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Direita tenta reverter, mas acaba associada à tarifa de Trump contra o Brasil

Levantamento mostra que, enquanto bolsonaristas celebram carta de Trump, conversas em grupos de WhatsApp expõem desgaste da direita com tarifa que prejudica o Brasil

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se tornou réu nesta semana no STF (Supremo Tribunal Federal) acusado de liderar uma trama golpista, admitiu ter conversado com auxiliares sobre estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal em 2022, mas diz que essas possibilidades foram descartadas "logo de cara". As medidas estão previstas na Constituição para serem usadas para manter a ordem pública e a paz social ameaçadas por "grave e iminente instabilidade institucional", comoção grave de repercussão nacional ou guerra. Ele também citou o recurso ao artigo 142 da Constituição, que, na interpretação repetida por bolsonaristas, autorizaria as Forças Armadas a atuarem como uma espécie de poder moderador — essa visão já foi descartada pelo STF. Bolsonaro é acusado de cinco crimes, cujas penas somadas superam 40 anos. Questionado se uma eventual prisão significaria o fim da sua carreira política, disse: "É o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos".
Ex-presidente Jair Bolsonaro / Reprodução

A ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, acabou gerando mais prejuízo político para a direita brasileira do que para o governo Lula. Levantamento exclusivo da Palver, revela que, nas conversas orgânicas em grupos de WhatsApp, a narrativa que mais se destacou foi a da esquerda, que conseguiu vincular as tarifas ao bolsonarismo.

O estudo analisou mais de 20 mil mensagens, em 100 mil grupos públicos, ao longo de três dias até esta quinta-feira (10). Embora 60% das mensagens virais critiquem o STF e o governo Lula, o discurso dominante entre os usuários que interagem nas conversas — especialmente entre os não alinhados — foi o de rejeição às tarifas e responsabilização de Jair Bolsonaro.

“As pessoas estão reagindo mal às tarifas, e são justamente as do centro político que mais criticam Bolsonaro”, explicou Felipe Bailez, CEO da Palver.

“A direita ainda tenta formular um discurso unificado. Por enquanto, o que vemos é desorganização e desgaste.”

Entre os bolsonaristas, a reação inicial foi de celebração: para muitos, Trump teria reconhecido o Brasil como uma “ditadura”, ao citar o STF e o tratamento dado a Bolsonaro. No entanto, a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — a mais alta entre as 21 anunciadas por Trump na semana — gerou efeito reverso. Grupos à esquerda passaram a usar memes e críticas bem-humoradas para denunciar a “submissão” bolsonarista aos interesses estrangeiros.

Lula reage e cobra responsabilidade de Bolsonaro

O presidente Lula (PT) reagiu à ofensiva dos EUA em entrevista à Record. Ele acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro de “concordar com a taxação”, lembrando que seu filho, Eduardo Bolsonaro, esteve nos EUA para reuniões com aliados de Trump.

“O ex-presidente da República deveria assumir a responsabilidade porque ele está concordando com a taxação do Trump ao Brasil”, afirmou Lula.

O petista também comparou a atuação de Trump no ataque ao Capitólio com o papel de Bolsonaro no 8 de janeiro. Segundo ele, se o episódio tivesse ocorrido no Brasil, Trump também poderia estar sendo processado e até preso.

Malafaia comemora tarifa e diz que Bolsonaro “voltou ao jogo”

Na contramão das críticas, Silas Malafaia, um dos principais líderes evangélicos do bolsonarismo, comemorou a decisão de Trump. “Trump trouxe Bolsonaro de volta ao jogo”, disse o pastor, referindo-se à carta do republicano em que afirma que Bolsonaro sofre perseguição no Brasil.

Silas Malafaia durante protesto em apoio a Bolsonaro na Paulista – Zanone Fraissat

Para Malafaia, a ação de Trump coloca Bolsonaro em um novo patamar e força lideranças da direita a recuar. “Bolsonaro já estava sendo tratado como carta fora do baralho. Agora tudo mudou”, afirmou.

Apesar do tom comemorativo, a repercussão da fala de Malafaia também alimentou críticas. Nas redes sociais, o discurso foi lido como um exemplo claro de aliança política entre bolsonaristas e interesses estrangeiros, em detrimento da soberania brasileira.

Narrativa da direita ainda sem coesão

De acordo com Bailez, a direita ainda busca uma narrativa coesa, capaz de consolidar sua base e neutralizar o efeito simbólico da carta de Trump. “Eles ainda não emplacaram um vídeo viral ou um argumento unificador. Enquanto isso, a esquerda tem dominado o discurso com eficácia”, conclui.

A análise indica que o centro político pode pender contra Bolsonaro, a depender da continuidade das críticas e do comportamento do governo Lula frente ao episódio.

Danilo Gentili critica Eduardo Bolsonaro por apoiar tarifa de Trump

O apresentador Danilo Gentili também entrou no debate e fez duras críticas a Eduardo Bolsonaro, após a publicação de uma foto feita por Jair Bolsonaro para celebrar o aniversário do filho. Gentili reagiu nos comentários:
“Aniversário do vagabundo que está na Disney vivendo de mamata, enquanto comemora taxação contra o Brasil. Nunca trabalhou. Você só criou vagabundo que vive de mamata e covarde que foge. Mas é como dizem: um espinheiro jamais poderia dar uvas. Parabéns“, escreveu.

Mais cedo, Gentili já havia atacado a família Bolsonaro nas redes sociais, chamando seus membros de “vermes”:

Redação Saiba+