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‘Quem paga a conta das tarifas de Trump?’

Empresas começam a repassar custos a consumidores, mas boa parte ainda absorve prejuízos para não perder mercado nos EUA

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Os críticos de Trump na área da economia têm a história e as pesquisas a seu favor Foto: Christopher Furlong/AP

Com o retorno de Donald Trump à Casa Branca e a retomada de sua agenda protecionista, os Estados Unidos inauguraram uma nova fase da guerra comercial, impondo tarifas médias efetivas superiores a 16% sobre importações, a maior taxa desde a década de 1930. A mudança, oficializada por ordem executiva assinada em 31 de julho, já começa a provocar efeitos no comércio global — e levantar a pergunta: quem está realmente pagando por essas tarifas?

Algumas empresas estrangeiras já começaram a repassar os custos ao consumidor americano, enquanto outras optaram por bancar o prejuízo momentâneo para preservar competitividade. É o caso da Ferrari, que aumentou em até 10% o preço de seus carros, e da britânica Ineos, que repassou as novas taxas para o preço do seu utilitário Grenadier. A Canon, gigante do setor de câmeras, alertou seus revendedores sobre os aumentos iminentes.

Contudo, o impacto generalizado na inflação americana ainda parece contido. Em junho, os preços ao consumidor (excluindo alimentos e energia) subiram apenas 0,2%, abaixo das expectativas do mercado. Segundo análise do Deutsche Bank, muitas empresas estão absorvendo os custos tarifários ao reduzir margens de lucro ou utilizar estoques acumulados antes da entrada em vigor das medidas.

Fabricantes asiáticos estão entre os mais impactados. A Nintendo, por exemplo, manteve o preço do novo Switch 2 em US$ 449,99 nos EUA, enquanto fornecedores chineses como a Fuling (talheres) e a sul-coreana Tirtir (cosméticos) sinalizaram que pretendem absorver grande parte das tarifas para evitar repasses aos consumidores.

No setor automotivo, exportadores sul-coreanos já registram queda nos preços, segundo o Citigroup. O Banco do Japão também apontou uma redução de 26% no valor em ienes das exportações de automóveis para os EUA, o que sugere um esforço deliberado para amortecer o choque tarifário.

Dados compilados pela The Economist confirmam a tendência: os preços médios de exportação, em moeda local, caíram 3,6% no último ano entre os principais parceiros comerciais dos EUA — incluindo Canadá, Alemanha e Coreia do Sul —, comportamento oposto ao verificado na primeira guerra comercial de Trump, em 2018.

Mesmo assim, especialistas alertam que esse fôlego pode ser curto. As tarifas sobre produtos da União Europeia e da Coreia do Sul devem subir para 15%, as da Índia para 25%, da África do Sul para 30% e do Canadá para 35%. Já a China permanece com tarifas de cerca de 40%, mesmo com uma possível prorrogação da trégua comercial.

A guerra tarifária, por ora, é sustentada pelas empresas, mas à medida que os aumentos se consolidarem, é provável que os preços ao consumidor nos EUA subam, pressionando a inflação e potencialmente afetando o humor do eleitorado americano — sobretudo diante do cenário de eleições e alta sensibilidade econômica.

Como muitos economistas apontam, o protecionismo de Trump pode, mais uma vez, sair caro para o próprio consumidor americano — mesmo que o discurso político tente colocar o peso nas costas de outras nações.

Redação Saiba+

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Wagner Moura processa Silas Malafaia por calúnia

Ator pede indenização de R$ 100 mil após declarações durante período de premiações internacionais

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Silas Malafaia apontou não entender as motivações do processo movido por Moura | Bnews - Divulgação Divulgação e Reprodução

O ator baiano Wagner Moura ingressou com uma ação judicial contra o pastor Silas Malafaia, alegando ter sido vítima de calúnia e difamação. O processo foi protocolado na Justiça do Rio de Janeiro e está relacionado a publicações feitas pelo religioso nas redes sociais durante o período de destaque internacional do artista.

De acordo com informações divulgadas, a ação pede uma indenização no valor de R$ 100 mil, com base em mensagens que teriam atingido a honra e a reputação do ator. As declarações teriam ocorrido no momento em que Wagner Moura ganhava projeção internacional por sua atuação no filme O Agente Secreto, durante a temporada de premiações.

O caso tramita na 5ª Vara Cível da Barra da Tijuca, em regime de segredo de Justiça. A defesa do ator sustenta que as publicações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, configurando ataques pessoais com potencial dano à imagem pública do artista.

Reconhecido nacional e internacionalmente, Wagner Moura acumula uma carreira marcada por atuações de destaque no cinema e na televisão. Já Silas Malafaia é conhecido por sua forte presença nas redes sociais e posicionamentos públicos sobre temas políticos e sociais.

O episódio reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão e responsabilidade nas redes sociais, especialmente quando envolve figuras públicas e declarações com grande alcance.

Redação Saiba+

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Prisão de ex-presidente do BRB revela patrimônio milionário

Investigação da Polícia Federal identifica imóveis de alto padrão ligados ao ex-dirigente, com valores que ultrapassam R$ 140 milhões

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Mensagens indicam tentativa de negociação de imóvel de alto padrão em meio ao avanço das investigações | Bnews - Divulgação Ana Paula Paiva e Paulo H. Carvalho

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), trouxe à tona detalhes que chamaram a atenção das autoridades: um patrimônio imobiliário de alto luxo, composto por imóveis em áreas valorizadas e negociações realizadas em circunstâncias consideradas suspeitas.

Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) identificou ao menos seis imóveis vinculados ao esquema. Desses, quatro estão localizados em São Paulo e dois em Brasília, todos em regiões nobres e com características de alto padrão. No total, o valor estimado dos bens ultrapassa R$ 140 milhões, conforme levantamento divulgado pela imprensa.

Os investigadores destacaram que algumas transações teriam sido feitas de forma acelerada, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos e a possível tentativa de ocultação patrimonial. A apuração segue em andamento, com o objetivo de esclarecer a natureza das negociações e identificar eventuais irregularidades.

O caso amplia a repercussão em torno da gestão do banco e reforça o trabalho de órgãos de controle no combate a práticas ilícitas envolvendo recursos públicos e privados. A descoberta do patrimônio milionário intensifica as investigações, que agora buscam rastrear o fluxo financeiro por trás das aquisições.

A operação também evidencia o uso de imóveis de luxo como instrumento em esquemas investigados, prática que costuma ser monitorada por autoridades em casos de suspeita de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

Redação Saiba+

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Moraes manda PF devolver equipamentos a jornalista investigado

Decisão do STF envolve apuração sobre suposta perseguição contra o ministro Flávio Dino

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Devolução dos itens foi solicitada pela defesa do jornalista | Bnews - Divulgação Victor Piemonte

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal devolva os equipamentos apreendidos do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, no âmbito de uma investigação em andamento.

O profissional é alvo de apuração por suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino, integrante da Corte. A decisão de Moraes não encerra o caso, mas estabelece que os itens recolhidos durante as diligências sejam restituídos ao jornalista, mantendo o curso normal das investigações.

A medida foi interpretada por especialistas como um gesto de equilíbrio entre a continuidade da apuração e a preservação de direitos individuais, especialmente no que diz respeito ao exercício da atividade jornalística e ao uso de ferramentas de trabalho.

Nos bastidores, a decisão reforça o entendimento do STF de que ações investigativas devem respeitar limites legais, mesmo em casos sensíveis envolvendo autoridades públicas. Ainda assim, o inquérito segue sob responsabilidade das autoridades competentes, com análise de provas e possíveis desdobramentos judiciais.

O caso chama atenção por envolver liberdade de imprensa, atuação institucional e segurança de autoridades, temas que frequentemente geram debate no cenário jurídico e político nacional.

A Polícia Federal ainda não detalhou o cronograma para a devolução dos equipamentos, mas deverá cumprir a determinação dentro dos prazos estabelecidos pelo Supremo.

Redação Saiba+

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