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Política

Julgamento da trama golpista é retomado com defesas de Heleno e Bolsonaro

STF ouve nesta quarta-feira (3) as manifestações das defesas do general Augusto Heleno e do ex-presidente Jair Bolsonaro; julgamento deve se estender até a próxima semana

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O advogado Celso Villardi, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no início do julgamento da trama golpista, na terça-feira (2) - Gabriela Biló

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (3) o julgamento do núcleo central da chamada trama golpista, envolvendo oito réus, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o general da reserva Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A sessão será aberta com a manifestação da defesa de Heleno, seguida pela sustentação oral dos advogados de Bolsonaro.

Além de ambos, também são acusados o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

O grupo responde por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Ramagem, a Câmara dos Deputados restringiu a ação penal, permitindo que ele seja julgado apenas por fatos anteriores à sua diplomação.

Discursos e acusações

Na terça-feira (2), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que “pacificação não se confunde com covardia” e reforçou que o Supremo julga sem se curvar a pressões. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reiterou as acusações e pediu a condenação dos réus por crimes que podem ultrapassar 40 anos de pena máxima.

As defesas apresentaram diferentes linhas de argumentação. A de Mauro Cid negou coação em sua delação e alegou falta de provas materiais. A de Alexandre Ramagem pediu a exclusão de evidências ligadas ao caso da Abin paralela. Já a de Almir Garnier sustentou que suas falas estariam protegidas pela liberdade de expressão, enquanto Anderson Torres denunciou um suposto “linchamento moral” em razão de acusações sobre uma passagem aérea.

No caso de Bolsonaro, os advogados alegam que o ex-presidente não participou de qualquer tentativa de ruptura institucional e classificam a denúncia como um “golpe imaginado”, além de contestarem a validade da delação de Mauro Cid.

A defesa de Heleno também sustenta que não há provas de participação direta do general em atos golpistas, defendendo que ele teve atuação periférica e sem relação com supostos planos de ruptura.

Próximos passos

O julgamento deve se estender até a próxima semana. Na terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes será o primeiro a votar, seguido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. Para que haja condenação ou absolvição, são necessários pelo menos três votos em cada acusação.

Após a fixação das penas, as defesas ainda poderão apresentar recursos em duas etapas, o que pode adiar o cumprimento das decisões finais.

O que já aconteceu e os próximos passos no julgamento

Quem julga: Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin (presidente da Primeira Turma).
PGR: Paulo Gonet representa a acusação.

1. Abertura

  • Alexandre de Moraes afirmou que “pacificação não é covardia” e que o STF não se curva a pressões.
  • Paulo Gonet, procurador-geral da República, reforçou a acusação e disse que não reprimir tentativas de golpe alimenta o autoritarismo.

2. O que disseram as defesas

  • Mauro Cid (ex-ajudante de ordens): negou coação na delação e disse que sem a colaboração não se conheceriam fatos relevantes.
  • Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin e deputado): pediu desconsideração de provas da Abin paralela por suposto erro da PGR.
  • Almir Garnier (ex-comandante da Marinha): defendeu a liberdade de expressão e negou adesão a plano golpista.
  • Anderson Torres (ex-ministro da Justiça): alegou “linchamento moral” e disse que viagem aos EUA era de férias já marcadas.

3. Próximas defesas

  • Augusto Heleno (ex-chefe do GSI)
  • Jair Bolsonaro (ex-presidente da República)
  • Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
  • Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa)

4. Votos

Na próxima semana começa a fase de votos:

  • Alexandre de Moraes (relator)
  • Flávio Dino
  • Luiz Fux
  • Cármen Lúcia
  • Cristiano Zanin (presidente da Primeira Turma)

São necessários três votos para condenação ou absolvição em cada acusação.

5. Penas e recursos

Após os votos, os ministros definem as penas. O processo pode ser interrompido se algum magistrado pedir vista (até 90 dias).

Depois da publicação do acórdão, as defesas têm 5 dias para apresentar embargos. Se os recursos forem rejeitados, inicia-se o cumprimento das penas.

Redação Saiba+

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Política

Otto Alencar critica possível vice de ACM Neto

Senador questiona liderança de Zé Cocá e minimiza força política no cenário estadual

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Segundo Otto, Zé Cocá não possui liderança estadual e é praticamente desconhecido na maioria das cidades da Bahia | Bnews - Divulgação Reprodução

O senador Otto Alencar (PSD) afirmou que o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), não possui densidade política suficiente para compor como vice em uma eventual chapa liderada por ACM Neto (União Brasil) nas eleições para o governo da Bahia.

A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Metrópole, na segunda-feira (23), em meio a especulações sobre a formação da chapa majoritária da oposição no estado. Segundo Otto, Zé Cocá é praticamente desconhecido na maior parte dos municípios baianos, o que, na avaliação do senador, enfraquece a possibilidade de sua indicação para o cargo.

Não tem liderança estadual consolidada”, destacou o parlamentar, ao comentar a suposta articulação política. A fala evidencia o cenário de disputa antecipada nos bastidores e reforça o clima de tensão entre diferentes grupos que se posicionam para o pleito.

O debate sobre a escolha do vice é considerado estratégico, já que a composição da chapa pode influenciar diretamente na capilaridade eleitoral e na capacidade de articulação política em diversas regiões. Analistas avaliam que a definição de nomes com maior reconhecimento e base consolidada pode ser determinante para o desempenho nas urnas.

Enquanto isso, a movimentação política segue intensa na Bahia, com lideranças buscando alianças e consolidando apoios de olho nas próximas eleições. A possível candidatura de ACM Neto e a escolha de seu vice continuam no centro das discussões políticas no estado.

Redação Saiba+

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Política

TCU rejeita pedido de Flávio Bolsonaro sobre empréstimo aos Correios

Corte de Contas mantém negociação bilionária e reforça autonomia administrativa da estatal

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LUIS NOVA

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu não acatar o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para suspender a negociação de um empréstimo de até R$ 20 bilhões destinado à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A decisão mantém o andamento das tratativas financeiras consideradas estratégicas para a estatal.

O parlamentar havia solicitado a interrupção do processo, levantando questionamentos sobre a viabilidade e os impactos da operação. No entanto, o TCU entendeu que não há elementos suficientes que justifiquem a suspensão imediata da negociação, permitindo que os Correios prossigam com a busca por recursos.

A operação de crédito é vista como uma medida para reforçar o caixa da empresa, ampliar investimentos e modernizar serviços logísticos, em um cenário de crescente competitividade no setor. A decisão da Corte de Contas reforça o entendimento de que processos administrativos devem seguir seu curso regular, salvo indícios concretos de irregularidades.

Nos bastidores, o tema tem gerado debates sobre a gestão financeira de estatais e o papel dos órgãos de controle. Especialistas apontam que a decisão do TCU sinaliza uma postura técnica, priorizando a análise criteriosa antes de interferências em negociações de grande porte.

Com a manutenção do processo, a expectativa é de que os Correios avancem nas tratativas do empréstimo, considerado fundamental para garantir sustentabilidade financeira e competitividade no mercado.

Redação Saiba+

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Política

Assessor de deputado é preso após saque milionário

Caso envolvendo aliado de Vinicius Carvalho gera repercussão política e investigação em Recife

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Saque milionário foi realizado em uma agência bancária e levantou suspeitas sobre a origem do dinheiro. | Bnews - Divulgaçao

Um assessor ligado ao deputado federal Vinicius Carvalho (PL) foi preso em flagrante na última sexta-feira (20), após realizar um saque de alto valor em uma agência bancária no centro de Recife. O caso rapidamente ganhou repercussão no meio político e acendeu alertas sobre possíveis irregularidades envolvendo movimentações financeiras.

De acordo com as informações divulgadas pela jornalista Mirelle Pinheiro, o valor retirado chamou a atenção das autoridades, levando à abordagem e à prisão do assessor ainda no local. A operação foi classificada como flagrante, o que indica que a ação foi considerada suspeita no momento da transação bancária.

Nos bastidores, o episódio gerou forte reação política e abriu espaço para questionamentos sobre a origem dos recursos e a finalidade do saque. As autoridades devem aprofundar as investigações para esclarecer se houve prática de crime financeiro, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades.

A assessoria do parlamentar ainda não detalhou publicamente o caso, mas a situação já impacta o ambiente político, especialmente em meio a um cenário de maior vigilância sobre movimentações financeiras de agentes públicos e seus colaboradores.

Especialistas destacam que operações desse tipo costumam acionar mecanismos de controle e fiscalização do sistema bancário, sobretudo quando envolvem valores expressivos em espécie. O caso pode evoluir para investigações mais amplas, dependendo das evidências reunidas pelas autoridades competentes.

A repercussão deve continuar nos próximos dias, à medida que novas informações forem divulgadas e o andamento das apurações trouxer mais clareza sobre o episódio.

Redação Saiba+

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