Brasil
Trump acena para diálogo com Lula
Presidente brasileiro afirma que está aberto ao diálogo, mas reitera defesa dos interesses nacionais frente ao tarifaço norte-americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º), em declaração à imprensa na Casa Branca, que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, pode falar com ele “quando quiser”. A resposta foi dada à jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, durante uma conversa informal.
Horas depois, Lula reagiu em tom firme, afirmando em publicação no X (antigo Twitter) que “sempre estivemos abertos ao diálogo”, mas deixou claro que seu foco atual é defender os interesses do Brasil frente às tarifas norte-americanas.
“Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano”, escreveu.
O impasse ocorre após os Estados Unidos imporem tarifas adicionais de 50% sobre diversos produtos brasileiros, sob justificativa política. Trump disse “amar o povo brasileiro”, mas criticou o governo ao declarar que “as pessoas que governam o Brasil fizeram a coisa errada”.
Diálogo técnico e precaução diplomática
Segundo fontes do Itamaraty e do Palácio do Planalto, o aceno de Trump ainda não configura convite formal. Qualquer telefonema entre os chefes de Estado requer preparação cuidadosa para evitar constrangimentos diplomáticos.
Lula já havia mobilizado ministros para tentar uma conversa com o republicano, mas até então sem retorno. Em julho, Trump declarou que só falaria com o petista “em outro momento”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve retomar diálogo com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na próxima semana, dando continuidade à agenda iniciada em abril. Ao todo, mais de 20 reuniões bilaterais envolvendo representantes dos dois governos já foram realizadas para discutir o impacto das tarifas.
A equipe de Lula demonstra cautela: antes de qualquer ligação, o presidente deseja garantir que o foco da conversa seja comercial, evitando temas institucionais ou políticos, especialmente diante das críticas americanas relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e à regulação das big techs.
Histórico de tensões e movimento diplomático intenso
Lula e Trump nunca se encontraram pessoalmente, e ambos já trocaram críticas no passado. O Planalto teme que um contato direto mal planejado possa ser explorado politicamente.
Mesmo assim, há avanços. Na última semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também responde pelo Ministério da Indústria, tem liderado conversas com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick.
Até o momento, quase 700 produtos brasileiros foram isentos das novas tarifas, mas o governo segue mobilizado para reverter a medida como um todo. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 27 reuniões já foram realizadas pelo Comitê Interministerial criado por Lula, com participação de representantes públicos, empresas e entidades privadas.
A expectativa do governo é que os contatos diplomáticos em curso preparem o terreno para um encontro de alto nível, sem improvisos, com foco no respeito mútuo e na defesa da soberania nacional.
Brasil
Dono da Voepass relata “cultura de omissão”
Em depoimento à Polícia Federal, José Luiz Felício Filho afirmou ter conhecimento de falhas no registro de problemas técnicos na companhia

O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou em depoimento à Polícia Federal que tinha conhecimento da existência de uma “cultura de omissão” no registro de falhas técnicas dentro da companhia aérea. A declaração faz parte das investigações sobre a queda de um avião da empresa que deixou 62 mortos em 2024.
Segundo o empresário, o padrão de comportamento estaria relacionado ao registro de ocorrências envolvendo problemas técnicos e à atuação de pilotos da companhia. A revelação foi feita durante o depoimento prestado às autoridades federais.
Felício Filho também declarou que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) teriam feito alertas diretamente a ele, ao longo dos anos, sobre o comportamento adotado por pilotos da empresa.
De acordo com o relato apresentado à Polícia Federal, os avisos teriam chamado a atenção para uma possível prática de não registrar adequadamente determinadas falhas técnicas. A informação passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades no curso da investigação.
O empresário foi indiciado no caso relacionado à queda da aeronave da Voepass, acidente que ocorreu em 2024 e provocou a morte de todas as 62 pessoas que estavam a bordo.
As declarações prestadas por Felício Filho deverão ser consideradas no contexto das investigações que buscam esclarecer as circunstâncias do acidente e possíveis responsabilidades relacionadas à segurança operacional da companhia.
O caso também coloca em evidência os procedimentos adotados pelas empresas aéreas para identificação, comunicação e registro de falhas técnicas, além do papel dos órgãos responsáveis pela fiscalização da aviação civil no Brasil.
Brasil
Danone amplia investimentos para expandir produção de iogurtes proteicos no Brasil
Empresa reforça fábrica em Minas Gerais para atender ao crescimento da demanda por alimentos ricos em proteína

A Danone anunciou a ampliação de sua capacidade de produção no Brasil em resposta ao crescimento acelerado do consumo de alimentos ricos em proteína. A estratégia inclui investimentos de alguns milhões de euros na unidade industrial de Poços de Caldas, em Minas Gerais, com foco na expansão da produção de iogurtes proteicos.
O principal destaque da iniciativa é a linha YoPro, que se consolidou como um dos maiores sucessos da companhia no mercado brasileiro. O produto já ocupa a segunda posição entre os itens mais vendidos da Danone no país, impulsionado pelo aumento da procura por alimentos voltados ao bem-estar, à prática esportiva e à alimentação equilibrada.
Segundo o CEO da Danone Brasil, Tiago Santos, a decisão acompanha uma transformação no perfil dos consumidores, que têm buscado cada vez mais produtos com alto teor de proteína e benefícios nutricionais. A expectativa da empresa é fortalecer sua presença no segmento e ampliar sua participação em um mercado que segue em expansão.
Além de aumentar a capacidade produtiva, os investimentos devem contribuir para o fortalecimento da operação brasileira, considerada estratégica para os planos de crescimento da multinacional. A meta é fazer com que o desempenho da Danone no Brasil avance em ritmo superior ao registrado pela matriz francesa nos próximos anos.
O mercado de alimentos funcionais e proteicos tem apresentado crescimento consistente no país, impulsionado por consumidores interessados em hábitos de vida mais saudáveis. Com a expansão da produção, a Danone busca atender à demanda crescente e consolidar sua liderança em uma categoria que ganha cada vez mais espaço nas gôndolas e na preferência dos brasileiros.
Brasil
Alerj retoma atividades sob influência do calendário eleitoral
Primeira sessão do segundo semestre teve presença registrada de todos os deputados, mas maioria participou de forma remota enquanto pautas estratégicas ganham espaço na Assembleia.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) retomou, nesta terça-feira, os trabalhos legislativos do segundo semestre em um cenário marcado pela proximidade das eleições. A apenas 60 dias do pleito, a primeira sessão após o recesso parlamentar registrou a presença dos 70 deputados estaduais, embora a maior parte tenha participado remotamente, deixando o plenário com baixa ocupação.
Apesar do esvaziamento físico da sessão, os bastidores da Casa indicam um período de intensa movimentação política e administrativa nas próximas semanas. A expectativa é de que projetos econômicos considerados estratégicos pelo governo estadual dominem a pauta legislativa antes do avanço do calendário eleitoral.
Outro tema que deve mobilizar as discussões na Alerj é a análise das indicações para a Agência Reguladora de Transportes do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp), além da disputa pela escolha de um novo integrante do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Ambos os assuntos são considerados relevantes para o funcionamento da administração pública e devem concentrar a atenção dos parlamentares.
O período pré-eleitoral tende a influenciar o ritmo das votações e das articulações políticas, uma vez que deputados passam a conciliar a agenda legislativa com compromissos relacionados às campanhas eleitorais. Ainda assim, a expectativa é de que temas de interesse econômico e institucional avancem antes da intensificação do processo eleitoral.
Com a retomada das atividades, a Assembleia entra em uma fase decisiva para a apreciação de matérias de impacto para o estado, em um contexto de maior atenção às negociações políticas e à definição de pautas prioritárias até a realização das eleições.
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