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Brasil

Exportações de carne para os EUA despencam 80% em três meses

Sobretaxa de Trump pressiona indústria brasileira e ameaça relação comercial entre os dois países

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Exportações de carne brasileira caem diante do impasse sobre o preço final do produto - Paulo Whitaker 06.jun.2023/REUTERS

As exportações de carne bovina brasileira para os Estados Unidos caíram 80% em apenas três meses, refletindo os efeitos das tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump e a iminente sobretaxa de 50%, que deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) compilados pela Abiec, o Brasil exportou 47,8 mil toneladas de carne para os EUA em abril, mês em que entrou em vigor uma tarifa adicional de 10%. Em junho, o volume já havia despencado para 18,2 mil toneladas e, agora em julho, chegou a apenas 9,7 mil toneladas.

Ao mesmo tempo, o preço da carne brasileira aumentou nos EUA: de US$ 5.200 por tonelada em abril para US$ 5.850 em julho, alta de 12%. A alta nos custos, somada à incerteza comercial, já causa impactos diretos, como a suspensão da produção de frigoríficos em Mato Grosso do Sul, que tinham os EUA como destino principal.

Nos bastidores, representantes do setor e membros do governo federal tentam convencer importadores americanos de que a sobretaxa tornará inviável a continuidade das transações. A expectativa é inserir a negociação em fases, mas o cenário permanece indefinido. Há ainda o agravante de que, segundo fontes, o governo americano teria condicionado concessões comerciais à revisão de processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no STF — o que politiza ainda mais o impasse.

Brasil já ultrapassou a cota anual com tarifa reduzida

O Brasil possui uma cota de 65 mil toneladas por ano com tarifa reduzida, mas já exportou 181,5 mil toneladas apenas entre janeiro e junho de 2025 — quase o triplo. Mesmo pagando tarifas maiores, a carne brasileira vinha sendo competitiva, até o aumento da taxação.

Hoje, os EUA são o segundo maior destino da carne brasileira, atrás apenas da China, e o Brasil lidera as exportações globais para os americanos, à frente de países como Austrália e Nova Zelândia. No primeiro semestre de 2025, o setor faturou US$ 1,04 bilhão com os EUA, um crescimento de 102% em valor e 112% em volume em comparação com 2024.

Porém, com a entrada em vigor da sobretaxa de 50%, o custo do produto tende a inviabilizar o comércio, pois ficará menos competitivo frente a exportadores como Canadá e Argentina.

Enquanto isso, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que comanda as negociações, tem apostado no apoio de setores produtivos para frear a medida americana. A estratégia passa por reuniões com líderes do agronegócio e representantes da cadeia exportadora.

Vale lembrar que, embora o Brasil seja o maior exportador, 70% da carne bovina produzida no país permanece no mercado interno, enquanto os cortes exportados — principalmente dianteiro e miúdos — são menos consumidos por brasileiros, mas amplamente utilizados em hambúrgueres nos EUA e ensopados típicos na Ásia.

Redação Saiba+

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Brasil

Sucuri-amarela surpreende cientistas com adaptação ao período de seca

Espécie encontrada no Pantanal desenvolveu estratégias para economizar energia e garantir a sobrevivência em ambientes com escassez de água.

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Quando o assunto é sucuri, a imagem mais comum é a da gigantesca serpente que habita os rios da Amazônia. No entanto, a sucuri-amarela (Eunectes notaeus) possui características próprias que a diferenciam da famosa sucuri-verde, chamando a atenção de pesquisadores por sua impressionante capacidade de adaptação ao ambiente.

Encontrada principalmente no Pantanal brasileiro, além de regiões do Chaco, na América do Sul, a sucuri-amarela é menor que sua parente amazônica, mas apresenta estratégias biológicas que garantem sua sobrevivência em períodos de condições climáticas extremas.

Um dos aspectos que mais despertam interesse da comunidade científica é a capacidade da espécie de reduzir significativamente o metabolismo durante os períodos de seca. Esse mecanismo permite que o animal economize energia quando a oferta de água e alimento diminui, aumentando suas chances de sobrevivência até que as condições ambientais voltem a ser favoráveis.

Essa adaptação é considerada essencial para a vida no Pantanal, bioma marcado por um ciclo natural de cheias e estiagens. Durante a seca, lagoas e áreas alagadas diminuem drasticamente, obrigando diversas espécies a desenvolver estratégias para enfrentar a escassez de recursos.

Apesar da fama das grandes serpentes brasileiras, a sucuri-amarela desempenha um importante papel ecológico. Como predadora, ela contribui para o equilíbrio dos ecossistemas ao controlar populações de peixes, aves, répteis e pequenos mamíferos, ajudando na manutenção da biodiversidade.

Especialistas destacam que compreender o comportamento e as adaptações da espécie também auxilia nas ações de conservação dos biomas brasileiros, especialmente diante dos desafios provocados pelas mudanças climáticas e pela degradação ambiental.

O estudo das adaptações da sucuri-amarela reforça a riqueza da fauna nacional e evidencia como diferentes espécies evoluíram para sobreviver em ambientes desafiadores, tornando-se peças fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas naturais.

Redação Saiba+

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Brasil

Nubank amplia presença entre empresas e alcança 21% dos CNPJs ativos no Brasil

Levantamento da fintech aponta crescimento do Nu Empresas em todos os estados, com destaque para o Amazonas, Distrito Federal e Roraima.

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O Nubank segue expandindo sua atuação no mercado financeiro brasileiro e registra um crescimento expressivo no segmento empresarial. De acordo com um levantamento divulgado pela instituição, a plataforma Nu Empresas já atende pelo menos 21% dos CNPJs ativos em todos os estados do país, consolidando sua presença entre micro, pequenas e médias empresas.

O avanço acompanha a forte expansão da fintech entre pessoas físicas nos últimos anos e reforça sua estratégia de ampliar a oferta de serviços financeiros para empreendedores. O Nu Empresas é direcionado principalmente a Microempreendedores Individuais (MEIs), além de empresas de diferentes portes, como sociedades limitadas (LTDAs).

Entre os estados brasileiros, o Amazonas lidera a participação de empresas clientes da plataforma, com 31% dos CNPJs ativos utilizando os serviços da fintech. O resultado é atribuído, entre outros fatores, à menor presença de agências bancárias físicas na região, favorecendo a adoção de soluções financeiras digitais.

Na sequência aparecem o Distrito Federal e Roraima, ambos com 29% dos CNPJs ativos cadastrados na plataforma empresarial do Nubank, demonstrando a crescente adesão ao modelo de banco digital em diferentes regiões do país.

Outro marco importante destacado pela instituição foi o anúncio, realizado em maio, de que a carteira do Nu Empresas ultrapassou a marca de 6 milhões de clientes empresariais. Com esse resultado, o Nubank afirma ter se tornado a maior instituição financeira do Brasil em número de CNPJs atendidos, ampliando sua relevância no segmento corporativo.

O crescimento reflete a busca dos empreendedores por soluções digitais que ofereçam praticidade, redução de custos e acesso simplificado a serviços como contas empresariais, meios de pagamento, crédito e gestão financeira. A expansão da base de clientes fortalece a posição do Nubank como um dos principais bancos digitais do país, impulsionando a transformação do setor financeiro brasileiro.

Com investimentos contínuos em inovação e tecnologia, a expectativa é de que a instituição continue ampliando sua participação no mercado empresarial, oferecendo novos produtos e serviços voltados às necessidades de empreendedores em todo o Brasil.

Redação Saiba+

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Brasil

Justiça condena União a indenizar filho de João Cândido por danos morais

Decisão da Justiça Federal reconhece que declarações oficiais da Marinha sobre a Revolta da Chibata atingiram a memória do líder do movimento e causaram prejuízos ao seu descendente.

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A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou a União ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais ao filho de João Cândido Felisberto, líder da histórica Revolta da Chibata. A decisão reconheceu que manifestações oficiais da Marinha consideradas ofensivas à memória do marinheiro também repercutiram diretamente sobre seu descendente.

A sentença foi proferida pela 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro e acolheu parcialmente o parecer do Ministério Público Federal (MPF), que atuou no processo como fiscal da ordem jurídica.

A ação judicial teve origem após a Marinha encaminhar, em 2024, um documento à Câmara dos Deputados classificando a Revolta da Chibata como uma “deplorável página da história nacional” e fazendo críticas aos participantes do movimento. Para a Justiça, embora a instituição tenha o direito de apresentar sua interpretação sobre acontecimentos históricos, esse direito não autoriza a utilização de linguagem considerada estigmatizante em relação a um personagem que foi posteriormente anistiado pelo Estado brasileiro.

Na decisão, o Judiciário destacou que a proteção jurídica da memória de João Cândido também se estende aos seus familiares, reconhecendo que o filho possui legitimidade para buscar reparação pelos danos morais decorrentes das declarações oficiais.

O entendimento acompanhou parcialmente a manifestação do MPF, que defendia o acolhimento integral do pedido apresentado pelo autor da ação. Ainda assim, a sentença concluiu que houve violação suficiente para justificar a indenização fixada em R$ 300 mil.

Conhecido como o “Almirante Negro”, João Cândido liderou, em 1910, a Revolta da Chibata, movimento protagonizado por marinheiros que reivindicavam o fim dos castigos físicos e melhores condições de trabalho na Marinha brasileira. O episódio tornou-se um dos marcos da luta por direitos e dignidade dentro das Forças Armadas, permanecendo como tema de relevância histórica e jurídica no país.

A decisão reforça o entendimento de que a preservação da memória de personagens históricos reconhecidos pelo Estado também pode produzir efeitos jurídicos em favor de seus familiares, especialmente quando declarações oficiais são consideradas ofensivas ou incompatíveis com esse reconhecimento.

Redação Saiba+

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