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Política

IOF: Moraes valida decreto do governo Lula, mas revoga taxação de risco sacado

Decisão do STF mantém alta de arrecadação com o novo IOF, mas exclui cobrança polêmica sobre antecipações de recebíveis após impasse entre governo e Congresso

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Ministro Alexandre de Moraes decidiu manter parte do decreto de Lula sobre IOF Foto: TON MOLINA /STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (16) validar o decreto do presidente Lula que aumenta a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), mas revogou a tentativa do governo de tributar operações conhecidas como “risco sacado”, atendendo a uma das principais queixas do setor produtivo.

A decisão vem após o fracasso da audiência de conciliação entre o Executivo e o Congresso, promovida na Corte na última terça-feira (15), sem acordo político sobre a medida. Com isso, coube ao ministro relator bater o martelo.

O chamado “risco sacado” é uma forma de antecipação de pagamento feita por empresas a fornecedores com intermediação bancária — uma operação que, até então, não era considerada crédito e, portanto, não era tributada pelo IOF. O governo Lula havia equiparado essa prática a operações de crédito, com o objetivo de aumentar a arrecadação. Moraes rejeitou essa tese.

“Não há definição de risco sacado como operação de crédito. Essas operações têm dinâmica diversa, não assimilável a empréstimos ou financiamentos”, escreveu Moraes, apontando violação ao princípio da segurança jurídica, já que o próprio governo historicamente tratava essas operações como distintas.

Impacto bilionário na arrecadação
Com a exclusão do risco sacado, a equipe econômica estima perda de R$ 450 milhões na arrecadação de 2025 e de R$ 3,5 bilhões em 2026. Ainda assim, o governo espera arrecadar R$ 12 bilhões adicionais no próximo ano e R$ 31,3 bilhões em 2026 com as demais medidas contidas no decreto.

A decisão foi bem recebida por setores empresariais e tributaristas, que já alertavam que a criação de nova hipótese de incidência do IOF exigiria projeto de lei, não sendo possível por decreto presidencial.

Em nota, o Ministério da Fazenda avaliou que a decisão “contribui para a harmonização entre os poderes” e afirmou que o ministro formou seu juízo com base no diálogo institucional, durante a audiência de conciliação com representantes do Executivo e Legislativo.

Previdência privada segue tributada
No mesmo despacho, Moraes mantém a tributação sobre os planos de previdência privada do tipo VGBL, incluída no decreto do governo, alegando que não houve desvio de finalidade e que a medida está amparada na legislação tributária e no poder regulatório do Executivo.

O ministro também reiterou que o decreto se insere dentro das atribuições legais do presidente da República, que pode ajustar a alíquota do IOF conforme regras já estabelecidas por lei.

A polêmica em torno do IOF revelou não apenas uma disputa técnica e jurídica, mas também um conflito político entre o Planalto e o Congresso, que havia suspendido o decreto por meio de projeto legislativo. Com a decisão do STF, a maior parte do decreto agora tem respaldo jurídico, embora siga sendo alvo de crítica no setor privado

Redação Saiba+

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Política

Fux rejeita novo pedido para mudança no governo do Rio

Ministro do STF mantém decisão anterior e reforça permanência do presidente do TJ-RJ no comando interino do estado até nova deliberação da Corte.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, negou nesta sexta-feira (29) um novo pedido apresentado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, para assumir interinamente o Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A decisão reforça o entendimento já adotado pelo plenário da Suprema Corte, que definiu a permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto, à frente do Executivo estadual de forma temporária até que haja uma nova deliberação sobre o caso.

Ao analisar a solicitação, Luiz Fux destacou que a questão já foi apreciada pelo colegiado do STF, não havendo motivos para alterar o cenário institucional estabelecido pela Corte neste momento. Com isso, permanece válida a determinação que mantém Ricardo Couto no exercício interino do cargo.

O episódio integra um contexto de discussões jurídicas e institucionais envolvendo a sucessão temporária do comando do estado, tema que tem mobilizado diferentes setores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário fluminenses.

A decisão do STF busca preservar a estabilidade administrativa e garantir a continuidade da gestão estadual enquanto o assunto segue em análise no âmbito judicial. A manutenção da atual configuração evita mudanças imediatas no comando do governo e reforça o papel da Corte como instância responsável por dirimir conflitos constitucionais.

Douglas Ruas havia apresentado novo pedido com o objetivo de assumir interinamente a chefia do Executivo estadual, mas o entendimento de Luiz Fux seguiu a posição já consolidada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores políticos, a definição é acompanhada com atenção por lideranças estaduais, uma vez que o desfecho do processo poderá influenciar diretamente a estrutura de poder e a condução administrativa do Rio de Janeiro nos próximos meses.

Com a decisão, Ricardo Couto segue à frente do Governo do Estado de forma interina, enquanto o STF mantém sob sua competência a palavra final sobre a questão institucional.

Redação Saiba+

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Política

Itabuna inicia construção de 312 casas para vítimas das enchentes

Projeto habitacional receberá investimento de R$ 46 milhões e beneficiará famílias afetadas pela tragédia climática que atingiu o município em 2021.

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A cidade de Itabuna deu mais um passo importante na reconstrução da vida de famílias atingidas pelas enchentes de 2021. O prefeito Augusto Castro (PSD) assinou a ordem de serviço para a construção de 312 unidades habitacionais do programa Viver Melhor I, iniciativa que contará com investimentos de aproximadamente R$ 46 milhões provenientes dos governos estadual e federal.

O empreendimento habitacional foi planejado para atender moradores que perderam suas casas durante a maior catástrofe climática já registrada no município. As fortes chuvas que atingiram a região em 2021 provocaram alagamentos, desabrigaram centenas de famílias e deixaram um rastro de prejuízos materiais e sociais.

As novas moradias representam uma oportunidade de recomeço para centenas de famílias que aguardam há anos por uma solução definitiva para a perda de seus imóveis. O projeto busca garantir segurança, estabilidade e melhores condições de vida aos beneficiados.

Durante o anúncio, Augusto Castro destacou a importância da iniciativa para a recuperação social do município. Segundo o gestor, a assinatura da ordem de serviço marca o início da concretização de um sonho esperado por muitas famílias desde a tragédia.

“Mais um passo importante para garantir dignidade e um novo recomeço para as famílias atingidas pelas enchentes”, afirmou o prefeito ao celebrar o avanço do projeto habitacional.

Além de oferecer moradia digna, o investimento também deverá gerar empregos e movimentar a economia local durante a fase de construção. A expectativa é que o conjunto habitacional contribua para fortalecer a infraestrutura urbana e ampliar a qualidade de vida dos futuros moradores.

O programa Viver Melhor I integra um conjunto de ações voltadas à reconstrução de áreas afetadas por eventos climáticos extremos, reforçando o compromisso dos governos municipal, estadual e federal com a recuperação das famílias impactadas pelas enchentes.

Com o início das obras, Itabuna avança em um dos projetos mais aguardados pela população atingida, transformando esperança em realidade e promovendo um novo capítulo para centenas de famílias que buscam reconstruir suas vidas.

Redação Saiba+

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Política

Lula promete reenviar indicação ao STF

Presidente afirma que rejeição a nome para Suprema Corte teve motivação política e reforça defesa da prerrogativa constitucional do Executivo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante agenda oficial em Sergipe, que pretende reenviar a indicação do advogado-geral da União para uma vaga na Suprema Corte. Segundo o chefe do Executivo, a decisão representa uma defesa da prerrogativa constitucional do presidente da República na escolha dos ministros do tribunal.

Durante o pronunciamento, Lula declarou que a rejeição ao nome indicado não ocorreu por falta de qualificação técnica, mas teria sido motivada por interesses políticos. O presidente reforçou que considera o indicado plenamente preparado para assumir o cargo na mais alta instância do Judiciário brasileiro.

A declaração intensificou os debates nos bastidores políticos e jurídicos sobre a relação entre Executivo e Legislativo, especialmente em torno do processo de aprovação de nomes para tribunais superiores.

Segundo Lula, a Constituição Federal assegura ao presidente da República a competência para indicar ministros da Suprema Corte, cabendo ao Senado Federal realizar a análise e votação do nome apresentado. O petista afirmou que a decisão de reenviar a indicação também busca reafirmar essa autonomia institucional prevista no sistema democrático brasileiro.

A fala do presidente ocorre em um momento de forte movimentação política em Brasília, com discussões sobre equilíbrio entre os poderes e critérios utilizados nas indicações para cargos estratégicos do Judiciário.

A repercussão do caso mobilizou lideranças políticas, parlamentares e especialistas do meio jurídico, ampliando o debate sobre independência institucional, articulação política e influência partidária em votações de alto impacto nacional.

Nos bastidores, aliados do governo avaliam que o reencontro da indicação poderá gerar novas negociações políticas no Congresso Nacional, além de ampliar a tensão entre grupos favoráveis e contrários ao nome defendido pelo Palácio do Planalto.

Redação Saiba+

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