Política
Roma e ACM Neto reaparecem juntos em Conquista; relembre embates da campanha de 2022
Ex-adversários na disputa pelo governo da Bahia prestigiaram a inauguração da rádio Conquista FM; presença chamou atenção após confronto acalorado no debate da TV Bahia nas últimas eleições para governador
Dois nomes centrais da política baiana, João Roma (PL) e ACM Neto (União Brasil), voltaram a aparecer juntos nesta sexta-feira (22), em Vitória da Conquista, durante a inauguração da Rádio Conquista FM 92,5. O reencontro surpreendeu pela lembrança dos duros embates travados na campanha ao governo da Bahia em 2022. Também participou da ocasião o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).
Na eleição de 2022, Roma e ACM Neto deixaram de lado uma relação de duas décadas — marcada, inclusive, pelo fato de Neto ser padrinho da filha de Roma — para protagonizarem um dos debates mais acalorados da história recente da política baiana. Durante o debate da TV Bahia, transmitido pela Globo, Roma não poupou ataques ao ex-prefeito de Salvador, chegando a ironizar a autodeclaração racial de ACM Neto.
“Nunca me disse que era negão”, provocou Roma em referência ao registro do adversário como pardo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A fala gerou direito de resposta e grande repercussão nas redes sociais.
Além da polêmica racial, Roma também questionou a postura política de Neto:
“Ele não está preparado para governar o estado da Bahia. Não tem condições psicológicas de ocupar o governo”, disse na ocasião, acusando o adversário de “fugir dos debates”.
Em resposta, ACM Neto rebateu com críticas à lealdade de Roma:
“Você tem como característica principal a deslealdade e a sede de poder. Fui seu amigo por 20 anos e sou padrinho da sua filha. Mas hoje todos podem ver a forma como você ataca.”
O embate, que expôs a ruptura definitiva da antiga aliança, foi um dos momentos mais comentados da campanha de 2022. Já em 2024, o registro dos dois lado a lado em Conquista sugere uma aproximação pontual, embora o clima político siga marcado pelas feridas daquela disputa.
O reencontro reacende debates sobre alianças e reconfigurações políticas na Bahia, especialmente em um cenário em que a oposição ao PT busca se reorganizar no estado.
Política
Capitão Alden acerta previsão sobre Flávio Bolsonaro e fortalece seu alinhamento com a família

O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) voltou a ganhar destaque ao demonstrar que antecipou com precisão o cenário baiano e os próximos movimentos da direita no estado. Antes mesmo de qualquer anúncio oficial, Alden publicou um vídeo em suas redes sociais alertando que o discurso de “união para tirar o PT do poder”, repetido por representantes da política baiana, era retórica vazia, sem compromisso real com o campo conservador.
Pouco tempo depois, sua análise se confirmou. Com a divulgação do nome de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República, os principais nomes do centrão na Bahia — especialmente os ligados ao União Brasil — correram para defender o candidato do próprio partido, demonstrando rapidamente de que lado pretendem estar. O movimento evidenciou exatamente o que Alden havia antecipado: a suposta união nunca passou de conveniência política.
O fato de o deputado ter exposto essa leitura antes dos acontecimentos se confirmarem reforça sua imagem de figura estratégica, atenta e capaz de interpretar com precisão o comportamento dos grupos políticos baianos.
Com a direita se reorganizando para os próximos embates, o recado do deputado fica evidente: discursos podem mudar da noite para o dia — mas a verdade dita antes dos fatos costuma prevalecer. E, desta vez, foi Alden quem enxergou primeiro o que os demais só admitiram depois.
Política
Fantasma de “Lulinha” assombra CPMI do INSS
Convocação de Fábio Luís Lula da Silva é rejeitada, mas acusações reavivam disputas acaloradas na comissão.

O mais recente desdobramento da investigação sobre o esquema de fraudes no INSS reacende o clima de tensão política: embora o pedido para convocar Fábio Luís Lula da Silva — apelidado de “Lulinha” — tenha sido rejeitado pela maioria da comissão, a menção ao seu nome continua sendo um fantasma presente no debate, reacendendo suspeitas e acirramento de vozes na CPI.
A Partido Novo, que protocolou o requerimento, alegou haver indícios financeiros que ligariam Lulinha ao suposto esquema de desvios. Segundo depoimentos que chegaram à comissão, ele teria recebido valores expressivos vindos de pessoas investigadas, o que motivou o pedido para que ele preste depoimento — pedido este que acabou sendo derrubado por 19 votos contra 12.
Para a base governista, a recusa teria sido motivada pela falta de provas concretas até o momento. Porém, críticos da decisão afirmam que a rejeição representa uma clara tentativa de blindagem política, o que poderia comprometer a transparência e a credibilidade da investigação.
Enquanto isso, a CPI segue concentrando seus esforços em outras frentes do inquérito, com destaque para denúncias de descontos indevidos em benefícios, suspeitas de corrupção sistêmica e movimentações suspeitas ligadas a associações e sindicatos que atuavam junto ao INSS. A sensação de impasse, no entanto, persiste: o nome de Lulinha permanece como um símbolo da disputa — o “fantasma” que poucos querem nomear formalmente, mas que muitos temem que volte a assombrar.
O desfecho ainda é incerto. A rejeição à convocação não encerra as suspeitas, e o debate sobre a extensão e a profundidade da investigação continua em curso — com impacto significativo na opinião pública e no foco sobre fragilidades nas instituições de previdência e controle do Brasil.
Política
Com indicação de Jorge Messias, Supremo Tribunal Federal reforça perfil de ministros oriundos do Executivo
Troca de magistrados por ex-ministros e advogados públicos consolida tendência de alinhamento político-institucional na Corte

A escolha de Jorge Messias para a vaga aberta no STF sinaliza a consolidação de um perfil que privilegia ex-ministros, advogados públicos e figuras com trânsito direto no Executivo — em detrimento de magistrados de carreira ou juristas acadêmicos. Com a possível aprovação, a Corte passará a ter maioria de integrantes com histórico de cargos governamentais, o que marca uma mudança clara na formação da composição do tribunal.
Entre os ministros atuais, um número expressivo deixou de vir da magistratura ou do Judiciário tradicional: boa parte ocupou cargos como chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) ou ministérios — o que reforça o vínculo institucional entre o Judiciário e o Poder Executivo. A nomeação de Messias, se confirmada, será mais um exemplo dessa lógica.
Críticos apontam que a predominância de indicados com passado governamental pode comprometer a imparcialidade e a independência institucional do STF. A proximidade política e administrativa com o Executivo levanta dúvidas sobre o equilíbrio entre neutralidade jurídica e influência do governo nas decisões da Corte.
Já defensores da mudança argumentam que ex-advogados públicos ou ministros trazem ao tribunal um perfil técnico-pragmático, com experiência no trato com a lei e na articulação institucional, o que facilitaria a condução de casos complexos envolvendo Estado, políticas públicas e administração.
De qualquer forma, a nova configuração da Corte reafirma um padrão que se repete nas últimas décadas: a preferência por nomes com trânsito político-institucional, ao invés de perfis tradicionais do Judiciário. Isso redefine a face do Supremo e pode influenciar de forma duradoura os rumos de decisões sobre temas sensíveis à governabilidade do país.
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