando reformas que sempre desejou. A decisão de manter o bilhete errado foi decisiva — uma reviravolta que evidencia que, às vezes, o acaso pode sorrir para quem aceita imprevistos com otimismo.

Redação Saiba+

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