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Brasil

Lula eleva IOF em mais de R$ 40 bi, mas governo recua

Novo aumento de impostos encarece crédito, importações e serviços financeiros; medida tenta tapar rombo no arcabouço fiscal e já causa desgaste político

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Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil - Reprodução

Em meio à tentativa de manter as contas públicas sob controle e cumprir a meta de déficit primário zero, o governo federal anunciou, nesta quinta-feira (22), um aumento expressivo no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com expectativa de arrecadar R$ 40,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. A decisão foi revelada durante a revisão bimestral do Orçamento, feita pelo Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o objetivo da medida é “reforçar a credibilidade do novo arcabouço fiscal”, mesmo que o custo político venha em alta. Com o aumento do IOF, o governo Lula aposta em tributar operações financeiras e importações de pequeno valor, como as populares compras internacionais de vestuário — as famosas “brusinhas” — além de encarecer o crédito para empresas, especialmente fora do regime do Simples Nacional.

Entre os setores mais atingidos estão:

  • Operações de crédito corporativas, com impacto direto nas taxas de juros.
  • Compras internacionais com cartão de crédito, débito e pré-pago, agora com IOF de 3,5%.
  • Remessas ao exterior e compra de moeda estrangeira, também taxadas em 3,5%.
  • Seguros de vida e previdência privada (VGBL) de alto valor, com nova carga tributária para contribuições acima de R$ 50 mil mensais.

A medida azedou o ambiente político. Nas redes sociais e bastidores de Brasília, o ministro Fernando Haddad já começa a ser apelidado de “Taxad”, numa alusão à política de elevação de tributos para atingir metas fiscais. O aumento do IOF pode ainda dificultar a retomada econômica, ao manter o arrocho monetário com crédito mais caro e menor estímulo à produção.

O pacote fiscal ainda incluiu o congelamento de R$ 31,3 bilhões em despesas públicas — manobra necessária, segundo o governo, para compensar a frustração de receitas extraordinárias, como a zeragem de previsões com a retomada do voto de qualidade no Carf, transações tributárias e outorgas ferroviárias. Ao todo, a estimativa de arrecadação extra caiu R$ 81,5 bilhões.

Na prática, a revisão não altera de forma significativa os fundamentos macroeconômicos — como PIB, inflação ou emprego —, mas acentua a fragilidade política de um governo que tenta equilibrar as contas sem abrir mão de despesas sociais e programas estratégicos, ao mesmo tempo em que resiste à pressão de uma base parlamentar volátil.

Com o novo IOF, o governo ganha fôlego fiscal, mas também arrisca perder capital político. O saldo final pode ser neutro na economia, mas custoso no campo da popularidade.

Boatos sobre controle de capital fizeram governo recuar em parte das medidas do IOF

O ministro Fernando Haddad vai explicar agora de manhã por que houve o recuo de uma das medidas do aumento do IOF ontem a noite. Havia boatos de que a medida que impunha IOF sobre remessas para investimento no exterior seria o começo do controle de capital.

Uma ideia totalmente sem sentido, porque o Brasil está tendo é entrada de capital, sem falar nas reservas altas. Para evitar o ruído, o governo recuou.

O que pessoas do mercado explicaram ao Ministério da Fazenda é que essa específica medida era inaplicável porque os fundos operam em fluxo constante de aplicações no exterior e volta ao Brasil. Por isso, se a cada remessa fosse pagar imposto, esse fluxo não poderia ser feito.

As outras medidas de aumento de IOF continuam e, segundo contas da Fazenda, a perda de arrecadação no recuo é de apenas R$ 1 bilhão, no total previsto de receita de R$ 20 bilhões este ano

Haddad diz que recuo sobre IOF foi tomado para evitar especulações

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 23, que o recuo do governo sobre a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicação de investimentos de fundos brasileiros no exterior visou evitar especulações. Segundo ele, o governo contou com colaboração de parceiros para “corrigir rotas” e não quer “inibir investimentos no exterior”.

“Tivemos subsídios de pessoas do mercado dizendo que o IOF poderia acarretar problemas”, afirmou em entrevista à imprensa pela manhã, antes da abertura do mercado. Haddad disse que o governo não tem problema de corrigir rotas, desde que “sigamos o rumo de cumprir metas fiscais”. Ele afirmou ainda que não considerou a reação do mercado exagerada, como em dezembro do ano passado. “Dada a repercussão, tivemos que ser rápidos na revisão.”

O ministro afirmou que o conjunto de medidas anunciadas na quinta-feira, 22, somam cerca de R$ 50 bilhões, para “fechar o ano”. Ele reconheceu que o governo poderá ter de ajustar o congelamento de recursos em cerca de R$ 2 bilhões devido ao recuo na cobrança do IOF.

Sobre a comunicação da Fazenda com o Banco Central sobre as medidas, Haddad afirmou que cada um tem um mandato. “Não reviso decisões do BC”, disse. O ministro disse que conversa com Gabriel Galípolo frequentemente e avisou que haveria medidas sobre receita e despesa. “BC não analisa decisões do presidente da República, não é esse o procedimento.”


Redação Saiba+

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Caixa libera novo lote do antigo PIS/Pasep

Beneficiários que solicitaram o ressarcimento até 31 de maio começam a receber os valores; consulta pode ser feita pelo Portal Repis Cidadão e aplicativo FGTS.

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A Caixa Econômica Federal iniciou, nesta quinta-feira (25), o pagamento de um novo lote de ressarcimentos do antigo fundo PIS/Pasep para beneficiários que formalizaram o pedido de saque até o dia 31 de maio.

Os recursos são destinados a trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que exerceram atividades com carteira assinada entre os anos de 1971 e 1988, período em que vigorava o antigo modelo do fundo. O pagamento contempla aqueles que concluíram o processo de solicitação dentro do prazo estabelecido.

Os beneficiários podem verificar se possuem valores disponíveis e acompanhar o andamento da solicitação por meio de duas plataformas digitais oficiais. A consulta está disponível no Portal Repis Cidadão, acessado com uma conta Gov.br de nível Prata ou Ouro, e também pelo aplicativo FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal.

O ressarcimento faz parte do cronograma de devolução dos recursos remanescentes do antigo fundo PIS/Pasep, que reúne valores não sacados por trabalhadores e seus herdeiros. A iniciativa busca facilitar o acesso aos recursos e ampliar a digitalização dos serviços oferecidos aos cidadãos.

A Caixa orienta que os interessados utilizem apenas os canais oficiais para realizar consultas e acompanhar o processamento dos pedidos, evitando golpes e o compartilhamento de informações pessoais em plataformas não autorizadas.

Quem ainda não solicitou o ressarcimento deve verificar se atende aos critérios estabelecidos e acompanhar as próximas etapas do calendário divulgado pelo governo e pela instituição financeira para novos pagamentos.

Redação Saiba+

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OAB-SP suspende Deolane Bezerra da advocacia

Decisão cautelar impede exercício profissional durante investigação que envolve Operação Vérnix e suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

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A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) determinou a suspensão cautelar da advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos, presa desde maio no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão tem efeito imediato e impede o exercício da advocacia enquanto o processo disciplinar segue em tramitação.

De acordo com a OAB-SP, a medida foi aplicada pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista, seguindo os critérios previstos no Estatuto da Advocacia. A suspensão cautelar pode durar inicialmente 90 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas que podem chegar a até 360 dias, período no qual deve ser concluído o julgamento definitivo do caso.

A entidade destaca que a medida tem caráter preventivo e visa preservar a credibilidade da profissão enquanto as investigações estão em andamento.

Deolane Bezerra foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, a influenciadora teria recebido recursos oriundos da empresa Lado a Lado Transportes, apontada pelas autoridades como parte de um esquema utilizado pela cúpula do PCC para movimentar e ocultar patrimônio da facção.

As apurações indicam que a estrutura financeira investigada teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a valores supostamente obtidos de forma ilícita, ampliando o escopo da investigação conduzida pelo Ministério Público.

A defesa da influenciadora ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão da OAB-SP. O caso segue em análise e pode ter novos desdobramentos à medida que o processo disciplinar e a investigação criminal avançam.

A suspensão reacende o debate sobre a atuação de profissionais investigados em casos de grande repercussão e reforça a postura da OAB em adotar medidas cautelares em situações que envolvem possível violação ética e disciplinar.

Redação Saiba+

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Professora reivindica criação do Pix na Justiça

Ação contra o Banco Central pede reconhecimento de autoria de sistema semelhante ao Pix e indenização de R$ 1 milhão por danos morais.

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Uma disputa judicial envolvendo a autoria de um dos sistemas financeiros mais utilizados pelos brasileiros ganhou destaque nos últimos dias. A professora Anette Vernaschi Toppan ingressou com uma ação na 18ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF) solicitando o reconhecimento de sua participação na criação do modelo que teria servido de base para o Pix.

Na ação, a autora sustenta que desenvolveu o sistema denominado “Tá Pago”, que apresentaria características semelhantes às do atual modelo de pagamentos instantâneos adotado pelo Banco Central. Com base nessa alegação, ela solicita que a Justiça reconheça sua autoria intelectual e determine o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 1 milhão.

Segundo os argumentos apresentados no processo, a professora afirma que o Banco Central teria utilizado conceitos e funcionalidades de sua plataforma para a implementação do Pix, sistema que revolucionou as transações financeiras no Brasil desde o seu lançamento.

Por outro lado, o Banco Central contesta as alegações e nega qualquer irregularidade. A instituição afirma que já existiam tecnologias e ferramentas semelhantes ao sistema citado pela autora, destacando que o desenvolvimento do Pix ocorreu a partir de estudos, projetos e soluções amplamente debatidos no setor financeiro nacional e internacional.

O órgão também argumenta que não houve violação de direitos autorais e que as características apontadas na ação não seriam exclusivas do sistema apresentado pela professora. A defesa do Banco Central sustenta ainda que o Pix foi concebido dentro de critérios técnicos próprios e alinhados às necessidades do mercado financeiro brasileiro.

O caso agora será analisado pela Justiça Federal, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelas partes, além da documentação técnica relacionada aos sistemas mencionados no processo. A decisão poderá esclarecer se existe ou não vínculo entre a plataforma alegada pela autora e o sistema oficial de pagamentos instantâneos utilizado atualmente por milhões de brasileiros.

A ação chama atenção por envolver um dos maiores avanços tecnológicos do sistema financeiro nacional e pode abrir um importante debate sobre propriedade intelectual, inovação e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor bancário.

Redação Saiba+

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