Política
Governo Lula enfrenta atraso em pautas prioritárias no Senado
Projetos considerados estratégicos pelo Palácio do Planalto devem ficar para agosto após falta de avanço na agenda do Senado antes do recesso parlamentar.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá enfrentar um atraso significativo na tramitação de importantes pautas legislativas consideradas estratégicas para o Executivo. Com o recesso parlamentar previsto para começar dentro de duas semanas, a expectativa era de que algumas propostas avançassem no Senado Federal, mas o cenário indica que as votações ficarão para o segundo semestre.
Entre os temas prioritários estão a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública, ambas aguardando avanço na pauta do Senado. No entanto, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não demonstra pressa para acelerar a tramitação dessas matérias antes da pausa dos trabalhos legislativos.
A postergação das votações representa um desafio para o Palácio do Planalto, que buscava concluir parte da agenda legislativa ainda no primeiro semestre. Com isso, as discussões deverão ser retomadas apenas em agosto, período em que a campanha eleitoral ganha intensidade em todo o país.
A expectativa é que o ambiente político influencie diretamente o andamento das propostas. O início das campanhas eleitorais tende a reduzir a presença de parlamentares em Brasília, já que muitos estarão concentrados em compromissos políticos em seus estados, o que tradicionalmente provoca um esvaziamento das atividades no Congresso Nacional.
Além da menor participação dos congressistas, o debate sobre temas considerados sensíveis poderá ser impactado pelo clima eleitoral, ampliando as divergências entre governo e oposição e dificultando a construção de consensos para a aprovação das matérias.
Mesmo diante desse cenário, o governo federal mantém a expectativa de retomar as negociações no segundo semestre para tentar garantir o avanço de sua agenda legislativa. Até lá, propostas de grande repercussão nacional deverão permanecer em compasso de espera, aguardando uma janela política mais favorável para apreciação no Senado.
Política
Lindbergh chama Flávio Bolsonaro de “lacaio de Trump”
Deputado do PT criticou declaração do senador durante audiência promovida pelo USTR, nos Estados Unidos, ampliando o embate político entre governo e oposição

O debate político ganhou novos capítulos nesta terça-feira (7) após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticar duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em razão de sua participação em uma audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington.
Durante manifestação pública, Lindbergh Farias classificou Flávio Bolsonaro como “lacaio de Trump”, em referência ao discurso feito pelo senador e pré-candidato à Presidência da República no encontro realizado pela autoridade comercial norte-americana. A declaração repercutiu nas redes sociais e intensificou o embate entre parlamentares da base governista e da oposição.
As críticas ocorreram em meio às discussões envolvendo as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após o avanço das tratativas sobre a possibilidade de aplicação de novas tarifas a produtos brasileiros. O tema tem mobilizado representantes políticos e setores da economia devido aos potenciais impactos sobre o comércio exterior.
O posicionamento de Lindbergh Farias reflete o acirramento da disputa política em torno da atuação de lideranças brasileiras em fóruns internacionais, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro defendem que a participação do senador faz parte do debate sobre interesses econômicos e diplomáticos do país.
A troca de declarações evidencia o ambiente de polarização política que marca o cenário nacional, especialmente diante das discussões sobre política externa, relações bilaterais e os desdobramentos da corrida eleitoral. Até o momento, não havia sido divulgada uma resposta oficial de Flávio Bolsonaro às declarações de Lindbergh Farias.
Política
Vídeo de Michelle teve roteiro ligado à equipe de Nikolas
Jornalista afirma que produção da gravação contou com profissionais associados ao estilo de comunicação do deputado federal Nikolas Ferreira

O vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirma ter sido “maltratada” e “desrespeitada” teria sido produzido e roteirizado com a participação de integrantes da equipe de comunicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A informação foi divulgada nesta terça-feira (7) pela jornalista Andréia Sadi, durante o programa Estúdio I, da GloboNews.
Segundo informações apresentadas pela jornalista, fontes próximas à ex-primeira-dama relataram que profissionais que trabalharam com Nikolas Ferreira, ou que conhecem o estilo de comunicação adotado pelo parlamentar, colaboraram na elaboração do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro.
A gravação ganhou ampla repercussão nas redes sociais após Michelle afirmar que foi alvo de desrespeito e maus-tratos, gerando manifestações de apoiadores e adversários políticos. O conteúdo passou a integrar o debate político nacional, especialmente entre lideranças ligadas ao campo conservador e representantes da oposição.
De acordo com o relato apresentado no programa, a estratégia de comunicação buscou utilizar uma linguagem já conhecida nas produções digitais ligadas ao grupo político, com foco em forte apelo emocional e ampla circulação nas plataformas digitais.
Até o momento, não houve confirmação oficial por parte da equipe de Nikolas Ferreira sobre a participação direta na produção do vídeo, nem manifestação pública contestando ou ratificando as informações divulgadas. O episódio amplia o debate sobre o papel das estratégias de comunicação digital na política brasileira e a influência das redes sociais na formação da opinião pública.
Política
Desembargadora suspende mandato do vereador mais votado da história de Vitória da Conquista. Defesa expõe uso da máquina pública para blindar candidatura do marido da prefeita.
Decisão monocrática, tomada em pleno feriado e antes da instrução do processo, atendeu a pedido de suplente do União Brasil; peça de defesa de Diogo Azevedo (PSDB) descreve sequência de nomeações em troca de apoio político a Wagner Alves

Uma decisão monocrática da desembargadora eleitoral Carina Canguçu, do TRE-BA, suspendeu na última quinta-feira (2/7), durante o feriado, o mandato do vereador Diogo Gomes de Azevedo Feitosa (PSDB), o mais votado da história de Vitória da Conquista, eleito em 2024 com 6.017 votos.
A magistrada determinou ainda a posse imediata do suplente Alisson Roberto (União Brasil), autor da ação que alega ausência de justa causa para a desfiliação de Diogo do União Brasil.
A forma como a decisão foi proferida, de forma monocrática, no feriado, sem instrução prévia do processo, surpreendeu integrantes do próprio TRE-BA. Segundo informações, a cúpula do PSDB já avalia representar contra a magistrada junto ao TSE e ao CNJ.
O que diz a acusação:
O suplente Alisson Roberto (UB) solicita a perda de mandato eletivo do vereador Vereador Diogo Azevedo (PSDB) alegando infidelidade partidária por mudança de partido sem anuência dos Diretórios Estadual e Municipal.
O que diz a defesa apresentada à justiça eleitoral:
A defesa apresentada por Diogo Azevedo sustenta que sua saída do União Brasil não configurou infidelidade partidária, mas resposta a um quadro de perseguição pessoal e política movido pela prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, e por seu marido, o pré-candidato a deputado estadual Wagner Alves. De acordo com a peça, o vereador foi pressionado a subordinar sua pré-candidatura ao projeto eleitoral do casal, tendo mantido, em vez disso, o compromisso político previamente assumido com o deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia.
Um ponto que chama atenção na peça de defes, no entanto, vai além do caso individual de Diogo Azevedo. A defesa documenta o que classifica como estratégia sistemática da prefeitura de Vitória da Conquista para converter cargos comissionados em moeda de troca por apoio político a Wagner Alves, numa sequência de episódios que a própria imprensa conquistense já registrou:
• O vereador Dudé, que havia declarado publicamente e de forma irrevogável seu apoio ao pré-candidato Fabrício Falcão, rompeu essa aliança logo após ser procurado pessoalmente pela prefeita em sua residência, acompanhada do chefe da Casa Civil do município.
• Orlando Filho, ex-vereador que teve o próprio mandato cassado em 2022 por fraude à cota de gênero, abandonou sua pré-candidatura em 1º de maio e declarou apoio a Wagner Alves; menos de duas semanas depois, em 13 de maio, foi nomeado Assessor Especial da Secretaria Municipal de Cultura.
• O vereador Hermínio Oliveira (PP) declarou apoio a Wagner Alves em sessão da Câmara Municipal, em 22 de maio; na sequência, seu filho foi nomeado Secretário Municipal de Mobilidade Urbana, nomeação que integrou um pacote de mais de 70 novos cargos comissionados aprovados pela Câmara na mesma semana.
Para a defesa, a repetição do mesmo padrão, apoio público seguido de nomeação em curtíssimo espaço de tempo, não é coincidência, mas evidência de uso deliberado da estrutura administrativa municipal como instrumento de construção de candidatura. É nesse ambiente, argumenta a defesa, que se insere a pressão sofrida por Diogo Azevedo para que aderisse ao projeto eleitoral do casal, e sua posterior perseguição política por ter se recusado a fazê-lo.
Procurado pela reportagem, o presidente municipal do PSDB de Vitória da Conquista, Adriano Mendes, comentou o caso “O que vemos aqui é a tentativa de usar a Justiça Eleitoral para completar aquilo que a máquina pública de Vitória da Conquista não conseguiu resolver na política: calar um vereador que teve coragem de dizer não a um projeto de poder pessoal e familiar. Diogo Azevedo foi o vereador mais votado da história de Conquista porque tem voto e tem o povo. Pedir o seu mandato, deixa mais do que claro o que aconteceu. Enquanto Diogo era isolado por não aceitar subordinar a sua candidatura ao marido da prefeita, quem aceitou foi sendo recompensado com cargos comissionados. Quando os interesses pessoais e familiares, são sobrepostos aos interesses da cidade, quem perde é a cidade” finalizou.
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